Música & Badalo

Fernanda Abreu chega com seu “Amor Geral” ao Rio para espalhar alegria em meio à beleza e ao caos

A apresentação será no dia 11, no histórico prédio do Teatro Riachuelo, e terá participações especiais da Focus Cia de Dança e da cantora Letrux. "A véspera do Dia dos Namorados foi uma coincidência maravilhosa, porque esse é um projeto que fala muito de amor. Não só de amor romântico, mas de um bom convívio na coletividade. Acho que a base do amor é o respeito. Então, abordo essa questão no palco"

Publicado em 09/06/2019 | Por Heloisa Tolipan

*Por Karina Kuperman

Agora o gostinho é diferente: finalmente Fernanda Abreu volta ao Rio de Janeiro com seu show “Amor Geral”, que já percorreu várias capitais e cidades do país. A garota carioca de suingue e sangue bom traz à cidade do coração, no dia 11, às 20h, uma celebração do amor através da música e da dança em um cenário icônico: o Teatro Riachuelo. Aliás, alguém consegue pensar no Rio sem – pelo menos – cantar os “40 graus, cidade maravilha, purgatório da beleza e do caos”?

“Amor Geral”, de Fernanda Abreu, chega ao Rio de Janeiro com participações especiais – entre elas, a Focus Cia. de Dança (Foto: Foto Alexandre Calladinni)

Lá em 92 Fernanda já dizia. E, de fato, beleza e caos continuam sendo sínteses para os cariocas. “Infelizmente o Rio está vivendo um momento triste”, lamenta. “Não só economicamente, mas em termos de estrutura. A tragédia na Muzema, o desabamento no Túnel Acústico, a Avenida Niemeyer interditada. Vivemos uma situação de insegurança até em relação ao patrimônio público. Vemos também esses horrores do submundo bandido, de tráfico, milícias. O carioca, em geral, está um pouco menos educado, gentil, menos alegre. Essa crise já é prolongada. A gente vem apanhando muito e acaba que muitos perderam a gentileza e a tranquilidade”, diz ela, que, ainda assim, não perde a esperança na “capital do sangue quente do melhor e do pior do Brasil”.

“O carioca está um pouco menos alegre”, lamenta Fernanda Abreu (Foto: Gui Paganini / direção de arte: Giovanni Bianco)

Mas a cidade ainda proporciona prazeres para Fernanda: “Cada vez que faz um dia de sol e eu passo pelo Aterro do Flamengo, observando a Baía de Guanabara, as montanhas, sinto uma felicidade no coração. O Rio é uma cidade tão linda, somos tão privilegiados pela geografia. Isso é o que nos sustenta sempre. Mas precisamos mesmo de governos que realmente reconheçam o devido valor e invistam na cidade como ela merece. E que nós, cariocas, consigamos entrar numa outra ‘vibe’, de sermos menos estressados, mais espontâneos, gentis, cordiais, sedutores…”.

Se depender dela, gentileza e sedução não faltam. Por exemplo, em seu show, o repertório de “Amor Geral” fala de… sentimento. Mas não só o dos casais apaixonados: é uma verdadeira mensagem de tolerância no convívio social e respeito às liberdades individuais. “A véspera do Dia dos Namorados foi uma coincidência maravilhosa, porque esse é um projeto repleto de amor. Não só de amor romântico, mas de um bom convívio na coletividade. Acho que a base do amor é o respeito. Então, abordo muito esta questão no palco. Tem uma letra que fala que ‘não é fácil aceitar alguém e ser aceito pelo outro também, mas querendo dá’. A ideia é essa. Vão ter surpresas nesse show: sorteio de uma suíte de casal, de um jantar romântico, vai ser muito divertido”, conta.

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O repertório tem seis músicas do álbum inédito “Amor Geral”, além de grandes sucessos da carreira da artista, como “Rio 40 graus”, “Veneno da Lata”, “Katia Flavia”, “Garota Sangue Bom” . “São seis músicas do disco novo, o que dá uma cara bastante diferente ao show. Escolhi algumas canções célebres que tinham tudo a ver com o clima do show”, diz. “‘Rio 40 graus‘ foi um marco na minha carreira. Essa música ultrapassou a barreira do gênero musical. Foi parar em citações jornalísticas, cinema, teatro, dança… e tudo começou de um refrão que eu escrevi. Chamei o Fausto Fawcett e começamos a conversar sobre que Rio, de beleza e caos, era esse o mote. Em 1992 nós víamos as favelas, que até então eram redutos do samba, sendo dominadas pela batida eletrônica, era o funk surgindo”, lembra. Era o cenário “meio batuque inovação de marcação, para pagodeira curtição de falação. De batucada digital, metralhadora musical”, frisa.

E como se deu esse mix? “Eu quis colocar pandeiro, samba, essa mistura de hip hop, funk. E isso virou uma marca na minha estética musical. Foi muito importante, me deu uma assinatura, uma autenticidade que permaneceu até hoje”, afirma Fernanda Abreu.

Fernanda Abreu durante apresentação paulistana de “Amor Geral”(Foto: Divulgação)

O fato é: o amor pela cidade é eterno. “Acho que estamos em um momento um pouquinho comprometido. Estamos mais duros, temos apanhado muito com essa crise. Nós nunca tivemos uma política tão polarizada. As pessoas estão agressivas e raivosas, e nós sempre fomos mais ‘cool‘ e tranquilos. Sinto essa diferença e espero que tudo melhore, especialmente a crise econômica. Desejo que as pessoas possam ter seus empregos, infraestrutura pra morar, mobilidade urbana. Que ninguém viva a vida para acordar de manhã e pagar conta do fim do mês – e muitas vezes nem conseguir. Viver assim é horrível. Está na hora de tentarmos uma luz no fim do túnel”, comenta.

Fernanda fala sobre a atual situação política no país: "muito polarizada" (Foto: Gui Paganini / direção de arte: Giovanni Bianco)

Fernanda fala sobre a atual situação política no país: “muito polarizada” (Foto: Gui Paganini / direção de arte: Giovanni Bianco)

Veneno da Lata” foi outra canção histórica. Uma clara referência ao verão de 1987, quando diversas latas de maconha chegaram ao litoral do Brasil depois que a tripulação do navio Solana Star, que viajava da Austrália e havia parado no Rio, esperando para repassar a maconha para dois barcos com destino a Miami, descobriu que o barco estava sendo procurado e despejou o arsenal no mar. Mas a música fala muito mais do que isso: ela descreve o jeito brasileiro, do improviso, criatividade e humor. “É uma musica muito carioca, fala das ruas do Rio, da Lagoa, Túnel Velho, Rebouças, São Clemente… vai alinhavando os lugares por onde eu passava e eu fiz uma mistura do que eu achava que esse termo ‘da lata’ queria dizer. Tem uma história do brasileiro tocar instrumentos em frigideira, panela, de ‘se virar nos 30’ que temos, muito criativa e inventiva. Somos assim. Ao mesmo tempo, tinha a história de, no rádio, o locutor falar ‘na lata’. Ele se referia às verdades ditas ‘na lata'”, conta. E, claro, tinham as latas de maconha que chegaram ao Rio boiando.

“Essa é uma história… o Solana Star despejou no litoral uma enorme quantidade de latas de leite que, na realidade, continham é maconha e a maior parte veio parar na praia de Maricá… dessas coisas que só acontecem com a gente.e a música ganhou o batuque samba funk, no sentido de que tem seu veneno, suingue, mistério, sensualidade. Ou seja: ao mesmo tempo veneno da lata e uma referência ao som que saía das latas, da batucada, da galera do samba, descendo o morro, tocando em latas. Uma mistura geral desse Brasil carioca de humor e criatividade”.

A Focus Cia. de Dança já havia se apresentado com Fernanda Abreu durante o show no Rock in Rio em 2017 (Foto: Alexandre Calladinni)

Seu “Amor Geral” é, de fato, muito alegre. “É uma apresentação animada e dançante”, adianta. Para isso, nada melhor do que a Focus Cia de Dança, que repete a parceria de sucesso do show no Palco Sunset, no Rock in Rio 2017. Considerada uma das principais companhias de dança contemporânea do Brasil, a Focus Cia. de Dança é dirigida e coreografada por Alex Neoral e já se apresentou em diversos países, como França, Estados Unidos, Itália, Alemanha e outros. No Brasil, a Cia circulou em mais 80 cidades. “Vai ser muito bacana poder estar com a Focus de novo, depois do Rock in Rio 2017, que foi lindo. Conheço o Alex Neoral desde quando ele dançava com a Deborah Colker, minha amiga há muitos anos. Ela coreografou todos os meus shows e videoclipes até 2006, depois ficou muito atarefada, mas a gente se fala muito. E o Alex era bailarino da Cia de Deborah, depois formou a companhia dele, que já tem uns 11 anos, e está em um caminho incrível”, diz Fernanda, que também é bailarina: “Vim dessa área, então a gente se entende muito bem. Eles estarão comigo no palco em umas cinco músicas”.

A cantora Letrux também subirá ao palco para uma participação especial (Foto: Sillas Henrique)

Além deles, outro nome que promete encantar a todos é Letrux, que fará uma parceria inédita com Fernanda. “A participação vai ser uma surpresa para nós duas. Pode isso? Nunca cantamos juntas, mas tenho certeza que vai ser incrível, ela é muito inteligente. Eu sempre fiquei de olho na Letrux, desde o Letuce, a banda que ela tinha com o Lucas Vasconcellos, que também é muito talentoso. Eu já curtia o som dela. Vamos cantar duas canções: ela escolheu uma minha, e eu, uma do repertório dela”, adianta, animada.

As coreografias são fruto de uma parceria inspirada entre Fernanda e Cristina Amadeo (Foto: Divulgação)

A banda do show é composta por nomes como Tuto Ferraz, que comanda a bateria e programação eletrônica, André Carneiro no baixo, Fernando Vidal na guitarra, Thiago Gomes nos teclados, e completam o time, Alegria Mattus nos vocais e a bailarina Victórya Devin. A cenografia é assinada por Luiz Stein e o figurino é de Rogério S. As coreografias ficaram a cargo da própria Fernanda, junto com Cristina Amadeo. É Fernanda, também, quem assina a direção geral e celebra em 2020 trinta anos de carreira solo. Mal podemos esperar para conferir!

SERVIÇO
Fernanda Abreu apresenta show ‘Amor Geral’ no Teatro Riachuelo
11 de junho de 2019 | 20h
Teatro Riachuelo: Rua do Passeio, 38/40 – Centro, Rio de Janeiro
Ingressos: https://bit.ly/2LGEnpv

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