Música & Badalo

Exclusivo! Maria Gadú fala da crise na música, diz que todos têm que “baixar a bola” e dispara: “Acho que há uma superestimação da arte”

Na fila A do desfile de estreia da grife Ratier, na São Paulo Fashion Week, a cantora ainda falou sobre cancelamento de concertos em tempos de economia receosa: "O primeiro hábito que as pessoas cortam, quando falta dinheiro, é o cultural. O motivo? A cultura fica em um lugar paliativo"

Publicado em 23/10/2015 | Por Lucas Rezende

Os fãs de Maria Gadú pediram e ela atendeu: os ingressos para seu show “Guelã”, que seria realizado amanhã em Vitória, capital do Espírito Santo, estavam muito caros e ela não pensou duas vezes em ordenar a baixa nos preços. Mas a tentativa não deu certo e o concerto teve de ser adiado. Em conversa exclusiva com HT após o desfile de estreia da grife Ratier na 20ª São Paulo Fashion Week, Maria admitiu que os valores cobrados em apresentações musicais estão “absolutamente” equivocados. “Está tudo muito caro. Acho que há uma superestimação da arte. Você pagar R$ 200,00 ou R$ 300,00 em um concerto não combina com o valor do salário mínimo. Tem de haver um comoção geral, porque o valor do artista é uma coisa. Preço é outra”, opinou.

(​​Foto: Paduardo / ​​​Phábrica de Imagens)

(​​Foto: Paduardo / ​​​Phábrica de Imagens)

A situação, aliás, só se agrava com a recessão econômica. “Todos nós estamos sentindo a crise. O primeiro hábito que as pessoas cortam, quando falta dinheiro, é o cultural. O motivo? A cultura fica em um lugar paliativo. Estamos todos cancelando concertos. E, claro, que a desculpa tem sido a logística, mas, na realidade, é a falta de público. As pessoas não estão saindo para os shows, porque é mais fácil ficar em casa, tomando uma cervejinha e assistindo ao DVD que o próprio artista proporcionou”, exemplificou Maria.

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A saída para toda essa problemática, segundo a cantora, está, além de um novo posicionamento dos contratantes, na forma de entender o trabalho do artista. “A gente tem de baixar a bola e colocar o preço no valor que ele tem que estar. Essa história do artista ser ligado ao glamour, aos conforto, tem um alto custo financeiro. Então, temos que pensar: ‘Será que isso é necessário mesmo?'”, questionou ela, que, em plena semana de moda, só exclui uma coisa do seu guarda-roupa: salto alto.

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