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Em turnê com filhos, Caetano Veloso cogita shows na Ásia, mas diz: ‘Voos longos são terríveis para organismo senil’

"Vivo a velhice com curiosidade. Reconheço os incômodos e as limitações mas não creio que ser jovem significa necessariamente ser mais feliz. Há uma alegria na juventude – a alegria física da intensidade do sexo e da impressão de grande distância da morte – que é inegável. Mas alguém pode ser muito infeliz aos 25 e muito mais feliz aos 80", disse Caê ao jornal colombiano 'El Tiempo'

Publicado em 24/09/2019 | Por Heloisa Tolipan

*Por Karina Kuperman

O cantor e compositor Caetano Veloso segue com os filhos Zeca, Tom e Moreno na turnê “Ofertório”, que já passou por alguns estados do país e, agora, está rodando a América Latina. Mas, apesar do sucesso que o espetáculo tem feito, ele não planeja longas viagens. “Diante de convites para irmos à China, ao Japão e à Oceania, só fecho com Tom na tendência a não aceitar por causa da velhice. Voos longos são terríveis para um organismo senil. Muitos dias são necessários para a gente se recuperar. Mesmo assim, ainda estou em dúvida quanto à ida à Ásia”, disse, em entrevista ao jornal colombiano “El Tiempo“.

Caetano com os filhos Tom, Zeca e Moreno (Foto: Divulgação)

“Vivo a velhice com curiosidade. Reconheço os incômodos e as limitações mas não creio que ser jovem significa necessariamente ser mais feliz. Há uma alegria na juventude – a alegria física da intensidade do sexo e da impressão de grande distância da morte – que é inegável. Mas alguém pode ser muito infeliz aos 25 e muito mais feliz aos 80. Quando escrevi ‘O homem velho‘, eu ainda não sentia as diferenças do envelhecimento. Apenas percebia que estava me aproximando. E meu pai tinha morrido (aos 82)”, analisou.

(Foto: Divulgação)

Vale destacar que a apresentação da última quinta-feira da família Veloso, no Teatro Gran Rex, em Buenos Aires, deu o que falar. É que Moreno, filho mais velho de Caetano, puxou um coro de “Lula Livre“. A plateia se empolgou e respondeu um “Si vos querés Larreta también”, que faz alusão à música cantada nas primárias das eleições, comemorando a vitória da liderança da chapa de Cristina Kirchner nas próximas eleições, que significa algo como “Fora Macri” e “Fora Larreta” (Horacio Rodríguez Larreta, prefeito de Buenos Aires). Foi o bastante para que personalidades famosas e lideranças da direita argentina publicassem diversas críticas ao espetáculo. Roberto Cachanosky, economista neoliberal e macrista, que estava presente na plateia, criticou o tom político do espetáculo. No Twitter, escreveu que foi a um show de música e não a um ato político. E chegou a pedir o ingresso de volta.

Ele não foi o único. “Vou aos shows de Caetano há 25 anos. O autoritarismo é o que mostra em suas imagens”, escreveu Pablo Avelluto, ministro de Cultura da Argentina, em resposta ao economista, que publicou um vídeo com o público saindo do show cantando contra as autoridades do país. O jornal “Clarín“, um dos mais conhecidos da Argentina, também noticiou a história: “Quando quatro integrantes da família Veloso invadiram, na quinta-feira 19 de setembro pela noite, o palco do Gran Rex, o que se produziu foi uma sessão massiva de hipnotismo nunca antes vista”, descreveram.

Caetano e os filhos se apresentam esta semana em Montevidéu, no Uruguai, e Santiago, no Chile. A partir de outubro, ‘Ofertório’ volta ao Brasil com shows em Belo Horizonte, Salvador, São Paulo e Rio de Janeiro.

 

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