Música & Badalo

Dona Onete toca fogo na última noite da Casa Bloco

Com quase 300 músicas compostas, a professora de história aposentada, contou tantas novidades ao Site HT como o disco novo, com participação de BNegão, turnê pela Austrália que ficamos imaginando, de onde vem tanta energia?

Publicado em 04/03/2019 | Por Heloisa Tolipan

*Por Rafael Moura

A última noite da Casa Bloco, na Casa França-Brasil, mostrou a diversidade da nossa cultura. O DJ Doni abriu a noite com o melhor da música brasileira, seguido do bloco Terredeira Cearense, com Junú Maracambuco, que sacudiu a pista. Por fim foi a vez da musa prodígio, Dona Onete mostrar o melhor do Pará. Um show temperou o carimbó e o bolero com muito jambu e fez a plateia tremer. “O jambu é o que faz Dona Onete tremer, além do amor de vocês”, conta sorridente essa jovem senhora de quase 80 anos, que esbanja energia e alegria. “É o amor de vocês e muito carimbó”.

Dona Onete com todo o seu bom humor e doçura – Foto Bruno de Lima

Com quase 300 músicas compostas, essa dama do carimbó, nos contou tantas novidades ao que ficamos nos perguntando de onde vem tanta energia. “Eu estou muito feliz, feliz, feliz com todas essas novidades, conta Dona Onete. E completa “o nosso amado jambu é o que faz Dona Onete tremer”. A vontade da gente de trazer o estado da gente, a cidade da gente. Eu sou uma mulher que tem de mostrar a minha terra. Eu venci, vamos embora, mas trago comigo alguma coisa do lugar de onde você nasci”.

Dona Onete cantando o melhor da música paraense – Foto Bruno de Lima

Ionete da Silveira Gama, professora de história, conta que primeiro trabalhou e se aposentou. “Eu não era abestada. Eu precisava primeiro ter o meu dinheiro, porque eu não sabia se eu ia ser sucesso na música. Eu me aculturei muito dando aula de história. Eu fui montando a história do negro, do índio do branco. Lá no Pará ainda teve a passagem dos franceses, italianos o que misturou tudo. Por isso que o Pará tem esse tempero gostoso”.

 

“Eu já fiz muito escola de samba na minha cidade, ninguém conhecia o que era isso. Fui até enredo de uma escola de samba, Piratas da Batucada, com o enredo Chameguei, Onete. Desfilei dançando carimbó. É sempre uma delícia receber homenagens.”, conta toda orgulhosa.

Dona Onete se consagrou internacionalmente e já fez turnês em Portugal “perdi as contas do tanto de vezes que fui à Portugal”, França, Dinamarca Espanha, Estados Unidos e até Malásia. Agora ela vai para a Austrália. “Eu estou muito, muito, muito feliz. Na volta vocês (cariocas) poderão curtir o Rebujo, no Circo Voador, em maio.

Dona Onete sendo reverenciada pela plateia na Casa Bloco – Foto Bruno de Lima

Rebujo é um termo usado para explicar o movimento que faz com que o que estava no fundo do rio venha à tona. “Tem família que a gente diz: ‘Eita, está dando um grande rebujo’. Os podres daquelas pessoas estão saindo tudo, lá do fundo”, explica a sabia cantora. “Eu trago um samba que BNegão vai cantar comigo “Musa da Babilônia. É a única pessoa que convidei. um amigo de muitos anos.” O samba foi inspirado em uma mulher que Dona Onete viu descendo da favela carioca em direção à praia.

Acharam que tinham acabado? Dona Onete encerra nosso papo radiante falando sobre o show “Pará Pop”, no Rock in Rio, no dia 3 de outubro. O encontro tratá três gerações de sucesso da Terra do Marajó – Fafá de Belém, Gaby Amarantos, Jaloo, Lucas Estrela e Dona Onete. “Eu vou estar com 80 anos quando pisar naquele palco e mostrar todo o nosso carimbó chegado”, frisa.

Dona Onete no camarim durante nosso papo – Foto Bruno de Lima

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