Música & Badalo

‘Dei uma parada na fotografia e recusei trabalho’, revela Carol Beiriz sobre preparação para cantar em show

Ensaiando para valer há seis meses, fotógrafa e cineasta queridinha dos artistas vai soltar a voz em uma única apresentação na Gávea, dia 9

Publicado em 08/07/2019 | Por Heloisa Tolipan

*Por Jeff Lessa

Carol Beiriz é considerada hoje uma das melhores profissionais de sua geração. Aos 41 anos, capixaba de Vitória, ela é conhecidíssima no meio artístico pela delicadeza de seu trabalho como fotógrafa e cineasta. Por suas lentes já passaram Leila Pinheiro, Moacyr Luz, Zélia Duncan, Paulinho Moska, João Donato, Paulinho da Viola, Rosamaria Murtinho, Letícia Spiller, Fabiula Nascimento, Bibi Ferreira – a lista é imensa e não temos a menor pretensão de esgotá-la aqui. Agora, Carol está se lançando como cantora no show “Mulher”, que terá uma única apresentação em 9 de julho no Dumont Arte Bar, na Gávea.

A fotógrafa e cineasta Carol Beiriz volta às suas origens musicais na Gávea (Foto de Carol Beiriz)

Na verdade, dizer que ela está “se lançando” como cantora é exagero. Carol vai se apresentar cantando – algo que, aliás, sempre fez em sua vida, apesar de este ser uma verve bem menos conhecida pelo respeitável público. “Na minha juventude fiz muitas apresentações. Toquei muito. Na verdade, vim para o Rio para estudar música. Minha mãe é pianista e artista plástica e o piano foi meu primeiro instrumento”, conta Carol, que se arrepende de ter estudado apenas dois anos de piano. “Troquei pelo violão, que dava para carregar para todos os cantos, cantar com os amigos… Devia ter estudado mais piano”.

No meio do caminho, quiseram os deuses que Carol descobrisse a fotografia: “Enquanto estudava música, fiz um curso de fotografia. Estava apaixonada. A Ford Models me chamou para trabalhar e não dava para recusar. Em três meses, eu estava ganhando o meu dinheiro, me sustentando. A foto foi tomando o meu tempo e eu passei a cantar socialmente, entre amigos”.

A proposta de retomar o canto veio do diretor Jorge Farjalla, na época em que estava montando a peça “Doroteia”, de Nelson Rodrigues. “Ficamos amigos e, há um ano exatamente, ele disse que queria dirigir um show meu. Respondi que não podia parar com a fotografia mas, no fundo, estava achando a proposta maravilhosa. Eu queria e não queria (risos). Ficamos nessa conversa durante três meses até eu aceitar”, diz Carol. “De seis meses para cá venho ensaiando de verdade. Dei uma parada na fotografia e cheguei a recusar trabalho. Para você ter uma ideia do ritmo, num trabalho que fiz com a Antonia Fontenelle fotografamos três capas de revista em um único dia”.

Carol teve aulas de piano durante dois anos e trocou o instrumento pelo violão (Foto de Carol Beiriz)

Quem já participou da produção de uma capa de revista sabe que o trabalho é puxadíssimo. Então por que Carol resolveu se dedicar tanto a um show que, a princípio, terá apenas uma apresentação? Afinal, ela poderia ensaiar durante um mês para “desenferrujar”: qualquer falha seria perdoada de antemão pelos amigos… Não seria? “É, eu poderia ter ensaiado só um mês. Mas o Farjalla não é simples… Ele exige postura profissional. No show, eu faço quatro ou cinco solos. Um solo exige um ano de ensaio! Tenho um nome como fotógrafa, não poderia fazer um show simples. Contratei até uma preparadora vocal”.

O carinho com a apresentação é grande mesmo. E Carol estende esse cuidado ao tratar do tema do show, uma exaltação ao feminino. Ela fez questão de que nenhuma das 15 canções que compoem o repertório houvesse sido marcada por uma interpretação feminina. “Todas as músicas tratam do tema mulher, mas foram cantadas por homens. Chico Buarque, João Gilberto, Caetano Veloso, Cartola, Gonzaguinha e outros”, adianta Carol, revelando que o show guarda uma “guitarra-surpresa” para o final. “Só vou dizer isso”, brinca.

Entre os planos para o futuro, está o lançamento de um documentário em parceria com a cantora Leila Pinheiro, de quem ficou muito amiga após fotografá-la. “Chama-se ‘Rio Invisível’, tem trilha da Leila e é narrado por ela. Fala sobre a alma poética do ser humano que vive nesta cidade, deixando de lado o aspecto geográfico para se tornar um símbolo complexo e inesgotável da existência”, filosofa ela, que, em breve, entrará em estúdio para dar forma a seu primeiro álbum.

SERVIÇO

Dumont Arte Bar: Praça Santos Dumont 116, sobrado, Gávea.

Dia 9, às 20h30.

R$ 20.

60 min.

14 anos.

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