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Coquilles Saint-Jacques no Mangue Beat? Bande Dessinée une o charme francês ao remelexo pernambucano!

Em bate-papo exclusivo, o guitarrista Filipe Barros adianta em primeira mão as novidades e projetos, e ainda traça um panorama de grupos latinos que, assim como eles, também curtem cantar em francês!

Publicado em 15/01/2014 | Por Heloisa Tolipan

Imagine um drink que contempla uma misturinha básica de champanhe com catuaba. Não rola? Agora corta. Pensa em um estilo musical que mescla o pop francês da década de 1960/70 e aquele ritmo regional com letras e identidade contemporâneas. Funciona! Esta é a receita usada pela Bande Dessinée, a banda pernambucana que tem como influência astros da música francesa, como Serge Gainsbourg e Brigitte Bardot.

Formada por Clarice Mendes (voz), Thiago Suruagy (bateria), Miguel Mendes (baixo), Marcio Oliveira (trompete), Filipe Barros (guitarra e voz) e Ed Staudinger (teclado), o grupo tem nome que significa “história em quadrinhos”, revelando que a escolha não se trata de uma paixão especial pelas tradicionais HQ, mas, sim, pela ideia de ser uma banda “desenhada” por eles mesmos, ou melhor dizendo, desprendida de qualquer rótulo. Conceitual, não? Atualmente, Dessinée explora um laboratório de sonoridades, tornando-se um dos destaques da atual cena de Pernambuco.

Com sons típicos daquele pop dançante dos bons, mais influências da música romântica e brega brasileira, a faixa “Perdizes”  é o primeiro single do seu novo album, chamado provisoriamente de “Chanteclair”. Junto com esta novidade, o grupo também apresenta sua nova vocalista, Clarice Mendes. Produzido por Leo D e pela própria banda, a música foi criada originalmente para a trilha do filme “Minha Alma É Irmã de Deus”, inspirado no livro de Raimundo Carrero.

Aproveitando o lançamento do novo clipe, batemos um papo com o guitarrista Filipe Barros, que nos contou sobre a trajetória do grupo e suas referências francesas. De quebra, o artista ainda indicou alguns músicos que, assim como ele, curtem essa imersão na cultura francófila.

Dessiné 2

HT: De onde surgiu o interesse pela música francesa e o que vocês mais admiram no estilo deles cantar?

Logo quando criamos a banda, em 2007, o interesse pela música francesa surgiu muito por conta de alguns músicos da década de 1960 de quem somos fãs, como Serge Gainsbourg, France Gall, Brigitte Bardot, Dalida. Eles tinham uma diversidade enorme e cantavam em vários idiomas. Esse DNA está presente na Dessinée como um verdadeiro encontro com uma essência muito brasileira, através da prática de remixar a cultura mundial, dando nossa própria identidade e assinatura.

HT: Quais são as maiores referências musicais no trabalho da Dessinée?

Não diria que temos referências únicas, mas fazemos parte de um grande laboratório musical. Ouvimos um pouco de tudo, mas nossa preferência ainda é a música brasileira, independente do ritmo. Depois, pegamos tudo, misturamos com o cenário francês de 1960 no nosso caldeirão e… Voilà! O resultado é o que apresentamos atualmente. Hoje, também temos um grande amor pelo bolero e vemos uma enorme possibilidade de usá-lo, incrementando o rock e pop. A cada música que criamos, procuramos colocar diversas influências que se conectam, sem medo de ser feliz na hora de fazer uma grande mistura! Dialogamos a harmonia rebuscada com grooves bastantes populares e, o barato disso tudo é a transformação e os novos caminhos sonoros que podemos seguir. Outra característica que marca bastante o nosso trabalho é o forte link com sons dançantes, músicas que são para refletir, mas também para se envolver corporalmente.

HT: A cultura francesa tem como característica marcante a criação independente, tanto no cinema quanto na música. Vocês acompanham bandas ou cantores independentes de lá? Já dividiram palco com algum deles ou gostariam de?

Com o tempo de estrada fomos conhecendo, sobretudo, artistas do mundo inteiro que sofrem influência da música francesa, independente da época. Apesar de acompanhar de longe o cenário musical francês, confesso que temos nos interessado bastante pelos latino-americanos e que a América Central também faz parte desse caleidoscópio de pesquisas. No Brasil, por exemplo,  tem o projeto Les Provocateurs de Edgar Scandurra. Um Luxo! Já na Argentina, tem o Pablo Krantz, na Colômbia o Monsieur Periné e, no México, o Paté de Fuá, todas bandas ou artistas muito interessantes, que contam com um público crescente.

HT: O que define a mistura da cultura francesa com a pernambucana? É paté de fois com mordida de tubarão na Boa Viagem, rs? 

“Chanteclair”. Esse é o nome do título de nosso próximo disco e também foi o nome de uma casa noturna que funcionou dos anos 1950 até o começo dos anos 1980. Tinha esse nome, que é um misto do aspecto cosmopolita com a genuína boêmia recifense. A Dessinée é exatamente isso, um encontro improvável de coisas que parecem sem par, mas que se encaixam perfeitamente. Acho que as duas culturas são bastante alquimistas, recebem influência do mundo todo e acolhem a diversidade, mas com uma identidade forte.

HT: Quais são os planos e objetivos da Bande Dessinée para 2014?

Começamos o ano lançando o nosso single “Perdizes”. Tivemos uma repercussão muito boa, em menos de uma semana já estamos com quase 6 mil views no Youtube e muita gente comprando no Itunes. Em março, entramos em estúdio para gravar nosso disco, que deve ser lançado no segundo semestre deste ano. O nome do disco, como já adiantei, é “Chanteclair” e tem praticamente todas as músicas em português, com uma sonoridade pop e, sem dúvida, muito dançante. Próximo ao lançamento oficial, vamos emplacar mais videoclipes. Também pretendemos fazer shows no Rio, São Paulo e, claro, aqui em Recife. A ideia é percorrer todo o Brasil, como fizemos no disco anterior.

Assista ao clipe:

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