Música & Badalo

Conheça Filipe Ret, um rapper fora da curva que é a promessa da cena: “se existe preconceito com o rap é algo tão inútil que nem merece nossa atenção”

Cria do Catete, ele gosta de literatura, é jornalista a agradou seus veteranos Emicida e Projota. Menino bom de mercado, se prepara para lançar o novo álbum e gosta de filosofar: "meu rap serve à arte"

Publicado em 11/06/2015 | Por Lucas Rezende

Esqueça todo o ideal – seja de estilo, bagagem ou gênero – que você tem de um rapper. Quem HT apresenta hoje é blogueiro – onde posta frases inspiradas em Clarice Lispector e Nietzsche, por exemplo – jornalista e conhecedor acadêmico de literatura. Oriundo do Catete, mas morador de Laranjeiras, ambos no Rio de Janeiro, Filipe Ret é um inegavelmente um ponto fora da curva em sua cena. Ele escreve letras filosóficas, profundas, sem perder o deboche e agressividade. Suas influências? Rock oitentinha, funk e pagode. E apesar de todas essas excentricidades, ele bebeu na fonte mais tradicional do gênero para começar a dar seus próprios passos. “Conheci o rap em meados de 1992, através do primeiro disco do Gabriel O Pensador. Já gostava de cantar as músicas dele, mas sem pretensão nenhuma. Eu tinha uns oito anos. Só mais tarde, com 16, fui escrever minhas próprias rimas”, nos conta.

Dez anos depois, já com 26 anos, Ret escreveu seu primeiro disco “a vera” (como ele gosta de falar), o “VIVAZ”, lançado em dezembro de 2012. Como os números falam melhor do que as palavras, eles que respondem sobre o sucesso da estreia: o álbum foi baixado mais de 6 mil vezes só nas primeiras 24h. Se a crítica gostou? O jovem caiu nas graças do mestre Emicida, fez uma parceria com Projota, e shows com ConeCrewDiretoria, Edi Rock, Mano Brown e MV Bill. E o sucesso não subiu à cabeça. Esperto, ele encara tudo como negócio. “[Ser MC] É empreender, estar atento a todas as novidades o tempo inteiro. É procurar ter uma equipe de confiança e comprometida. Estou convencido de que trabalho com os melhores”, falou nada modesto.

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Como escreveu suas primeiras letras ainda adolescente, Ret entrou nas hoje conhecidas batalhas de MC’s tão cedo quanto. Um bom motivo é seu bacharelado em Comunicação Social. “Tudo e todos me influenciam a todo momento. Desde a criação da minha família, o lugar onde nasci, as pessoas que conheço, minha criação nas ruas do Catete, minha formação em comunicação, tudo é material pra viajar e ir além. Sem limite, sem fronteira”, filosofa. Bom no traquejo, Ret também é positivista. O preconceito com o rap – aqui engloba letras -, para ele, não existe. “Se existe [preconceito], é algo tão inútil que nem merece nossa atenção”, acha.

Ret alega se inspirar no Catete e também no próprio mercado, mas não gosta de perímetros. Principalmente quando assunto é música. “Comigo não tem essa. Já me peguei aumentando o volume do carro pra ouvir sertanejo. E cantei emocionadamente. Não me prendo a nada. Faço rap pra me libertar, não para me prender. Meu rap serve à arte. Quero fazer arte em primeiro lugar. Procuro justamente fazer um rap que ninguém faça igual. Quero surpreender a mim mesmo o tempo inteiro. Meu rap é livre”, disse ele que, enquanto é firme nas palavras, é só ansiedade para seu novo álbum. “Este mês ou julho, sai o CD novo chamado ‘REVEL’“, nos adianta.

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Se preparando para ser o headliner da festa “YO!” no dia 19 de junho, no Ilha Shows, na Ilha de Vitória, Filipe Ret é daqueles que vê o lado bom das coisas. Ainda mais com o rap, que, para ele, vai muito bem mercadologicamente falando. Aliás, desse assunto ele nos provou que entende. “Quanto mais gente trabalhando pelo que acredita, melhor. Quanto mais gente conhecer o rap, melhor. O rap é o gênero musical que mais cresce no Brasil e provavelmente no mundo. Não tenho dúvidas de que daqui a cinco anos estará 10 vezes maior em todos os sentidos. Nosso mercado está trabalhando para isso, está aquecido num ritmo de crescimento enorme. São jovens com muita sede de vencer e que não ficam esperando o governo”, analisa. E a gente não duvida nem um pouco, Filipe.

Serviço

“Festa Yo!” com Filipe Ret, Cartel MC’s, Funkero, Homeflow, DJs Cia, Dadu e Mark Dias

Quando: 19 de junho – sexta-feira

Ingressos: 4º Lote Pista R$ 60,00 (meia); 3º Lote Camarote R$ 80,00 (meia) e 4º Lote Camarote R$ 90,00 (meia)

Pontos de venda: Site da Blueticket.

Horário: 22h

Local: Ilha Shows

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