Música & Badalo

Cantor Matheus VK conversa com o site HT sobre a necessidade da desconstrução do machismo na sociedade

Ele lança a música e clipe "Soldadim" dia 12 de outubro, que propõe a desconstrução dos padrões, e teria a participação do funkeiro Mr. Catra: "Vai ficar faltando a presença forte dele"

Publicado em 27/09/2018 | Por Vanessa Cutrim

Purpurina e espontaneidade são sua marca. Matheus VK é puro feeling e guia sua natureza artística na desconstrução dos padrões. “Sou um homem hétero de classe média, então tenho toda uma interferência de como é ser homem em uma sociedade. Eu venho tentando desconstruir isso aos poucos para me colocar mais próximo da minha essência”, reflete. Suas músicas, além de energéticas para não deixar ninguém parado, são cheias de duplo sentido e ironias. Formado em psicologia, o carioca acredita que a profissão influencia diretamente no seu processo criativo.

Matheus VK é pura descontração em suas músicas e shows (Foto: Jorge Bispo/Divulgação)

Dia 12 de outubro, ele lança a canção e o clipe de Soldadim, que expõe como é danoso o machismo estruturado na sociedade. “O Soldadim vem em um momento curioso, porque existe essa tensão no ar, essa intolerância que faz parte da rigidez educacional, que diz que o homem não pode chorar, não pode ser sensível, não pode dançar e rebolar. Essas proibições fazem com que a gente fique muito duro com nós mesmos e consequentemente com os outros. Então, a empatia, que é algo que está em falta também, ela se perde nesse lugar do dever”, diz Matheus, mostrando todo seu lado psicólogo.

Capa do EP “Purpurina”, que embalou os carnavais do Brasil (Foto: Divulgação)

A música conta com a presença do artista Silvero Pereira e teria a participação do funkeiro Mr. Catra, que faleceu no dia 9 de setembro. “O Silvero tem um trabalho muito importante levantando a bandeira LGBTQ+, além de ser um grande ator. Ele teve uma peça chamada Br-Trans, que foi uma das inspirações para fazer a música. Convidei o Catra e ele tentou gravar, mas não passou bem no estúdio em São Paulo, e depois, a gente perdeu ele. A ideia seria ter eu, o Silverio e o Catra como três homens diferentes, mostrando que não existe um padrão de certo ou errado. Vai ficar faltando a presença forte dele”, lamenta. O clipe tem direção de Orlando Ávila, e ainda conta com participações dos atores José Loreto e Lúcio Mauro Filho.

Matheus VK procura o tempo todo se reinventar. Realiza shows solos, com a parceira musical Natascha Falcão no repertório Crush, e estrela o bloco Fogo & Paixão. Suas apresentações são uma catarse de cores, leveza e vivacidade. É raro você curtir o carnaval do Rio de Janeiro e não ouvir suas músicas em algum momento. Ele demonstra uma alegria ao falar sobre essa rotina artística. “Viver de arte tem a contrapartida de você estar em constante contato com o seu eu. O momento que me sinto mais potente na minha vida é em cima do palco. É quando eu estou mais espontâneo e consigo estar presente sem pensar nos problemas. Tem um estado de presença no palco que não deixa a gente ficar carregado de preconceito e de conceitos atrasados. O artista é isso. Ele tem que estar absolutamente aberto para o que está acontecendo no mundo”, afirma Matheus, ressaltando que prefere se prender a questão mais poética da arte do que todos os obstáculos, que são muitos.

Recentemente, Matheus se tornou pai. Cora é fruto do casamento com a diretora de TV Daniela Gleiser, e isso o fez questionar ainda mais tudo à sua volta. “Eu acho que é um pensamento que temos que ter para agora. Não para o futuro: o que queremos para nossa sociedade? Como desejamos educar nossos filhos? A figura de um ‘soldadim’ é tudo que a gente não quer”, frisa.

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