*por Vítor Antunes
Com carisma inconfundível e musicalidade marcada por suingue, Wilson Simonal (1938-2000) permanece presente no imaginário coletivo da música brasileira, mesmo um quarto de século após sua morte em 25 de junho de 2000. Ícone dos anos 1960, o cantor foi um fenômeno de popularidade — e, também, de polêmica. Prova disso é o recente levantamento do Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição), que revelou as músicas mais executadas de Simonal nos últimos cinco anos no Brasil. A pesquisa incluiu execuções em rádios, shows, sonorização ambiental, casas de festas e eventos sazonais,ccomo o Carnaval e as festas juninas.
No topo da lista está “Sá Marina”, composição de Antonio Adolfo e Tibério Gaspar (1943-2017). Coincidentemente, a canção ganhou nova projeção em 2000, ano da morte de Simonal, ao ser regravada por Ivete Sangalo. O clássico foi seguido por outros sucessos que continuam a ecoar nos alto-falantes de todo o país.
Cancelado antes mesmo de o termo existir, Simonal foi empurrado ao ostracismo durante a ditadura militar após ser associado à figura de delator, o que comprometeu sua imagem por décadas. Redescoberto por novas gerações a partir dos anos 2000 — especialmente após o documentário “Simonal: Ninguém Sabe o Duro que Dei” e o esforço de artistas e críticos em reavaliar sua obra — o cantor voltou a ocupar seu lugar de destaque na história da MPB. Hoje, sua voz e seu legado seguem vivos nas rádios, nos palcos e nas plataformas digitais.

Em 1960, Simonal era sinônimo de sucesso (Foto: Arquivo Nacional)
De acordo com o Ecad, o catálogo de Simonal contabiliza 28 obras musicais e 359 gravações cadastradas oficialmente. Seus direitos autorais seguem protegidos pela Lei Federal nº 9.610/98, que garante a remuneração de seus herdeiros por 70 anos após sua morte — desde que as execuções públicas estejam devidamente licenciadas. Essa arrecadação é essencial para que compositores e intérpretes sejam justamente remunerados por suas criações.
Mais do que números, a permanência de Simonal na memória musical brasileira é uma revalidação de seu talento e uma reparação histórica. Hoje, sua voz embala festas, desperta memórias e inspira novos intérpretes, provando que grandes artistas jamais saem de cena por completo.

Wilson Simonal morreu em 25 de junho de 2020 (foto: Reprodução)
Confira as 10 músicas mais tocadas de Wilson Simonal nos últimos cinco anos:
-
Sá Marina — Antonio Adolfo / Tibério Gaspar
-
País Tropical — Jorge Ben Jor
-
Nem Vem Que Não Tem — Carlos Imperial/Bill César
-
Vesti Azul — Nonato Buzar
-
País Tropical / Sou Flamengo — Jorge Ben Jor / Carlos Renato / Pedro Caetano
-
Meu Limão, Meu Limoeiro — José Carlos Burle / Bill César
-
Mamãe Passou Açúcar em Mim — Bill César
-
Zazueira — Jorge Ben Jor
-
Tributo a Martin Luther King — Wilson Simonal / Ronaldo Bôscoli
-
Carango — Nonato Buzar / Bill César
Artigos relacionados
Três décadas depois, álbum 'Xuxa 10 Anos' permanece raro, pouco estudado e cercado por mistérios
¡Fuerza latina! Jay Wheeler explode no Spotify e reforça o domínio global da música porto-riquenha nas paradas pop
Por onde anda Markinhos Moura? 40 anos após "Meu Mel", cantor não recebeu pelas vendas dos LPs no Brasil