Música & Badalo

“Busco produzir músicas que tragam minha verdade e que não sejam apenas modinha”, diz Wanessa Camargo

Em novo momento, a cantora investe ainda mais no digital. E, em entrevista exclusiva, comenta pontos positivos e negativos das novas tecnologias: "Tudo ocorre de forma tão veloz que existe o risco das pessoas e produções serem descartadas mais facilmente. Muitas pessoas não têm paciência de ouvir um disco inteiro, entendendo todo conceito por trás e, por isso, temos que estar sempre atentos a esses hábitos comportamentais"

Publicado em 23/10/2019 | Por Heloisa Tolipan

*Por Domênica Soares

Em nova gravadora, a cantora Wanessa Camargo vem buscando mais espaço no universo digital com foco na aproximação com os fãs, claro. Recentemente, ela lançou o single “Por Favor” e há um mês “Vou Lembrar”,  que deu o start em novo projeto musical composto de sete músicas com o objetivo de refletir seu novo momento de carreira. “Estou apaixonada por esse projeto.‘Vou Lembrar’ foi um ótimo começo, ela tem uma sonoridade com a qual as pessoas já se identificam e, além de disso, traz em sua letra o sentimento de amor, fazendo conexão com os laços inquebráveis que temos em nossa vida”. Com os avanços da tecnologia, a artista conta que está animada com esse novo momento em parceria com a gravadora ONErpm. Em “Por Favor“, Wanessa fala sobre o drama vivido por filhos com pais separados. Ela diz que retrata um dos males contemporâneos e desabafa sobre a ruptura de seus pais, Zezé Di Camargo e Zilu Godoi.

Capa do single “Vou Lembrar” (Foto: divulgação)

Além de se atualizar, a cantora busca estar frequentemente presente em eventos com cunhos sociais. Desta vez, Wanessa será a madrinha da 14ª edição do baile da Apae, amanhã, dia 24, no Le Buffet Master, em Vitória. O tema do evento é “A Inclusão gera Transformação”, com o objetivo de mostrar que as pessoas com deficiência precisam ter oportunidades de viver em um mundo melhor. “Estou muito feliz e honrada em participar de um evento tão lindo e por uma causa tão nobre. O Baile da APAE 2019 em Vitória é um evento sem fins lucrativos para arrecadar recursos para garantir que eles continuem oferecendo serviços gratuitos para mais de 3 mil pessoas. O tema visa chamar a atenção para a importância da inclusão de pessoas com deficiências intelectuais, múltiplas ou autismo na sociedade, para que tenham cada vez mais autonomia e qualidade de vida. Vai ser lindo. Conto com a ajuda e a presença de vocês”, diz.

Capa do single “Por Favor” (Foto: divulgação)

Wanessa e ONErpm

“Estou muito feliz com a ONErpm, uma gravadora bastante focada no mundo digital nesses novos tempos. Estamos buscando trazer para perto as pessoas que já consomem meu trabalho e em um processo de resgate dos meus fãs. Estamos fazendo mais ações que tenham relação com o mundo digital, como YouTube, Instagram, Facebook e Twitter e elaborar novas experiências através dos streamings” 

Impactos das novas tecnologias na carreira

“Hoje temos muitas possibilidades de estar mais perto do público. Nossa equipe está presente nas mídias tradicionais, como rádio, TV e jornal, que também são importantes para mim, contudo estamos focando mais no digital. É preciso entender que o público também consome música através de streamings, do YouTube e redes sociais. Todos esse são canais maravilhosos de comunicação, no qual somos capazes de interagir mais e de uma forma única. Através dos stories, IGTV e outras ferramentas, somos capazes de conversar com o público sobre diversos temas e trazemos eles mais para perto”.

Pontos positivos e negativos das novas tecnologias 

“Recebo bastante demanda por produções mais rápidas e instantâneas, como as redes sociais têm proporcionado atualmente. As pessoas migram para o streaming onde podem escolher o que assistir, no tempo e na forma que quiserem. A música também segue nessa linha, como os filmes e programas de TV. Toda cultura de arte está seguindo por esse caminho. A pessoa cria seu canal, sua playlist, e com isso, um novo mundo surge. Tem um lado muito bom que é o aumento da democracia nesses locais. Hoje em dia, nós somos capazes de atingir mais pessoas de forma orgânica. Ao mesmo tempo, existem problemas, como por exemplo, a rapidez. Tudo ocorre de forma tão veloz que existe o risco das pessoas e produções serem descartadas mais facilmente. Muitas pessoas não têm paciência de ouvir um disco inteiro, entendendo todo conceito por trás e, por isso, temos que estar sempre atentos a esses hábitos comportamentais. Temos que nos adaptar, não temos mais tanto tempo como tínhamos antes. Por isso pensamos nessa estratégia de lançar cada single por vez, exatamente com esse intuito de atingir o que as pessoas estão consumindo e no tempo que estão usando”.  

O que levar para o público? 

“Meu maior objetivo é a conexão. Minha grande razão é levar emoção, reflexão e sentimento para as pessoas. Não tem preço trabalhar com música. É algo mágico e que consegue mudar, transformar e tocar as pessoas. É um privilégio. Por isso busco produzir músicas que tragam minha verdade e que não sejam apenas modinha. Opto por produzir sons que estarão presentes daqui há 10 anos e que permaneçam sendo relevantes. Componho para mostrar o que estou vivendo, olhando para o que está dentro e jogando para fora e não ao contrário. A personalidade está presente em cada melodia para que possa ser coerente com minhas ideias e se perdurem por muito tempo”.  

Cenário da música no Brasil 

“Dá para viver de música no país, dependendo da sua ambição. Existem músicos que vão pagar as contas e viver de uma forma modesta e vão ter aqueles que irão conseguir enriquecer e fazer grandes números. Dá para viver de música se levarmos a sério, estando presente nas novidades e colocando todos os aprendizados em prática sempre.O caminho de se enriquecer com música é para poucos. São as exceções. É um número muito pequeno diante do número de músicos que temos aqui no Brasil. Admiro as pessoas que conseguem trazer verdade em suas produções. Aqueles que contribuem e não copiam. Não fazem uma coisa da moda, mas sim o que vem de dentro e pode perdurar por muito tempo”. 

Mercado da música no Brasil

“O mercado sempre vai ser o mercado. Existe a busca por resultados por meio das grandes gravadoras que estão na corrida dos números. As pessoas se impressionam com a repercussão e cabe ao produtor de conteúdo entender o caminho a ser seguido ou não. Escolher se sempre será escravo dessas estatísticas e lutar por esses números ou se vai buscar um trabalho de verdade, com coerência e público específico arriscando ter resultados ou não. Hoje, eu escolho o caminho da verdade, que é o que me faz feliz. Composições próprias ou não, mas que é coerente com o que quero passar para as pessoas, o que acho relevante. Muitas vezes pode não ser um grande número mas com certeza é uma grande verdade que me dá muito orgulho”. 

Wanessa fora dos palcos

“Eu sou uma pessoa enérgica, cheia de ideias na cabeça mas uma pessoa a cada dia mais focada, mais segura. Sempre com pé no chão e em busca de autoconhecimento para poder ser mais consciente aqui nessa terra. Ter uma vivência mais consciente, mais amorosa, conectada com as pessoas. Moleca em tudo, mas ao mesmo tempo sabendo quando tenho que ser mais séria e partir para a razão. Vivo em busca da felicidade como todos nós estamos aqui”. 

Sonhos

Meu maior sonho é conseguir cada vez estar mais conectada com o amor e consciência. É me desprender, me libertar, descobrir dentro de mim a paz que eu preciso e cada vez ter mais amor próprio e viver feliz segura, tendo capacidade de ter força quando eu precisar, capacidade de ajudar as pessoas, olhar para o outro. Meu sonho é estar aqui, viva cheia de vida”.

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