O Queremos! é uma plataforma global de eventos focada na interação direta com os fãs, que dá o poder aos fãs de pedir seus artistas favoritos em suas cidades e compartilhar esse pedido com os amigos, gerando mais demanda para o artista. E, por isso, know-how não faltava a eles para criar o line up do Queremos! Festival, que rolou neste sábado, na Marina da Glória, no Rio. Eles sabiam exatamente o que o público gostaria de ver em um evento como este e, talvez por isso, tudo tenha dado tão certo.
O dia começou cedo, com o primeiro show de Letrux, às 14:45. A neodiva do pop indie fez o que se espera dela: colocou todo mundo para cantar suas músicas bombadas do disco Noite de Climão, performou, jogou charme e, claro, fez suas piadas e colocações irônicas que todo mundo ama. Destaque para quando ela interrompeu a música Puro Disfarce para contar uma historinha com ares de contestação política. “Eu fui almoçar em um lugar aqui perto hoje, para comer umas das minhas comidas favoritas: frutos do mar. Lagostas, por exemplo, quando posso, apenas não posso muito. Mas era um restaurante maravilhoso, que você pagava uma taxa e tinha tudo livre: camarão livre, ostras livres, lula livre”, disse. Letrux, no palco, não erra nunca.
Depois, foi a vez de outra revelação do pop brasileiro subir ao palco. Com a camisa da seleção argentina, Rubel enfileirou suas canções amorosas e delicadas de seus dois discos, Pearl e Casas, e ainda teve espaço para um cover de Tocando em Frente, de Almir Sater. Foi uma linda apresentação.
Em seguida, o furacão baiano Xênia França. Natural de Camaçari, Xênia surgiu no palco linda em um conjunto amarelo que realçava ainda mais a força da sua figura, com destaque para o penteado escultural. Aliás, ela brincou com o cabelo ao dizer que depois da apresentação ia descer para assistir aos shows que ainda estavam por vir, em especial o do BaianaSystem. “Vou para o meio do povo e quero entrar na roda. Só tomem cuidado com o meu cabelo, se puxarem eu vou dar uma voadora”, brincou. Em pouco mais de uma hora, ela cantou músicas de seu álbum, Xênia, e ainda um lindo cover de Depois que o Ilê Passar. Xênia aos poucos vem conquistando seu público e, depois do que vimos, a gente pode dizer que ela tem tudo para ser gigante.
O rock indie dos meninos do Boogarins, banda que surgiu em Goiânia, em 2012, foi a quarta atração do Queremos! Festival. Corretos e bons músicos, eles viram a plateia cantar músicas como Lá Vem a Morte e Foi Mal. Assim que finalizaram seu set list, todos os olhos se voltaram para o outro palco, onde entrava a diva sueca Ionnalee.
Sem banda, apenas como um DJ, um púlpito, ventiladores que deixavam seus cabelos voando o tempo todo e um mega telão com lindas projeções, a artista sabe como criar uma experiência. Não era difícil ficar hipnotizado pelas batidas eletrônicas, sua voz marcante e as imagens produzidas pela sua apresentação. Animada com a reação da plateia, ela agradeceu muitas vezes a oportunidade de estar no Rio, disse que esperava muito por esse dia chegar e ainda se enrolou em uma bandeira brasileira. Uma ótima supresa da noite!
Father John Misty, alcunha do músico e compositor norte-americano Josh Tillman, foi a atração seguinte do Festival, seguido pelo duo Animal Collective. Depois de duas apresentações mais contemplativas, era hora de quebrar tudo.
O rapper paulistano Rincon Sapiência chegou com força total, fazendo todo mundo dançar, cantar e se divertir com suas músicas irresistíveis que misturam samba, percussão, funk, rock e, claro, hip hop. No set list, ouvimos – e dançamos – Linha de Soco, Ponta de Lança, Meu Bloco e muito mais. Rincon é presente, mas também é muito futuro.
Mal deu tempo de a gente tomar uma água e se recuperar, e o BaianaSystem já estava no palco colocando todo mundo para pular. Todo mundo mesmo, inclusive nomes famosos como Chay, Alice Wegmann, Rodrigo Simas, Agatha Moreira, Fabricio Boliveira, Marcelo Serrado e Caco Ciocler entre outros. Russo Passapusso provou, mais uma vez, por que a sua banda e o seu som são das coisas mais importantes do cenário musical brasileiro, com um show poderoso, político, empoderado e feminista. Onde mais uma roda de pogo só de mulheres se abriria no meio de um show? Foi lindo. Como sempre é.
Para encerrar a noite, o Cut Copy fez uma apresentação com o que se espera deles: rock eletrônico para dançar. Ah, e para os mais animados, ainda rolou uma edição da festa Selvagem.
Além de ótima música e bom som, destaque também para a cenografia criada para o evento, com o charmoso e instagramável redário, onde a turma se jogava para descansar entre um show e outro, o mirante com capacidade para 200 pessoas que permitia uma vista de todo o festival, da baía de Guanabara e do Cristo Redentor, e a área dos food trucks, com curadoria da Junta Local, que por lá ganhou o nome de Comemos! Para não dizer que tudo deu certo, é preciso, na próxima edição do festival repensar a localização do banheiro instalado ao lado do Palco Rosa. Além da fila, o cheiro no lugar mais nobre do festival, o palco, não era dos mais agradáveis. Com muito mais acertos do que erros, foi um dia para se lembrar por um bom tempo. Vida longa ao Queremos! Festival.
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