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Chazinhos, menos drogas e rock’n roll: mudanças de hábitos marcam nova fase do Black Sabbath

Quarteto veterano de roqueiros desembarcou no Rio de Janeiro esta semana para uma série de quatro shows pelo país

Publicado em 08/10/2013 | Por Heloisa Tolipan

De um lado, terno azul, unhas pintadas de preto, óculos escuros em formato redondo e cabelos compridos; do outro, um combo básico de jeans e camisa preta, e, juntos, a mesma simpatia e inspiração de 40 anos atrás. Os roqueiros do Black Sabbath, Ozzy Ousborne Geezer Butler desembarcaram no Brasil nesta segunda-feira (8) para quatro apresentações pelo país com a turnê ‘The Reunion Tour’, a começar por Porto Alegre, nesta quarta (9).  Apesar das características irreverentes frente aos flashes serem as mesmas, muita coisa mudou nos últimos anos para a banda. A jornada que antes era regada a bebidas, festas, drogas e muito rock’n’ roll, agora se ajusta a uma conduta leve e condizente com a idade dos roqueiros. “Hoje no máximo bebemos um chazinho e voltamos pro quarto”, brincou Geezer aos 64 anos. “A diferença é que hoje em dia não usamos mais tantas drogas”, completou Ozzy com a mesma idade do amigo. A agenda dos músicos segue com: Porto Alegre (09/10), São Paulo (11/10, Rio (13/10) e Belo Horizonte (15/10).

Pela primeira vez no Brasil com a formação (quase) original, a banda se apresentará dessa vez sem o lendário baterista Bill Ward, que não quis participar desta turnê e foi substituído por Tommy Clufetos desde agosto. “Lamentamos o Bill não estar com a gente, mas estamos felizes com a formação e não vejo como o sucesso não ser diferente”, afirmou o líder. O guitarrista Tony Iommi, que estava confirmado na coletiva de imprensa realizada no Hotel Fasano, em Ipanema, preferiu ficar no quarto para descansar, uma vez que ainda trata um linfoma sem certeza de cura. A turnê do novo álbum já passou pelo Chile e Argentina, com shows de 1h30 de duração, aproximadamente, e não houve o que reclamar quanto a recepção dos fãs. “É muito gratificante”, contou o vocalista.

Fotos: Vinícius Pereira

Sobre o setlist do novo show, o músico afirmou que clássicos como ‘War pigs’, ‘Paranoid’ e ‘Iron man’ são indispensáveis no repertório, mas revelou que cantarão três ou quatro músicas inéditas do álbum ’13’, como não fazem há 35 anos. O novo disco, produzido por Rick Rubin, já conquistou o primeiro lugar nas paradas em mais de 51 países – posto justo para a união entre uma das maiores bandas do rock do mundo e o produtor que já trabalhou com os roqueiros do Metallica, Red Hot Chilli Peppers, AC/DC e Beastie Boys.

E não teve jeito: um dos assuntos mais comentados durante a coletiva de imprensa foi a confusão feita com as bandeiras do Brasil e da Argentina no show do último domingo, em La Plata, quando o vocalista exibiu uma bandeira nossa para a plateia cheia de hermanos.  “Alguém jogou uma bandeira do Peru. Eu não me lembro de ter visto a bandeira do Brasil”, tentou disfarçar o baixista, que, em seguida, foi lembrado que Ozzy chegou a colocar a bandeira nas costas. “Nossa música não tem barreiras”, disse o cantor, para fugir da situação.

Ao encontrar grandes mestres do estilo musical que é preferência nacional é muito comum que surjam indagações sobre o suposto ‘fim do rock’. “Estão falando do fim do rock há muitos anos, o público se renova e não é a toa que estamos aqui”, ponderou o vocalista entusiasta. Sem qualquer indício de um retorno rápido ao Brasil, planos de novas turnês e gravações de álbuns originais, Ozzy preferiu não fazer previsões. “Não posso fazer nenhuma promessa ainda, estamos dependendo da saúde do Tony para pensar em novos trabalhos”. Estamos na torcida, Ozzy!

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