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Baile Black Bom: “Temos que pensar em estratégias para que os movimentos de rua não acabem”, diz Sami Brasil

A diretora do Instituto Black Bom conversou com o site HT e falou sobre esse retorno, depois de três anos, às ruas da Região Portuária do Rio em parceria com o FAU - Festival de Ativação Urbana

Publicado em 05/06/2019 | Por Heloisa Tolipan

O Baile Black Bom no FAU, no Passeio Ernesto Nazaré, na Zona Portuária do Rio (Foto: Warley Venâncio)

*Por Rafael Moura

O consagrado Baile Black Bom, que ficou conhecido por arrastar multidões na Pedra do Sal em meados de 2013, retorna após três anos para a região portuária da Rio de Janeiro, agora no Passeio Ernesto Nazaré: lindo jardim a céu aberto em meio aos armazéns do Porto! O clássico evento de rua com toda a estrutura e segurança de um grande festival é resultado de uma parceria com o FAU – Festival de Ativação Urbana. “Com todas as dificuldades que os eventos de rua e de ocupação dos espaços urbanos vêm sofrendo, tanto de segurança quanto de legalização, nós nos vemos na obrigação de pensar em estratégias para que esses movimentos possam continuar acontecendo de forma sustentável e que cresçam para todos os envolvidos, produtores, empreendedores, a galera da economia criativa e para os produtores culturais”, explica a Diretora do Instituto Black Bom e produtora cultural, Sami Brasil.

A diretora do Instituto Black Bom, rapper e produtora cultural Sami Brasil (foto: Warley Venâncio)

O FAU é realizado há um ano, na região portuária e essa união com o Baile Black Bom é super positiva, pois Sami comenta que “é um local que sempre teve importância sentimental, por ser Pequena África e onde o BBB começou. O público já nos conhecia pela atuação na região, por isso, houve o convite para o IBB levar nosso trabalho de economia criativa e cultura popular para dentro do festival. O projeto ‘A rua é nossa’ com os empreendedores da rede do instituto e os nosso artistas parceiros”, ressalta. A parceria acontece desde janeiro de 2019 e mensalmente o festival é realizado nos jardins do Passeio Ernesto Nazaré.

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Uma viagem no tempo da Black Music que traz os maiores clássicos do gênero: do Soul ao Hip Hop, executados ao vivo pela Banda Consciência Tranquila e nos toca-discos do DJ Flash. Muito além de uma festa, o Black Bom se tornou um grande movimento de música, afirmação cultural e empreendedorismo, levando o seu nome para além das fronteiras do Rio de Janeiro (no próximo final de semana essa turma se apresenta em Juiz de Fora).

“Para o baile é uma delícia, mais do que especial, por estarmos na Pequena África. Estamos há três anos sem tocar na Pedra do Sal, nosso último show foi em 2016, no Circuito Black Bom e estarmos ali é super emocionante. Manter essa atuação na região com essa residência mensal, alimentando o público negro e periférico culturalmente com acesso a uma estrutura de grande festival, que muitas vezes não tem acesso”, enfatiza a produtora. A história do lugar se confunde com a história do movimento capitaneado por Sami Brasil, como uma verdadeiro encontro de tribos, amantes da black music e de diferentes gerações.

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A facilidade de acesso, perto da rodoviária e do VLT, auxilia no acesso das pessoas, além de criar uma linda experiência, pela locação. “A cena e o público só tem a ganhar. E a ocupação, iniciada pelo FAU é uma evolução do movimento que começou na rua, sem muitos recursos. “Continuamos com todos os benefícios dos eventos de rua, a ceu aberto, mas com toda a estrutura de ‘gente grande’ – segurança, chapelaria, banheiros, bares, praça de alimentação, mobiliário urbano. Sempre prezando pelo conforto. Afinal, o público merece! Todos os envolvidos só tem a ganhar. Para o IBB e os empreendedores é super positivo, porque estamos fazendo a economia criativa girar e o conceito de blackmoney entrar em prática”, pontua Sami Brasil.

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No fim do nosso papo, a diretora do Instituto Black Bom, uma espaço de valorização da cultura brasileira, conta que mesmo com a perda de sua sede fixa, em janeiro de 2019, “o IBB se mantêm resistente. Estamos conseguindo manter ações pontuais e contínuas. Se mantem atuante com os nossos projetos – Encontro de brechós, A feira a rua é nossa e o Treinamento e a capacitação dos empreendedores”.

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