Com novo endereço, o Back2Black saiu da Leopoldina e aterrissou na Cidade das Artes, na Barra da Tijuca, para a quinta edição de um dos maiores festivais de música negra. No primeiro dia do evento, realizado nesta sexta-feira (15), nove atrações musicais passaram pelos três palcos montados no primeiro e segundo andares da Cidade da Música. E, abrindo a ala de shows principais, Milton Nascimento parecia confortável na excelente sala acústica, no piso superior, ao entoar sucessos como ‘Cais‘, ‘Clube da esquina n° 2‘, ‘Bola de meia, bola de gude‘, entre outros.
Enquanto isso, no palco Rio, o nigeriano Keziah Jones esquentava o público, que chegava aos poucos, com uma performance energética e o som que mescla elementos do blues cru com funk. Logo em seguida, a brasiliense Renata Jambeiro comandou o palco Estrombo com um ritmo que flerta entre o jongo e o samba, enquanto o público aguardava ansiosamente a entrada de Criolo. Por volta de 22h50, o cantor subiu ao palco, um pouco atrasado, mas com animação de sobra, convidando a platéia a cantar os hits ‘Não existe amor em SP‘, ‘Bogotá‘, ‘Freguês da meia noite‘, entre outros do álbum ‘Nó na orelha‘. Em algumas músicas, o cantor contou com a participação do rapper brasileiro Tony Allen, que, como baterista, integrou a banda de Fela Kuti – criador do afrobeat e pai da última atração da noite, Femi.
Em um breve bate-papo com a gente, Criolo, nos contou, entusiasmado, o prazer de participar do evento e disse que também marcou presença na versão londrina: “É uma honra enorme estar aqui. Essa é a grande celebração da nossa cultura. A música em sua essência nos faz esquecer tudo de ruim que o nosso povo passou. Mas, não podemos deixar de cantar a nossa realidade”.
Seguindo as raízes familiares, Femi Kuti trouxe dançarinas-backing vocals e a banda The Positive Force, exibindo uma energia contagiante, de deixar muito cantor pop com inveja. Multi-instrumentalista, ele se revezou-se entre vocal, teclado, sax e clarinetas, conduzindo, ainda, um show dançante do início ao fim. Provando o que há de melhor na música negra contemporânea, Femi encerrou o primeiro dia do festival em grande estilo.
Fotos: Vinícius Pereira
Comidas típicas, estampas étnicas e black powers não faltaram no famoso ‘elefantinho branco’, repleto de pessoas alegres e iluminadas por luzes coloridas como a bandeira da África, enquanto celebravam em grande festa. Entre o público de todas as raças e estilos, quisemos saber quem é o ‘pretinho básico’ da vez, aquele essencial na música negra. Passando por artistas nacionais e gringos, o cantor carioca-boa-pinta Qinho, destacou o americano Frank Ocean: “Ele eleva a música negra a patamares altíssimos. Faz um soul diferenciado, com referências de várias décadas. Não é muito popular no Brasil, mas poderia estar aqui hoje”.
Já as atrizes Thaila Ayala e Fiorella Mattheis, que foram até o camarim tietar o paulistano do Grajaú, apostaram nas revelações do rap paulista: “Sou super fã do Criolo. Hoje finalmente consegui conhecê-lo, depois de tantos shows. Assisti um show dele até em Nova York, acredita? Ele, sem dúvidas, engrandece a música negra atual”, disse. Já a esposa do ex-judoca Flávio Canto, escolheu o rapper Emicida: “O conheci quando ele foi ao programa do meu marido. Começamos a escutar suas músicas e fiquei encantada com as críticas sociais tão bem traduzidas que ele traz”, relatou a loura. Enquanto isso, o dono do hit ‘Não existe amor em SP’, preferiu manter em segredo suas preferências: “Todo mundo que faz música têm seu valor. Não gosto de classificar”, afirmou.
Lourinha dos olhos claros, a cineasta Andrea Prada elegeu o cantor pop Bruno Mars como o ‘deuso’ ébano da vez: “Ele tem um estilo bem parecido com os Jackson Five, além de lançar um hit atrás do outro. Não sei se ele é considerado um ícone, mas é um sucesso promissor”. Enquanto isso, a amiga e atriz Vanessa Pascale apela para o popular Anderson Leonardo, do grupo Molejo: “Ele tem a boa musicalidade que o negro carrega na alma. Além de um humor incrível que transparece em suas letras”. Assim está bom demais!
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