Música & Badalo

Babu Santana se apresenta com sua banda em show que homenageia o Dia do Trabalhador

Ator e cantor que ficou famoso após viver Tim Maia no cinema se prepara para lançar CD e programa para a web

Publicado em 30/04/2019 | Por Heloisa Tolipan

Babu Santana e a banda Os Cabeças de Água Viva se apresentam no Sesc Ramos no Dia do Trabalhador

Babu Santana e a banda Os Cabeças de Água Viva se apresentam no Sesc Ramos no Dia do Trabalhador

*Por Jeff Lessa

O normal, correto mesmo seria começar este artigo pelo… começo. Ou seja, dando conta do que está acontecendo agora na vida de Babu Santana, ator e cantor carioca de 39 anos, nascido e criado no Vidigal, que despontou para o estrelato depois de interpretar Tim Maia no filme homônimo dirigido por Mauro Lima em 2014. Então, faremos isso: Babu Santana está voltando a cantar depois de uma temporada em que se dedicou apenas à dramaturgia. No dia 1º de maio, ele e a banda Os Cabeças de Água Viva se apresentam no Sesc Ramos, em homenagem ao Dia do Trabalhador, com preços populares.

– Vamos mostrar música de preto. Samba, reggae, soul, funk. Fazemos um medley em que entra Bezerra da Silva, passeamos pela história do funk, com composições de James Brown. Traçamos um panorama bem abrangente da música de preto – conta Babu, que se sente em casa cantando ao vivo. – Tenho a formação de ator do grupo Nós do Morro, que inclui, também, educação vocal. Gosto de cantar junto do povo, ao vivo, de improviso. Sou novo em estúdio, prefiro fazer ao vivo mesmo.

O show é um marco na volta de Babu à música. Ainda este ano, o trabalho da banda vai virar disco e programa para web, ambos já em fase pré-produção. Ele se prepara para gravar um CD. Ou algo assim:

– Bom, eu estou me preparando para lançar um CD. Sou antigo. O pessoal está me convencendo a apresentar singles… se eles acham melhor assim, mostrar uma música de cada vez, tudo bem. Só sei que quero estar no palco. O show é leve, para quem gosta de black music. É para toda a família, especialmente para a faixa que está entre 25 e 50 anos. Há um tempo vi dois adolescentes curtindo a nossa música e fiquei feliz com isso.

Ao longo do nosso papo, Babu conta uma história tão legal, que fica difícil deixar para o fim da reportagem. Seguinte: lá pelas tantas, pergunto a Alexandre da Silva Santana o motivo do apelido Babu. Ele ri e diz que foi por causa de bullying. Oi?

– Bullying?

– É, isso mesmo.

Quando jovem, Babu estudou no Colégio da Divina Providência, escola particular católica localizada no bairro do Jardim Botânico. Negro e morador do Vidigal, virou alvo fácil dos colegas. Costumava ser chamado de “Babuíno” quando entrava numa briga, o que era comum graças às provocações dos outros alunos. Mas não levava desaforo racista para casa. Até que, certo dia, um amigo próximo soltou a piadinha infame.

– Eu não ia brigar com o meu amigo. Só queria entender e a gente conversou. Ele se arrependeu e disse que ia me chamar de Babu dali para a frente. Gostei! Porque meu pai também era conhecido como Babu. Só que, no caso dele, era por causa de um personagem do seriado “Jeannie é um Gênio”, um gênio grandalhão e desajeitado – conta, rindo, Babu.

(Na verdade, o gênio grandão e medroso aparece apenas no spin off homônimo da série dos anos 1960 em forma de desenho animado. Estreou em 1973 e teve apenas 16 episódios produzidos.)

Não foi o primeiro limão que Babu transformou em limonada. Sua própria formação como ator tem origem numa história amarga, acontecida com sua mãe.

– Minha mãe recitava poemas na igreja, mas sofreu muito, muito preconceito. Foi uma coisa forte e ela acabou abandonando a atividade – conta. – Jurei que ia realizar o sonho dela.

Em 1992, quando Babu tinha 12 anos, a oportunidade surgiu no próprio colégio, ainda o Divina Providência.

– Minhas professoras de português e geografia me chamaram para eu participar do Festival Mostre o Seu Talento. Tinha um texto pronto e eu queria, por conta da história da minha mãe. Eu era atleta, lutava Tae Kwon Do e jogava basquete, não pegava bem ser ator (risos). Ganhei uma bolsa para uma escola rica de teatro, mas não me dei bem lá – explica. – Em 96, passamos por uma crise e fui estudar na escola pública Infante Dom Henrique, em Copacabana. Tinha aula de teatro, animadores culturais. Formamos um grupo e começamos a ganhar festivais de teatro estudantil.

Daí vieram o Nós do Morro (entre 1997 e 2012); a participação em “Orfeu”, de Cacá Diegues; “Cidade de Deus”, de Fernando Meirelles; os convites para a TV…

A rica trajetória de Babu nos leva à pergunta óbvia: como o artista avalia o cenário cultural no Brasil de 2019? Seu olhar não é exatamente esperançoso:

– Será que não podemos ter um pensamento crítico? É correto oprimir pessoas? É correto filmar professores? Um líder não pode ser arrogante, ponto. Tem de agregar. Hoje parece que somos governados via Twitter, parece um bando de adolescentes trocando mensagens. Bons tempos em que as redes sociais serviam para marcar churrascos e comentar as férias – encerra Babu.

No show, que terá entrada a preços populares, babu e a banda apresentam um repertório de black music

No show, que terá entrada a preços populares, babu e a banda apresentam um repertório de black music

SERVIÇO:

“SoulBabu e Os Cabeças de Água Viva”

Sesc Ramos: Rua Teixeira Franco 38, Ramos. 2290-4003

Quarta-feira, às 16h. R$ 10  e R$ 5 (meia). Entrada franca para associados Sesc e PCG (Programa de Comprometimento e Gratuidade).

850 lugares

Livre

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