Música & Badalo

“As mudanças no mundo da música estão sendo proveitosas para refrescar antigas fórmulas” dispara Dada Yute

Cantor faz parte do selo Inbraza, da Som Livre, e lança “Lavanda”, que mistura Reggae, pop e trap. “Não quero semear pedras, nem barreiras, como aqueles que não amam. Minha música é para aqueles que amam, sofrem e perdoam por amor”, afirma

Publicado em 05/11/2019 | Por Heloisa Tolipan

*Por Domênica Soares

No cenário da música todos os holofotes para o paulistano Dada Yute. Promete deixar sua marca para o público. Nova aposta da Som Livre, ele é o primeiro cantor a fazer um lançamento pelo selo Inbraza, que tem parceria com a Liga Entretenimento (casa de artistas, compositores, produtores e influenciadores, como Preta Gil, Ivan Lins, Paulinho Moska, Mariana Aydar, Carrossel de Emoções, Laura Fernandez, entre outros). O novo single “Lavanda” carrega toda personalidade e essência do artista, com videoclipe gravado nas belezas naturais do Guarujá, em São Paulo. Dada promete apresentar canções com tons místicos e mensagens positivas, trazendo grande destaque para a liberdade e a natureza. Além disso, resgata a cultura da Jamaica e do reggae, que são somadas a ritmos contemporâneos, como o pop e o trap, trazendo novas características ao repertório do cantor. “A escolha dessa música veio da sincronicidade das coisas uma vez que as estrelas se alinham por ti, assim eu acredito. Ela tem uma onda muito de reggae moderno e achamos que seria uma ótima opção dentre as outra na manga. O significado de ‘Lavanda’ é de abrir caminhos na proteção divina perfumando o mundo com esse delicioso aroma do amor e dos encontros em meio a tantos desencontros”, conta.

Em entrevista exclusiva ao site Heloisa Tolipan, o músico descreve que esse mix de ritmos foi essencial para repaginar seu reggae característico, aproximando-o de algo mais urbano e novo. Além disso, conta que o trap casou perfeitamente e como consequência lançou um novo gênero no mercado, o “ReggaeTrap”, como ele batizou. Sempre antenado às mudanças no cenário musical, ele diz que a ideia do clipe surgiu a partir de inspirações da letra, como elementos naturais, praias, cachoeiras e matas. “Tudo isso atrelado com nossas divindades africanas, muito bem representadas pelas minhas companheiras de selo AnaK, Kynnie e Aya. Junto a uma pitada de psicodelia, os diretores capricharam”, comenta.

O artista mistura o reggae, pop e trap em nova jornada musical ( Foto: Mônica Quinta)

Dada, nascido em dezembro de 1986 com o nome de Cauê Granello, relata que sua conexão com a música começou desde criança e ao longo de sua caminhada foi despertando mais interesse pela carreira. Conta que no início quis ser baterista, depois seguiu para o baixo, passando pela percussão da banda “Red Meditation”, mas frisa que o vocal foi a opção perfeita. “Eu tinha uma mensagem para passar para o mundo e precisava ser ao microfone e, na banda ‘Leões de Israel’, eu comecei adolescente ainda como backing vocal”. Dada já se apresentou em inúmeras cidades pelo Brasil e em países como Jamaica, Espanha, Portugal, França, Chile e México e suas inspirações para compor se baseiam nas emoções. “Tudo que me emociona me inspira e como tenho esse sentimento com frequência, meu caldeirão de inspiração fica sempre cheio. Situações, acontecimentos, viagens, comida, ficção e o lúdico. Tudo isso me ajuda a compor”, frisa o cantor, que explica que, ultimamente, também vem sendo impactado por poesias de Vinícius de Moraes e pela beleza do Rio de Janeiro. Dada já fez parte de composições em parcerias com grandes nomes da música, como por exemplo, Rashid, na faixa “Todo Dia” (2019), Heavy Baile em “Se Ela Vim” (2018) e Tropkillaz, no single “Naturalmente“, também em 2018. Além disso, participou também do álbum “Jah-Van’ (2018), de releituras de algumas músicas de Djavan em ritmo de reggae, ao lado de cantores como Ivete Sangalo, Arnaldo Antunes, Criolo, Seu Jorge e Rincon Sapiência. No ano de 2019, convidou Zélia Duncan e a percussionista Lan Lanh para um show em homenagem à Cássia Eller, onde apresentaram a releitura de alguns dos sucessos da cantora com instrumentos e musicalidade oriundos da Jamaica.

Animado, comenta que os momentos mais importantes de sua trajetória como cantor foram até então, seu primeiro show fora do Brasil, que aconteceu no Jamaica Festival “Rebel Salute”, com menos de 20 anos. Além disso, cita o festival de reggae “Rototom Sunsplash”, o maior da Espanha, e também quando cantou com a orquestra Jazz Sinfônica Brasil. Contudo, não deixa de frisar que dentre esses houve também um momento em sua carreira inesquecível, e cita a época e momentos tensos que passou quando vendia comida vegetariana e pastel jamaicano, o famoso Yate, no centro de São Paulo, para se manter. Dada dá uma dica para quem está começando agora no mundo da música de forma independente: “Cuidado com as distrações (são muitas), muito foco no objetivo e nunca deixar de lutar pelos sonhos e buscar sempre evoluir”, afirma.

Dada Yute é o primeiro lançamento do selo Inbraza (Foto: Mônica Quinta)

Quando perguntado sobre o que busca passar para o público com suas composições, ele diz que foca em levar consciência, mensagens positivas, alegria, amor e paz para quem escuta seu som. “Não quero semear pedras, nem barreiras, como aqueles que não amam. Minha música é para aqueles que amam, sofrem e perdoam por amor”. Dada explica um pouco sobre sua opinião em relação ao atual mercado da música e não hesita em dizer que gosta de muita novidade que está rolando e refrescando as antigas fórmulas, destacando que ver a música underground ganhar cada vez mais espaço é incrível.

“Vim para ficar” foi a frase escolhida por Dada para se definir nesse momento da carreira. Fora dos palcos, ele diz que é uma pessoa como qualquer outra, faz faxina em casa, adora cozinhar, estar com seus filhos e amigos, ama sair, mas também curte treinar, correr, fazer exercícios e andar de skate. Seu maior sonho é viver bem com seu trabalho, abrir um restaurante de comida e presentear sua mãe. O cantor faz parte do cenário artístico há 15 anos e sua música é carregada de tons místicos e mensagens conscientes, prezando a liberdade individual, resgatando a cultura da Jamaica e exaltação da natureza.

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