Música & Badalo

Armandinho, o reggae, a maconha e as mudanças do mercado: “Se você não estivesse numa grande gravadora, seu trabalho era muito restrito”

Nessa entrevista, antes de cantar no Festival de Verão da Pedreira, no Espírito Santo, o cantor negou o ostracismo musical e entregou: vem disco novo por aí

Publicado em 19/12/2015 | Por Lucas Rezende

armandinho (1)

Protagonista de uma carreira que já vendeu mais de 100 mil álbuns, ganhou até disco de ouro e esteve no mainstream com hits como “Ursinho de dormir” e “Desenho de Deus”, Armandinho sabe que o mercado não é o mesmo desde 2002, quando despontou. “Mudou radicalmente. Antes, se você não estivesse numa grande gravadora, seu trabalho era muito restrito. Hoje, isso não é mais a regra”, analisou ao site HT. Mesmo não entregando um disco desde 2009, ele rebateu quando questionado sobre o silêncio interrompido há pouco: “Consegui desenvolver melhor meu trabalho independente e mais fiel ao que eu sou e sinto. Meu público hoje é muito mais fiel também. Para mim, as coisas mudaram para melhor”, respondeu, tentando justificar com uma música (“Sol Loiro”) lançada em 2012. Mas Armandinho bate o pé: seus shows são lotados e “a galera sabe cantar todas as músicas”.

Discurso de quem fugiu de questionamento que buscava elucidar seu passado de depressão (e que veio à tona na grande imprensa em desabafo feito pelo próprio em 2014) e não vê “mais o reggae diretamente ligado à maconha”. O motivo? “O reggae de raiz tem toda a cultura rastafári, que é originária da Jamaica.  Mas viajando até os outros países acaba se misturando com a cultura local. Por isso”. Sobre o vício em álcool, Armandinho é igualmente sucinto: “Essa é uma questão muito pessoal e que já está superada”. Coisas de quem garantiu: “Nunca procurei a fama”. E emendou: “Se sou conhecido é porque as pessoas gostam e querem ouvir minhas canções, me abordam de forma extremamente carinhosa e me sinto bem com isso”.

Com a música “Outra vida” na trilha da novela “Além do tempo” (“Isso me deixa realizado”), o gaúcho de Porto Alegre (RS), hoje com 45 anos, se prepara para uma noite especial: participar, ao lado da Cone Crew Diretoria e de Felipe Ret, do lançamento do DVD “Natiruts Reggae Brasil” no Espírito Santo, no dia 8 de janeiro, dentro da programação do Festival de Verão da Pedreira, em Guarapari.  Como será retorno àquelas bandas, é incerto dizer, já que seus shows não têm um roteiro definido. Ousadia de que possui “uma banda afiada e pronta para isso”. “Muito é do clima do momento. Não curtiria fazer o mesmo show toda noite”, explicou.

Se os shows não seguem uma linha tênue, o mesmo não podemos dizer de sua personalidade. “Essencialmente continuo o mesmo. Minha vida continua girando em torno do meu trabalho, dos shows e das gravações”, garantiu. Armandinho agora tem seu próprio estúdio, continua achando que as músicas não são dele, já que as criou para serem “livres”, e talvez, repito, talvez, saiba a fórmula do sucesso para canções como “Analua”, “Rosa Norte” e “Outra noite que se vai” continuarem eternas:  “Minhas músicas sempre refletem momentos da minha vida, desde os mais felizes até os mais tristes. De um sentimento verdadeiro sempre pode nascer uma boa canção”. Uma boa inspiração, aí sim uma razão, é o mar. Não à toa, sua música de trabalho se chama “Eu sou do mar”.

“Minha relação com o mar começou quando era bem pequeno. Depois, quando comecei a surfar, isso se tornou ainda mais forte. Vivo à beira do mar e meu estilo de vida hoje é voltado para a minha relação com a natureza”, contou. Os planos para 2016, são de, como realmente, disse, de muito trabalho: “Preparei meu disco novo que sai agora, no começo de 2016, e vou divulgar o novo trabalho logo”. A prancha de surfe, pelo visto, vai ficar no canto da sala por um tempo. Armandinho tem uma leva de gente que, desde os idos da virada do milênio, embarca em seu reggae praieiro, para continuar conquistando. Até porque nem só de areia e sal vive o homem.

Serviço

Lançamento do DVD Reggae Brasil no Espírito Santo com Natiruts, Armandinho, Felipe Ret e Alma Djem

Ingressos: Pista 1º Lote R$ 50,00 (meia), Camarote 1º Lote R$ 80,00 e Área VIP Open Bar 1º Lote R$ 150,00 (unissex/meia)

Quando: 08 de janeiro

Pontos de venda: Jaklayne Jóias, Brava Eventos, Rede de Postos Marcela, Bicho Guloso, Bar dos Meninos (Vila Velha), Tanea Modas (Cachoeiro de Itapemirim, Castelo, Venda Nova do Imigrante), Manga Rosa (Proeng Hall) e site da Blueticket (www.blueticket.com.br)

Horário: 22h

Local: Pedreira Adventure Park. Av. Padre José de Anchieta, S/N – Guarapari – ES

Informações: (27) 3376- 3866 / 3361-3177

Classificação: 16 anos / Open Bar: 18 anos.

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