Música & Badalo

Após 30 anos, o fim de um hiato: Baby do Brasil e Pepeu Gomes fazem encontro histórico no RIR: “Talvez demore 100 anos para acontecer algo parecido”

Pepeu foi às lágrimas, Baby surgiu com uma barriga postiça - aludindo ao último show no festival - e Pedro Baby, filho de ambos, incensou uma homenagem aos Novos Baianos

Publicado em 20/09/2015 | Por Lucas Rezende

Quando, há trinta anos, Baby do Brasil e Pepeu Gomes dividiram o Palco Mundo do Rock in Rio, ela chocou a ala conservadora do país que ainda digeria a reabertura política, com a barriga de fora, grávida de Kriptus, caçula do casal, e toda purpurinada. De lá para cá muito coisa mudou. A democracia pairou no país de vez, as alianças do casal deixaram os dedos, Kriputs criou barba, e eles nunca mais subiram ao palco juntos. O que representa apenas um abismo entre corpos, bom citar, já que Pepeu esteve, em forma de música e homenageado, em todos os shows que Baby fez pelo menos nos últimos três anos. Ela, aliás, sempre declarou ao final das apresentações: “avisem ao Pepeu que ele está sendo lembrado aqui”. Quem resolveu – para nossa sorte – dar o recado ao guitarrista (e que guitarrista!) foi Pedro Baby, filho deles, que fez mais: produziu e dirigiu o reencontro que uma multidão assistiu na tarde deste domingo (20) na Cidade do Rock, no Palco Sunset. Uma ode à música brasileira, um reencontro familiar que a gente vivenciou como se fosse nisso. Emocionante e histórico.

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Nas palavras da própria Baby, “um momento único na música brasileira”. E mais: “Talvez demore mais 100 anos para acontecer alguma coisa parecida”. A gente não duvida. Talvez por isso, bem antes de chegar à Cidade do Rock, Pepeu nos disse com exclusividade: “Vamos mostrar para as novas gerações toda aquela formação com pouco mais de 300 músicas que a gente construiu. Vai ser uma vibe muito grande, um show bárbaro para mostrar para essa galera mais nova, de uns 27 anos”. Ok, tinha uma turma mais vintage, mas a molecada que estava preparada para ver o Magic! – que cantaria posteriormente – caiu no balanço do “Todo dia era dia de índio” e no swing de “Eu também quero beijar” e “Tinindo trincando”. Entre alusões à Jesus, e alguns “louvado seja”, a emoção também falou mais alto. No backstage, Baby orou com a banda: “Que Deus nos proteja. Nós estamos vivendo o fruto de um perdão”. E quando apresentou Pepeu à multidão, ainda antes da terceira música, levou o ex-marido às lágrimas.

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Se no último encontro antes desse hiato ser quebrado, Baby e Pepeu, preocupados com o tempo que teriam para se apresentar, assinaram um contrato sem conhecimento de Roberto Medina, dono da banca, para garantirem 40 minutos cada; o retorno foi bem diferente. Como dois bons amigos e cientes de seus papéis na fonografia brasileira e em nossos ouvidos desde os temos áureos na Bahia de Todos os Santos, jogaram, cada um a seu momento, a bola para o outro cortar. “Esse arranjo, Pepeu, que você fez, é um dos melhores do mundo”, elogiou Baby após um emocionado “Menino do Rio” que, aliás, ganhou “Jesus forever tatuado no braço” no lugar do original “dragão”. O motivo? “Onde eu coloco meus pés é para glorificar Jesus Christ”, gritou a também “popstora”. A guitarra de Pepeu, estrela à parte, ganhou a companhia da do filho Pedro Baby, o quarto do casal, num arranhado quase que uníssono.

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Histórico, o encontro terminou com dois medalhões da história de ambos: “A menina dança”, num momento especial em alusão aos Novos Baianos – grupo que Baby e Pepeu ajudaram a criar ao lado de Paulinho Boca de Cantor, Moraes Moreira, Luiz Galvão, Dadi, Jorginho Gomes, Charles Negrita, Baxinho, Bola Morais e Odair Cabeça de Poeta -; e “Masculino e feminino”, composição de Baby com melodia de Pepeu, mais contemporânea possível. Os versos “ser um homem feminino não fere o meu lado masculino, se Deus é menina e menino (…)”, como Pepeu já bem nos disse, vem sedimentar a lacuna de que temos que ter compreensíveis “com a escolha do próximo de querer se relacionar com alguém do mesmo sexo”. Um show que falou de Jesus, que lembrou a boa música, que vai entrar para a seara de grandes momentos, que, alô Medinas, merecia Palco Mundo.

Ainda mais depois de um grand finale com Baby usando uma barriga postiça, aludindo ao momento em que abrimos essa crítica, só que desta vez com os dizeres “Jesus forever”. Só nos resta dizer, Baby e Pepeu que assim como vocês, também estamos em êxtase e, sim, tomamos as canções como um flerte. Estamos (mais) apaixonados.

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Baby com uma barriga postiça encerrando a apresentação no Palco Sunset (Foto: Reprodução do Twitter)

A seguir o setlist completo do encontro de Baby do Brasil e Pepeu Gomes:

(Foto: Reprodução)

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