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Aloísio de Abreu volta a cantar Sinatra e sonha viver Agostinho dos Santos

Ator e cantor fala sobre a carreira, cultura, política e a paixão pelo saudoso astro norte-americano, cujo legado se perpetua mesmo após três décadas de sua morte

Publicado em 01/02/2019 | Por Iron Ferreira

Aloísio de Abreu  volta aos palcos neste sábado, dia 02, às 20h, no Blue Note Rio, com uma versão mais encorpada do espetáculo AloisioFrankSinatradeAbreu. O show, dirigido por Ricardo Kosovski e produzido pelo próprio Aloísio, funciona como um decálogo e propõe uma reflexão acerca do amor e de sua pluralidade. O ator expressa felicidade em dar continuidade ao projeto e fala sobre as vantagens de estar novamente em cena: “É um prazer imenso voltar. Sinal de que as pessoas gostaram. É muito gratificante para o ator manter esse contato com a plateia. Não existe outra interação que não seja comigo. O show é pensado para estimular essa experiência”.

Aloísio de Abreu homenageando Frank Sinatra no Rio. (Foto: Ricardo Brajterman)

Além dos sucessos já apresentados na edição anterior, destaca-se a inclusão de Change Partners, parceria de Sinatra com Tom Jobim, presente no álbum Francis Albert Sinatra & Antonio Carlos Jobim, lançado em 1967. “As músicas possuem um papel muito importante no espetáculo, pois é através delas que estabeleço a maior interlocução. Escolhi canções com as quais me identifico e me permitem dialogar sobre amar e viver”.

As habilidades artísticas em comum e o curioso fato de que os dois ícones da música internacional nasceram no mesmo dia, 12 de dezembro, não torna o trabalho de representação mais fácil. Aloísio de Abreu assinala os desafios de interpretar um personagem tão famoso e emblemático: “Antes de entrar no palco, peço para que ele venha me acompanhar e inspirar. Esse espetáculo não é um cover, é uma homenagem ao grande artista que ele foi, em que utilizo as suas canções para falar de afetos, paixões, amores. Eu diria que sou uma versão tropical dele”.

Diante do atual cenário político, que reúne casos recentes de censura envolvendo o Governo do Estado e a Prefeitura do Rio de Janeiro, o artista destaca toda a sua criticidade. “A cultura é um dos principais pilares da sociedade, deve sempre ser protegida e jamais reprimida. O grande desafio dos movimentos artísticos, atualmente, é sobreviver e resistir às tentativas de repressão”.

Outro ponto importante abordado pelo ator é o papel das artes na contemporaneidade e o seu potencial para impulsionar transformações. “Diante de tragédias como a de Brumadinho, o fazer artístico cumpre o papel de denunciar, promover reflexão e questionamento. Temos capacidade para reagir aos acontecimentos e propor mudanças sociais. É importante que tomemos posição tome. A arte, o artista, não deve se omitir jamais”, frisa o ator.

“É importante que a arte sempre tome uma posição. Ela não deve se omitir jamais” (Foto: Ricardo Brajterman)

Aloísio de Abreu ainda está em cartaz no Teatro Vanucci ao lado de Françoise Forton no espetáculo Minha vida daria um bolero, texto do jornalista e dramaturgo Artur Xexéo. E já tem planos para o futuro: “Quero encarnar o cantor Agostinho dos Santos. Trabalhar em uma releitura de sua obra é um sonho”.

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