Música & Badalo

Al Jarreau, Taryn Szpilman e Dopsie Jr: na geleia do jazz, cerejas para todos os bolos fecham o Rio das Ostras Jazz & Blues Festival

Após duas semanas, o festival se consagra em novo formato nesta 12ª edição e movimenta a Região dos Lagos fluminense em época de recessão. HBC Super Trio e Glaucus Linx & Ancestrais Futuros também contagiam!

Publicado em 19/08/2014 | Por Alexandre Schnabl

* Por Bruno Muratori

Foram dois finais de semana numa ousada e acertada mudança de formato. Agora, a organização já pode respirar aliviada, ufa! Nos esbarrões no backstage com Stenio Mattos, mentor do projeto, dá para notar que o cara é só sorriso: “Tá bonito, tá bonito…” A produção só pode mesmo comemorar o sucesso da 12ª edição do Rio das Ostras Jazz & Blues Festival, é mesmo eletrizante! O resultado deixa na lona qualquer pessimismo acerca de que a nova estrutura pudesse não vingar, e rola até um beijinho no ombro para o recalque passar longe! Em coletiva, o prefeito do município fluminense de Rio das Ostras, Alcebíades Sabino dos Santos, conta a imprensa que a ideia é que seja lançado um selo comemorativo do festival, disponível em todos os correios do Brasil a partir do próximo ano, dado o entusiasmo reinante durante estes dias na cidade-sede do evento. Animado, ainda comenta a importância do festival e o seu legado: “Mantemos uma série de atividades que estimulam a cultura e a inspiração é estimulada. Cada município tem a sua particularidade aqui na região, e nos estabelecer como a cidade da cultura é nossa meta, sem competição com as nossas vizinhas”.

Para a secretária de turismo do município, Carla Ennes, “esse ano foi uma espécie de piloto das potencialidades, uma experiência nova no evento ampliado que surpreendeu, superando todas as expectativas. A ocupação dos hoteis foi muito boa para um mês de agosto, fora da temporada de verão, com o primeiro final de semana em torno de 70% e nesse último em 92%. Sucesso absoluto!”

Neste final de semana, migraram para a cidade aproximadamente 35 mil pessoas, desbancando assim a edição passada. O festival aplicou  5 milhões de reais e a cidade arrecadou em torno de 10 milhões, incluindo as redes de gastronomia, hoteleira e serviços prestados.

O público prestigia a última noite da 12ª edição  do Rio das Ostras Jazz & Blues Festival (Foto: Jorge Ronald / Divulgação)

O público prestigia a última noite da 12ª edição do Rio das Ostras Jazz & Blues Festival (Foto: Jorge Ronald / Divulgação)

Entre as atrações desta reta final, a bela e carismática Taryn Szpilman é quem abre a noite. Ela, que começou a carreira como intérprete na Rio Jazz Orchestra, fundada pelo seu pai Marcos Szpilman, ilumina neste sábado (16/8) o palco Castazul com  um show dançante na noite, refinadíssimo e  cheio de raízes brasileiras. Como não poderia deixar de ser, o público aclama sua performance, que teve destaque na participação de Toninho Horta, entre outros. Em conversa com o HT, entre sorrisos e “beijinhos enviados para a Helô”, a bela intérprete fala um pouco da apresentação: “A gente se sente honrada de fazer parte desse festival que é o maior da América Latina, o décimo maior do mundo. Estava lendo o release e avaliando tudo, o balneário é lindíssimo, as atrações de um tremendo bom gosto e fazer parte desse time já é uma medalha. Subir ao pódio com a big band mais tradicional de jazz do Brasil então, nem se fala!”. A cantora afirma que tanto ela quanto o marido (Claudio Infante) se sentem realizados com o retorno de tantos anos de dedicação, confirmados na recepção calorosa da plateia. “É o nosso festival do coração.”

Ela ainda ressalta a importância em valorizar uma música seleta, de abrangência mais sofisticada, mas com potencial de público.  “Sou suspeita para falar porque sou apaixonada pelo passado, brinco que nasci na época errada, acho que tudo de bom já foi por ter sido feito lá atrás e renego o empobrecimento. Prefiro ir por outra linha”, fala Taryn.

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Fotos: Jorge Ronald / Divulgação 

Em seguida, quem antecede a grande atração da noite é a banda formada pelo guitarrista Scott Henderson, pelo baixista Jeff Berlin e pelo baterista Billy Cobham., que substituiu Dennis Chambers, o qual não pode comparecer ao evento na última hora. O HBC Super Trio mostra no palco suas várias nuances de jazz fusion, uma apresentação com consistência, explorando ao máximo o ritmo forte da bateria, a velocidade da guitarra e os conhecidos solos no contrabaixo de Berlin. Em momentos de ajustes na guitarra, nem se ouve qualquer barulho na Cidade do Jazz, tal a concentração dos presentes. Silêncio total, nem grilo faz cri-cri!

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Fotos: Jorge Ronald / Divulgação

Finalmente, lenda viva da música – o  cantor e compositor norte-americano Al Jarreau –, sobe ao palco pouco antes da meia-noite. Reverenciadíssimo. Aos 74 anos, este simpático vencedor de sete prêmios Grammy demonstra energia surpreendente e faz questão de interagir com o público a todo momento.”Tudo bem, Tudo bom”, diz. Ou ainda: “Felicidade, muita felicidade” Vê-se a emoção do artista e amor que tem pelo o público brasileiro, pois já se apresentou no país algumas vezes. Todos ficam encantados com a sua presença; seu jeito de ser no palco é tal até se esquece de alguns deslizes na voz comprometida de um homem com idade avançada. O tempo até avança, mas sua majestade é eterna.  “Xiuuu ele pode baby!”, alguns arriscam. E ele segue, desfiando sua enorme bagagem artística em uma coletânea de hits.

E, como gringo adora fazer mimo com brasileiro, ele emenda standards como “Só danço samba”, de Tom Jobim, e “Mais que nada”, a pérola máxima de Sergio Mendes. E problemas de visão astro não tem, tira até onda com muito garotão!  Avista logo uma fã alucinada lá na muvuca e a presenteia com um CD, dizendo para  ir ao camarim vê-lo depois. “Whaaat? Sério! Fofo o tio, viu?” Quem disse que bamba da música não pode ter sua pitada de safadice? O show continua e, quando o público se dá conta, é o fim. “Ohhhh!” A massa não pode deixar como está e, assim, tem que rolar um bis.  O astro volta e termina assim: I hope you don´t mind, I hope you don´t mind that I put down in words…”Putz, bom demais!

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Fotos: Jorge Ronald / Divulgação

Mas quem pensa que acaba por aí, pode tirar o cavalinho da chuva. O último show da noite também é de tirar o pé do chão! “Nós viemos de Nova Orleans, e lá nós fazemos assim”, anuncia Dopsie Jr. antes de iniciar uma sequência dançante. Sucedendo o mito Al Jarreau, o ritmo de Rockin’ Dopsie Jr. & The Zydeco Twisters mantém o público ligadão. Muita improvisação e hits das antigas para todo mundo cantar junto com grandes clássicos do soul como “I Feel Good”,  de James Brown, dentre outros. Um dos destaques éi o momento em que o Dopsie Jr. desce do palco e vai  literalmente “pra galera!” Se requebra no meio do público e dá trabalho aos seguranças que procuram a tomada para ser desligada, uma figura! Sua simpatia e as constantes interações com a plateia fazem com  que ninguém deixe a Cidade do Jazz até altas horas da madruga,  mesmo após os pedidos de bis serem atendidos. Um set que faz o público dançar e se divertir em uma noite memorável.

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Fotos: Jorge Ronald / Divulgação

Chega o domingo (17/8), ultimo dia do festival e rola ainda na Praça São Pedro Glaucus Linx & Ancestrais Futuros e outra vez Rockin’ Dopsie Jr. & The Zydeco Twisters, desta vez na Lagoa de Iriry. Mais uma vez não fazem por menos e lotam o local.. Pouco mais tarde, já no palco armado na Tartaruga, é a vez do HBC Super Trio bisar seu show, com a responsabilidade de dar os últimos acordes no festival. Agora, só ano que vem. Tomara!

*Carioca da gema e produtor de eventos, Bruno Muratori é uma espécie de fênix pronta a se reinventar dia após dia. No meio da década passada, cansou da vida de ator e migrou para a Europa, onde foi estudar jornalismo. Tendo a França como ponto de partida, acabou parando na terra do fado, onde se deslumbrou com a incrível luz de Lisboa e com o paladar dos famosos toucinhos do céu, um vício. Agora, de volta ao Rio, faz a exata ponte entre o pastel de Belém e a manjubinha

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