Música & Badalo

“A arte e políticas públicas mais efetivas são capazes de mudar a realidade”, declara o cantor Rubel

Prestes a lançar uma nova turnê em 2019, que contemplará os seus mais recentes trabalhos, o músico falou sobre carreira, cultura, política, futuro e a forte influência dos anos 70

Publicado em 18/03/2019 | Por Iron Ferreira

Rubel: Nova geração da Música Popular Brasileira (Foto: Divulgação)

Rubel: Nova geração da Música Popular Brasileira (Foto: Divulgação)

O cantor e compositor Rubel, 27 anos, vêm conquistando cada vez mais o público brasileiro e internacional com o seu talento. Nascido no Rio de Janeiro, mais precisamente no município de Volta Redonda, o artista é, atualmente, um dos principais nomes da nova geração da MPB. Seu disco de estreia, intitulado “Pearl”, foi lançado em 2013 e se tornou um grande sucesso. O clipe da música “Quando Bate Aquela Saudade”, que esteve presente na trilha sonora da supersérie “Onde Nascem Os Fortes”, da Globo, possui mais de 30 milhões de visualizações. O seu segundo lançamento, o disco “Casas”, de 2018, foi ainda mais além. O projeto, reconhecido pelo público e pelos críticos, recebeu uma indicação ao Grammy Latino na categoria Melhor Disco de Rock ou Música Latina em Português. Sobre a boa fase em sua carreira, ele comentou ao site HT: “Tem um frase de Jorge Amado que diz: “Um escritor não pode desejar nada de maior e de melhor do que ser lido. Assim ele pôde cumprir sua missão”. É dessa forma que eu me sinto diante de todo o reconhecimento do público. Sobre a indicação ao Grammy, eu fico muito feliz com o aplauso da indústria. Embora a música não seja uma competição para mim, representa  um prêmio”.

Rubel irá fazer shows pelo Brasil e Portugal com a sua nova turnê "Casas & Pearl" (Foto: Divulgação)

Rubel irá fazer shows pelo Brasil e Portugal com a sua nova turnê “Casas & Pearl” (Foto: Divulgação)

Após as recentes conquistas, o cantor se prepara para embarcar na primeira turnê de 2019. Com um repertório que irá contemplar os seus dois trabalhos de estúdio, a agenda de shows abrange o Brasil e o exterior. Só em Portugal, país com o qual ele mantém uma estreita relação, serão 10 apresentações. “Fora do Brasil, o público com o qual eu me senti mais confortável foi o de Portugal. Minha música foi muito bem recebida. Nos Estados Unidos eu ainda preciso sentir mais o gostinho da experimentação”, analisa.

O folk, o rock, a MPB e a sonoridade dos anos 70 estão entre as principais influências do artista (Foto: Divulgação)

O folk, o rock, a MPB e a sonoridade dos anos 70 estão entre as principais influências do artista (Foto: Divulgação)

Na hora de compor e encontrar a sonoridade ideal, Rubel se baseia nas próprias experiências de vida e nos relatos de pessoas próximas. Influenciado por diversos estilos, seus trabalhos são marcados pela originalidade. O disco “Pearl”, que foi gravado em um estúdio caseiro em Austin, no Texas, traz fortes referências do folk e da música setentista, além de ter sido inspirado no contato com aquela região. “Eu estava em uma cidade que tinha uma ideologia bastante favorável à experimentação. As pessoas faziam o que queriam e esse ambiente me deu coragem para criar a minha própria arte. Tudo o que eu componho é baseado na minha experiência ou do que eu vejo nas pessoas a minha volta”, afirma.

Rubel se prepara para cair na estrada e com uma bagagem que agrada a gregos e troianos (Foto: Divulgação)

Rubel se prepara para cair na estrada e com uma bagagem que agrada a gregos e troianos (Foto: Divulgação)

Sobre o processo criativo de seus projetos, a forte interação é uma de suas principais características: “Eu participo de cada detalhe dentro da produção dos discos. Cada letra, cada nota, nada sai sem passar por mim. Estar dentro do estúdio construindo a música e dando personalidade ao álbum é o que mais me traz prazer”.

Quando questionado sobre a importância da arte e da cultura na sociedade, o artista afirma que ela pode transformar a mentalidade das pessoas: “Eu penso sobre isso quase todos os dias. A arte e políticas públicas mais efetivas podem mudar a realidade das pessoas. Por outro lado, movimentos musicais como os vividos nos anos 70, por exemplo, ajudaram a criar consciência na sociedade. Cresci ouvindo os ícones da Tropicália e a minha geração está conectada. Gostaria muito de ver o momento em que a arte coloca comida na mesa dos artistas e das pessoas”.

"Gostaria muito de ver o momento em que a arte coloca comida na mesa dos artistas e das pessoas”, afirma Rubel (Foto: Divulgação)

“Gostaria muito de ver o momento em que a arte coloca comida na mesa dos artistas e das pessoas”, afirma Rubel (Foto: Divulgação)

Apaixonado por cinema, o cantor afirma que gostaria de misturar as duas vertentes da arte em um projeto único: “De certa forma, eu já venho fazendo isso nos meus trabalhos. Eu dirigi quase todos os clipes do meu primeiro disco. É uma forma que eu encontro de mesclar as artes. Tenho muita vontade de fazer um álbum visual, com vídeos musicais para todas as faixas. Gostaria, também, de dirigir uma série. Porém, deixarei essa ideia mais para o futuro”, frisa. Para concluir, Rubel selecionou os artistas que mais ouve no momento. Entre eles, estão os brasileiros Paulo Novaes, Baiana System e Racionais MC’s, o canadense Daniel Caesar e a pianista estadunidense Carla Blay.

Com apenas 27 anos, o carioca é um dos principais nomes da nova geração da MPB (Foto: Divulgação)

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