Moda & Beleza

Marc Jacobs escolhe Cher como rosto de sua nova campanha e impulsiona o movimento de destaque da terceira idade na moda

Aos 69 anos, cantora entra para o time de mulheres como Jessica Lange, Iris Apfel, Courtney Love e Catherine Deneuve, que mostram como uma musa não precisa se apoiar na juventude para ter apelo

Publicado em 27/05/2015 | Por João Ker

Depois de Madonna ter estrelado a última campanha da Versace aos 56 anos, chegou a vez de outro ícone da música pop mostrar sua força na moda: Cher, aos 69 anos, é a musa da nova temporada de Marc Jacobs. A escolha, apesar de não ser nenhum choque – ela foi a acompanhante do designer na última edição do Baile de Gala do MET -, levanta questionamentos, uma vez que a marca é voltada para o público jovem e, entre as estrelas de estações passadas, teve Miley Cyrus como garota-propaganda, no auge de sua fase polêmica.

Fotografada por David Sims, Cher, aos 69 anos, é a nova estrela da campanha de Marc Jacobs (Foto: Reprodução Instagram)

Fotografada por David Sims, Cher, aos 69 anos, é a nova estrela da campanha de Marc Jacobs (Foto: Reprodução Instagram)

A idade da cantora e atriz não parece – nem precisa – ser um fator decisivo nesse quesito. O styling apurado de Katie Grand faz com que Cher tenha o apelo necessário ao público jovem, vestindo jaqueta de couro, luvas e um vestido preto que não só carregam o DNA meio rocker/punk da marca, como se casam com sua personalidade naturalmente cool e irreverente. Afinal, além de ser mãe do autotune e ter feito escolinha para as gerações que se seguiriam, Cher é uma lenda viva da cultura pop e, independente do seu volume de produção musical, sempre será relevante.

Essa não é, entretanto, a primeira vez que Marc Jacobs designa uma mulher de idade mais avançada para estrelar uma de suas campanhas. No início do ano passado, Jessica Lange, aos 64 anos, foi o rosto escolhido para apresentar a linha de Beleza da marca. Ícone do cinema, Jessica tem se tornado uma espécie de musa vanguardista dessa geração, desde que voltou a fazer barulho com suas impecáveis participações na série “American Horror Story”. O ápice da série, aliás, foi exatamente na terceira temporada, quando a atriz interpretou a bruxa Suprema do covil principal, com estilo e atitude de uma verdadeira rockstar. E vale lembrar que, enquanto ficou à frente da  Louis Vuitton, uma das principais musas do estilista foi Catherine Deneuve, que primeiro posou para a grife em 2007 e depois retornou para a última coleção de Jacobs na marca, em 2013, quando já tinha 69 anos.

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Mas o ex-diretor criativo da LV não está sozinho neste movimento, que parece ser a melhor resposta da indústria para contornar o hype em torno de novas modelos e fresh faces, e destacar a importância de artistas já consolidadas em suas carreiras. Foi o caso, por exemplo, da Givenchy, que depois de ter usado Julia Roberts, aos 47 anos, para as peças de publicidade da marca, escolheu para a próxima temporada a ‘colega’ de profissão, Donatella Versace, do alto de seus 60.

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A L’Oréal, por sua vez, uma das marcas de beleza mais significativas e exigentes do mercado, também tem procurado atingir o público 60+, selecionando para seu time de embaixadoras mundiais nomes como Twiggy, ícone fashion da década de 1960 e musa de Andy Warhol, e Helen Mirren, uma das atrizes mais respeitadas e estilosas de Hollywood, ambas já na terceira idade. E, ainda no ano passado, HT bateu palmas para a iniciativa da Céline de convidar a escritora Joan Didion, com 80 anos, para ser o rosto do verão 2015 da grife.

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São inúmeros os exemplos de marcas que têm finalmente voltado seus olhos para esse nicho: a Saint Laurent Paris já convidou Courtney Love e Joni Mitchell para reforçarem a ideia de que a marca tem pegada de rockstar; e Iris Apfel, exemplo unânime e absoluto de estilo na terceira idade, lançou recentemente campanhas para a M.A.C. e para a Kate Spade, essa última ao lado de Karlie Kloss.

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Unir o melhor de dois mundos também tem sido uma saída bem executada pelas grifes. Talvez a que mais tenha dominado esse jogo de pares com idades díspares seja a Burberry, que recentemente colocou sob as lentes de Mario Testino duas das maiores tops negras do mercado (uma declaração que ressoa bem tanto no campo da diversidade étnica quanto etária): Jourdan Dunn (24) e Naomi Campbell (45). Isso apenas semanas após ter unido Cara Delevingne (22) com Kate Moss (41) para anunciarem a fragrância “My Burberry”, uma dupla que hoje é repetida pela Mango.

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Claro, essa mudança em uma indústria que preza pela ‘imagem perfeita’ e é obcecada pela juventude tem grande impacto cultural na nova geração, mas é preciso não ser ingênuo e ver que a virada do jogo tem sim seus motivos econômicos por trás. Em 2010, os consumidores acima de 50 anos gastaram mais de U$8 trilhões em todo o mundo, com um poder de compra anual entre R$2,1 bilhões e R$2,4 bilhões apenas no Brasil, de acordo com pesquisa divulgada pela InfoMoney. A publicação também mostra que, apesar desse poder de consumo, 42% dos entrevistados na terceira idade não encontram roupas adequadas ao seu estilo. E, talvez, a resposta para atrair esse público esteja justamente no uso de figuras conhecidas por eles.

Outra peculiaridade desse nicho de consumidores é que, ao contrário dos jovens, o principal motivo de compra de um idoso é a qualidade do produto. Logo, a parcela que conta com o poder aquisitivo elevado estaria mais disposta a gastar no mercado de luxo, independente do hype em torno da marca x ou y. De uma forma ou de outra, a diversidade é sempre bem-vinda e, numa época onde a idade da mulher e seu ‘apelo’ à indústria do entretenimento tem se tornado uma discussão quase diária, liderada por nomes como Maggie Gyllenhaal, Meryl Streep e Patricia Arquette, mudanças na maneira como os ideais de beleza são encarados se fazem mais do que necessárias.

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