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Made in Brasil! Levi’s passa a fabricar parte da coleção em solo nacional e estima produção de meio milhão de peças até o final deste ano e o dobro em 2018: “Por que não?”, diz diretor comercial, Rui Silva

A estratégia, que mistura moda, economia e ideologia, ainda está em ritmo acelerado. De acordo com o diretor comercial da Levi’s no Brasil, Rui Araújo Silva, esta produção saiu do papel em agosto e nos meses de setembro e outubro já estavam ganhando as lojas da marca pelo país

Publicado em 22/11/2017 | Por Julia Pimentel

São mais de 130 anos de história e 110 países na rede da Levi’s pelo mundo. Em diferentes continentes, a grife que é referência de jeans na moda internacional se faz presente e é exemplo de qualidade e estilo. No Brasil este panorama é excelente. Por aqui, a Levi’s possui dezenas de lojas e, agora, também se dedicas às fabricas. Neste segundo semestre de 2017, a grife norte-americana passou a produzir parte das coleções vendidas no Brasil em solo nacional. Até o final do ano, a estimativa é que cerca de meio milhão de produtos sejam fabricados com o selo “made in Brasil”.

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A estratégia, que mistura moda, economia e ideologia, ainda está caminhando em ritmo acelerado. De acordo com o diretor comercial da Levi’s no Brasil, Rui Araújo Silva, esta produção saiu do papel em agosto e nos meses de setembro e outubro já estava ganhando as lojas da marca pelo país. Por enquanto, a fabricação local da Levi’s, que está no eixo entre São Paulo e Porto Alegre, ainda corresponde a apenas 20% do que é consumido por aqui. No entanto, para o executivo, já é um bom número para este começo. “No Brasil, estamos produzindo algumas categorias da coleção da Levi’s. Nesse montante de meio milhão de peças, temos alguns fits de jeans, camiseta, polo, sapatos e toda a parte de acessório, como carteira, cueca, boné e meia”, listou.

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Rui Silva é diretor comercial da Levi’s no Brasil e responsável pela produção da marca em solo nacional (Foto: Divulgação)

Para isso, a Levi’s investiu em uma produção inteligente, que se apropria da estrutura já existente e garante o toque de qualidade da marca que vem lá dos Estados Unidos, onde a Levi’s foi fundada em 1873. “Nós não temos fábricas próprias. O que fazemos é contratar empresas já existente, fazemos uma auditoria e analisamos quais têm a melhor capacidade para produzir os produtos com a qualidade que sempre tivemos. Para isso, existe um processo bem delicado e criterioso em que escolhemos esses parceiros para que nada saia fora do nosso padrão”, explicou.

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O que ganhará novidades neste processo de produção local é o preço e os detalhes nas peças. Como explicou o diretor comercial da Levi’s no Brasil, a marca não terá designers criando para os consumidores nacionais. No entanto, ao invés de apenas importar e copiar o que é produzido para as temperaturas e necessidades dos países do Hemisfério Norte, a Levi’s passará a adaptar peças para a tropicalidade do Brasil. “O nosso modelo de trabalho não muda muito e, seja aqui ou nos Estados Unidos, o processo é o mesmo. O que teremos de mudança é um conceito de sazonalidade nas coleções. Ou seja, se na grade nós temos uma camiseta apenas em branco, azul marinho e preto e, no Brasil, identificarmos o gosto pelo verde, poderemos ampliar a cartela. Assim como nos tecidos. Nas lavagens, poderemos colocar um pouco de elastano e diminuir a rigidez do denim para alguns fits”, detalhou.

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Desta forma, a Levi’s passa a ter uma coleção mais inteligente e personalizada que, além de seguir as tendências do mundo, também ganha toques tropicais para o consumo no Brasil. Outra mudança que chega com a novidade da produção em solo nacional é o preço final das peças. Aliás, esta foi um importante ponto que motivou o acordo de parcerias com as fábricas. “Com esta produção, a gente passa a ter a possibilidade de expandir a marca para mais pessoas. O nosso objetivo não é simplesmente baratear porque acreditamos que a Levi’s seja uma marca premium. Mas, ao mesmo tempo, também achamos possível vender modelos a R$ 189, por exemplo, e assim aumentar nossa gama de clientes. E é isso o que começamos a fazer”, apontou Rui Silva.

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Com a produção local, a Levi’s lançou um fit de calça jeans que custa R$ 189 e possui a mesma qualidade das demais (Foto: Divulgação)

Esta proposta também é ilustrada nas novidades geográficas da Levi’s. Com a ideia de atingir cada vez mais gente e com modelos com a mesma qualidade e preços mais acessíveis, a marca passa a ocupar novos espaços nas grandes cidades. Em São Paulo, por exemplo, seguindo o conceito premium das lojas dos importantes shoppings, a Levi’s inaugura seu novo ponto no aeroporto internacional de Guarulhos. “É uma área mais popular e que tem grande tráfego de pessoas. Mas, para a gente estar em um lugar como esse, precisamos justificar com preços que atraiam o público de lá. E calças jeans a R$ 189, graças à produção local, são uma forma de nos comunicarmos com esse público”, contou.

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Como feedback, Rui Araújo Silva afirmou que tem recebido bons comentários. Há menos de dois meses desses produtos nas lojas da Levi’s no Brasil, o retorno tem sido positivo e um estímulo para futuros crescimentos. “Nós estamos recebendo uma resposta muito interessante, principalmente nos acessórios. Os bonés e cuecas são produtos que fazem bastante parte do consumo do brasileiro. Com as calças, o retorno dos modelos a R$ 189 também está muito positivo porque está abrindo o leque de clientes que não sabiam que a Levi’s também tinha opções por menos de R$ 200”, analisou o diretor comercial que em breve terá uma resposta certeira da economia brasileira. “Eu estou na expectativa para ver como será o consumo desses produtos na Black Friday e no Natal”, contou o executivo sobre as próximas datas importantes do varejo.

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Com este panorama, o futuro da Levi’s no Brasil é ambicioso, como definiu Rui Silva. De acordo com o diretor comercial, o objetivo é continuar crescendo e conquistando novos números. No entanto, Rui acredita que esta expansão não estará relacionada à abrangência geográfica da produção em solo nacional. “Eu acho que iremos crescer mais em nível de produtos. Cada vez mais vamos passar a produzir outras categorias da coleção e, assim, explorar mais do que as fábricas ainda podem nos dar. A gente espera que em breve já estejamos fabricando moletons, camisas, mochilas, bolsas e outros fits de jeans”, disse Rui que, em 2018, espera registrar o dobro da estimativa até dezembro. “Se em alguns meses a expectativa é fazer meio milhão de produtos, no ano que vem queremos atingir um milhão”, afirmou.

Nesta expectativa embalada por grandes números, Rui Araújo Silva apenas responde à ideia que engrenou este processo de produção da Levi’s no Brasil: “por que não?”. “Este sempre foi um país que nos surpreendeu muito em nível de qualidade. As fábricas possuem um know-how técnico incrível e uma capacidade de escala que anima. Então, a nossa ideia foi explorar isso e, desta forma, atender de maneira diferenciada a um país que sempre consumiu bastante a marca no mundo. Afinal, além de o Brasil ter temperaturas altas durante quase o ano inteiro, ao contrário dos Estados Unidos e Europa, aqui as datas ainda são diferentes do calendário internacional”, destacou Rui Silva apontando festividades como Dia das Mães, dos Namorados e dos Pais.

Ah, e se toda essa novidade e investimento no Brasil por parte da Levi’s já não fossem super interessantes, a grife ainda tem outra novidade potente nas mangas – literalmente. Recentemente, a marca divulgou um modelo de jaqueta inteligente desenvolvida em parceria com o Google. Nesta peça, é possível usar tecnologias como GPS e atender e desligar telefone. “Este foi um trabalho conjunto em que fizemos um software no tecido da manda para que fosse usada de maneira inteligente. No entanto, esta ainda é uma tecnologia que só está disponível nos Estados Unidos. Mas o resultado ficou espetacular”, contou Rui Araújo Silva, diretor comercial da Levi’s no Brasil. Já queríamos no Brasil!

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