Inova Moda Digital: a partir do tema central ‘Tempo’ da Macrotendência “Verão 26”, um olhar sobre o conceito “Agora”


“Como palavras-chave e direcionamento estratégico, temos: atemporal, vislumbres (momentos encantadores e inesperados), novas métricas etárias (novos códigos de estilo de vida que quebram barreiras de idade), busca pelo lúdico, não linearidade (o Tempo moldado para cada estilo de vida), bem-estar personalizado (focado em conforto e saúde) e olhar colaborativo, essencial para entender a dinâmica multigeracional dentro de uma comunidade”, pontua Angelica Coelho, consultora técnica do Instituto SENAI de Tecnologia Têxtil e de Confecção do SENAI CETIQT e head de Moda Circular do Inova Moda Digital. Então, vamos mergulhar no Conceito 2 das pesquisas de tendências, ferramentas e metodologias de design estratégico, que promovam o desenvolvimento de microempresas e empresas de pequeno porte do segmento têxtil, confecção e moda

Inova Moda Digital: a partir do tema central 'Tempo' da Macrotendência "Verão 26", um olhar sobre o conceito "Agora"

De Norte a Sul do país, os consultores do projeto Inova Moda Digital (IMD), uma parceria entre SENAI CETIQT e Sebrae Nacional, apresentaram inúmeras palestras sobre os resultados apontados no Relatório de Macrotendência Primavera/Verão 26, com o tema central “Tempo“. O IMD tem como objetivo de produzir, disponibilizar e democratizar conhecimento teórico, tecnológico e mercadológico, promovendo o acesso às mais recentes pesquisas de tendências, ferramentas e metodologias de design estratégico que promovam o desenvolvimento de microempresas e empresas de pequeno porte do segmento têxtil, confecção e moda, alcançando os setores da indústria, varejo e serviços. Publicamos em um artigo anterior, cujo link você pode acessar abaixo, o Conceito 1, batizado Pretérito_Perfeito, da temática central Tempo, desenvolvido a partir dos cenários nos âmbitos sociais, econômicos, tecnológicos e relacionados ao meio ambiente, decodificando realidades.

Seguindo a linearidade do Tempo, o Conceito 2 é o “Agora” e foi apresentado por Angelica Coelho, consultora técnica do Instituto SENAI de Tecnologia Têxtil e de Confecção do SENAI CETIQT e head de Moda Circular do Inova Moda Digital; e Rafael Lemos, consultor de Fashion Design do Instituto Senai de Tecnologia Têxtil e de Confecção da Paraíba e integrante da equipe de pesquisa do IMD.

Leia mais: Inova Moda Digital: Relatório de Macrotendência Primavera/Verão 2025-2026 propõe reflexão sobre o tema “Tempo”

“Esse é o momento presente em que vivemos, com todos os conflitos e o desafio de equilibrar as demandas da vida”, explica Angelica Coelho. “Falamos da exaustão causada pela aceleração tecnológica e da importância de reorganizar o cotidiano para perceber que a vida acontece agora – é preciso desfrutá-la e aproveitá-la ao máximo”. Como palavras-chave e direcionamento estratégico, temos: atemporal, vislumbres (momentos encantadores e inesperados), novas métricas etárias (novos códigos de estilo de vida que quebram barreiras de idade), busca pelo lúdico, não linearidade (o Tempo moldado para cada estilo de vida), bem-estar personalizado (focado em conforto e saúde) e olhar colaborativo, essencial para entender a dinâmica multigeracional dentro de uma comunidade”.

“O conceito aborda, sobretudo, questões consideradas urgentes, assuntos que precisam ser resolvidos e que não podem mais ser adiados para tempos que virão. Trata-se de dar voz a sentimentos imediatos de representação e enfrentar causas que exigem atenção e ação no presente”, pontua Rafael Lemos.

“Aí, olhamos para marcas cuja identidade principal está nos básicos, como a japonesa Uniqlo, que tem um público que abraçou a ideia de lifewear: viver e explorar as minúcias do cotidiano. A Uniqlo destaca tecnologia e inovação em seus produtos, como fibras recicladas, circularidade, novas lavagens e conforto térmico – tudo aplicado a uma linha de peças básicas. Ao analisar essa movimentação, vemos a importância da não linearidade e da potencialidade da colaboração com influenciadores para expandir o alcance da marca, engajar comunidades, nichos e públicos. Embora muitas marcas foquem em consumidores de 18 a 30 anos, há um grande número de consumidores de 40+, 50+, 60+ com poder aquisitivo que encontram poucas soluções pensadas especialmente para eles”, observa Angélica Coelho, acrescentando que é de suma importância lançar um olhar também para as gerações Alpha e a Beta (dos bebês filhos da Geração Z). Estão em sinergia com o imersivo crescimento da tecnologia, da Inteligência Artificial (IA) e da digitalização. 

Uma pesquisa sobre o TikTok, geralmente considerado a rede social da Geração Z, revela que mais de 20% dos usuários têm 40 anos ou mais. O estudo também indica que 60% dos entrevistados com mais de 60 anos deixariam seus empregos para se tornarem influenciadores nas redes sociais—um percentual 20% maior do que o principal grupo de influenciadores, entre 15 e 29 anos, que costumam estar mais associados às marcas. Um grande exemplo é Margareth Chola (legendary_glamma), que, diretamente da Zâmbia, na África, une moda e identidade cultural em produções feitas pela neta, a estilista Diana Kaumba, e que celebram a liberdade criativa, independente da idade – Angelica Coelho

Margareth Chola, viralizou nas redes sociais como Legendary Glamma, exemplo de identidade cultural da Zâmbia para o mundo (Foto: Redes sociais)

Margareth Chola, viralizou nas redes sociais como Legendary Glamma (Foto: Reprodução)

Margareth Chola, viralizou nas redes sociais como Legendary Glamma, exemplo de identidade cultural da Zâmbia para o mundo (Foto: Redes sociais)

Margareth Chola, viralizou nas redes sociais como Legendary Glamma (Foto: Reprodução)

Rafael Lemos pontua que “mais do que abrir espaço para que empresas criem produtos para esse grupo geracional, é fundamental entender que estamos falando de uma aceitação global desses perfis, que agora se destacam nas redes sociais. Eles não apenas ganham visibilidade e notoriedade, mas também validação como referências de estilo. É importante pensar em produtos que se conectem e comuniquem com essa geração. Isso é essencial porque retira esse público da marginalidade e revela um mercado extremamente voltado ao consumo, um segmento que deseja ativamente novos produtos. Precisamos estar atentos ao desenvolvimento de artigos para atender a essa demanda”.

HIGHLIGTHS DO CONCEITO AGORA

CELEBRANDO CONQUISTAS

Precisamos entender como as marcas estão se conectando conosco. Sabemos o quanto é difícil levantar cedo para treinar ou, ao fim de um dia longo, encontrar forças para cuidar da saúde. Nesse momento, as marcas estão nos ajudando a lidar com dilemas humanos eternos, como preservar nosso bem-estar e prolongar a vida. A Nike, por exemplo, adota o posicionamento de ‘Eu sou a marca que te acompanha no sucesso, mas entendo que o sucesso’, porém é doloroso e passaremos por diversas indagações. Em um vídeo de sua campanha publicitária, vemos o despertar lento e cansado para o exercício físico. “Isso somos nós, todos os dias. Devemos comemorar cada conquista, seja de seis quilômetros, dois, ou 500 metros. A marca celebra todas as vitórias, não importa o tamanho. Não é preciso ganhar uma meia maratona; vencer pode ser simplesmente levantar da cama e dar os primeiros passos no parque”, destaca Angélica Coelho.

NÃO LINEARIDADE – OS CICLOS DA MODA

Com foco na reavaliação de ciclos e na não linearidade, e repensando a moda diante da lógica injustificável de extrair, produzir e descartar – especialmente em meio aos desafios das emergências climáticas –, os palestrantes apresentam abordagens instigantes sobre como criar moda com menor impacto em um mundo que busca a sustentabilidade. Um exemplo é a marca Buzigahill, do estilista africano Bobby Kolade, ex-criativo da Maison Margiela, que desenvolveu uma coleção em Uganda – país que recebe grandes quantidades de descartes têxteis do Norte Global -, batizada “Devolver ao Remetente”. Kolade criou peças usando a técnica do upcycling a partir de resíduos descartados em Kampala, a capital, com foco no próprio consumidor do Norte Global. A ideia de devolver o descarte por meio do design é muito interessante e ele vende para os Estados Unidos, Japão e Europa”, avalia a head do Inova Moda Digital.

Coleção “Devolver ao Remetente”, desenvolvida em Uganda – país que recebe grandes quantidades de descartes têxteis do Norte Global – utilizando a técnica do upcycling

COLECIONÁVEIS

Vale lembrar que alguns produtos vão além da satisfação do uso. A marca inglesa Jellycat, fundada em Londres em 1999, cria pelúcias que imitam alimentos como bolos, tortas, croissants e sorvetes. O diferencial também está na forma de entrega desses produtos ao consumidor. “Cada pelúcia é embalada como se fosse um alimento real. Colocam ‘creme’ por cima, embrulham em papel manteiga e pôem em uma caixinha para dar a sensação de que você está em uma pâtisserie comprando uma fatia de torta, por exemplo. A ideia é que seja mais do que um simples objeto, é uma experiência de conforto. Você pode pensar: ‘Por quê?’. Mas, se tiver a chance, acaba comprando. Não é algo que você precisa, mas transmite carinho e aconchego”, explica Rafael Lemos.

Angelica Coelho acrescenta: “Sabemos que 20% dos Millennials e da Geração Z gastam espontaneamente com produtos ‘fofos’: são itens como papelaria, adesivos, pelúcias, bichinhos, camisetas e videogames. Esse comportamento está fortemente ligado à ideia de colecionáveis. Estamos falando de jovens adultos e adultos que ainda consomem olhando para estratégias de escapismo”.

O AGORA EM CRIAÇÕES

Quando falamos sobre o “Agora”, incluímos o subconceito dos Colecionáveis, produtos que se destacam por serem menos comuns no dia a dia. Eles trazem modelagens mais experimentais e são peças que valem a pena ter, pois podem ser usadas em diferentes momentos da vida – fiquem ligados em: lúdico, escapismo criativo e estética pop.

“Já no “Office”, vemos a alfaiataria sendo reinventada para se apresentar renovada na rotina, como uma roupa de trabalho que agora adota códigos mais modernos de construção”, revela Rafael Lemos. As palavras-chave são: alfaiataria desconstruída, cotidiano reimaginado e funcional subversivo.

E temos o Minimalismo Sensual, que é basicamente o minimalismo se aproximando da sensualidade, com uma estética ‘sexy sem ser vulgar’ – não de forma apelativa, mas concisa e madura. As modelagens têm linhas bem definidas e objetivas, com clareza sobre o que querem comunicar. Atenção para recortes pontuais, drapeados deslizantes e sensualidade sutil.