Vivemos em um período de aceleração em alta potência tanto nas relações particulares quanto como profissionais inseridos em um universo de tecnologias mil. A partir deste cenário que permeia a contemporaneidade, o Relatório de Macrotendência Primavera/Verão 2025-2026 – fruto de uma grande pesquisa realizada pelos consultores do projeto Inova Moda Digital (IMD), parceria entre o SENAI CETIQT e o SEBRAE Nacional – tem como tema central o “Tempo”. Propõe uma reflexão sobre como ajustar o ritmo, acelerar, melhorar, respirar, pausar e vivenciar experiências que nos ajudem a curar, reenergizar e dar os próximos passos. “A temporada Primavera/Verão 2025-2026 nos convida a embarcar em uma jornada reflexiva sobre o conceito de “Tempo”, um elemento fluido que molda nossas relações com a inovação, a colaboração e o impacto socioambiental. Essa reflexão nos incentiva a repensar estratégias e redirecionar esforços para soluções que dialoguem com a pluralidade e a inclusão, destacando o valor da personalização em um mundo em constante evolução”, como pontua Angelica Coelho, consultora técnica de moda e design do Instituto SENAI de Tecnologia Têxtil e de Confecção do SENAI CETIQT e head do Inova Moda Digital, a respeito das conclusões do Relatório, divulgado pela plataforma IMD e que você, leitor, pode ter acesso a qualquer momento.

A equipe técnica do IMD fez uma imersão nos cenários que vêm sendo desenhados nos âmbitos sociais, econômicos, tecnológicos e relacionados ao meio ambiente, decodificando realidades e lançando luz no que diz respeito às tendências e aos desafios da moda e consumo. Uma grande sinergia com a macrotendência Outono-Inverno 2025, cuja palavra-chave foi “Impermanência” e que pudemos observar um campo de possibilidades que vêm num olhar de melhoria contínua e de novas relações, de outras fontes de inspirações.
Em um cenário marcado pela aceleração tecnológica e pelas transformações socioambientais, o tema “Tempo” propõe uma reorganização de fluxos e prioridades. Ele nos desafia a equilibrar as demandas diárias com a necessidade de criar soluções criativas e colaborativas que atendam tanto às necessidades individuais quanto aos objetivos empresariais e ambientais. Essa temporada celebra o poder de se adaptar e inovar, promovendo um olhar mais humano e sustentável sobre os desafios contemporâneos, convidando todos a participar ativamente na construção de um futuro em que o tempo seja um aliado na busca por mudanças significativas – Relatório de Macrotendência Primavera-Verão 2025-2026 sobre comportamento de consumo, design e criação de coleções

Tempo, tempo, tempo…

Tempo, tempo, tempo…
O projeto Inova Moda Digital (IMD) tem como principal objetivo produzir, disponibilizar e democratizar conhecimento teórico, tecnológico e mercadológico, promovendo o acesso às mais recentes pesquisas de tendências, ferramentas e metodologias de design estratégico e soluções para processos em geral, que promovam o desenvolvimento e a competitividade de negócios. O SENAI CETIQT possui equipe multidisciplinar com ampla experiência industrial. Os profissionais atuam nas empresas da cadeia de moda, têxtil e de confecção de forma transversal, com foco no aumento da competitividade e melhoria do desempenho dos profissionais e negócios do setor moda, a partir das conexões entre os atores da cadeia produtiva.
O resultado do Relatório de Macrotendência Primavera/Verão 2025-2026 foi apresentado durante a edição recente do Minas Trend por Angelica Coelho e Rafael Lemos, consultor de Fashion Design do Instituto SENAI de Tecnologia Têxtil e de Confecção da Paraíba e integrante da equipe de pesquisa do IMD. Rafael Lemos aponta como o tema-central pode ser explorado: “Não vamos nos deter à ordem cronológica dos acontecimentos, mas sim à coexistência de diferentes tempos no agora. Nosso conteúdo se direciona para um tempo específico, porém com diferentes recortes e inspirações. Trataremos do passado, valorizando seus legados e práticas, exploraremos o presente e as formas como essas influências são aplicadas hoje, e examinaremos visões de futuro que impactam o agora de maneira prática e objetiva”.
Como de costume no lançamento das macrotendências, uma lista de palavras-chave é escolhida para clarear o espírito do momento. A head do IMD destaca as palavras e expressões importantes: intergeracional, pausas estratégicas, multicultural, atemporalidade, conexões alegres, inovação ancestral, necessidades opostas e futuro em construção.

A macrotendência alinhavada a partir da palavra-chave “Tempo” é subdividida em três conceitos e hoje proponho um mergulho no Conceito 1. Vem comigo:
CONCEITO 1 – PRETÉRITO_PERFEITO
“Este conceito nos convida a olhar para o passado, um lugar ao qual podemos retornar, especialmente em busca dos momentos de pausa tão necessários para um consumidor exausto e sobrecarregado por estímulos. A ideia aqui é criar oportunidades multissensoriais, vibrantes, regenerativas, com luxo ancestral, reconfortantes, frescas e colaborativas. É abrir a temporada de Verão 25/26 já pensando na quantidade de estímulos que incentivam essa pausa”, aponta Angelica Coelho.

Refletindo sobre o conceito de Pretérito_Perfeito, Rafael Lemos acredita que ele representa, sobretudo, acolhimento: “É um lugar de conforto e resgate de memórias, de valorização das raízes, tanto no sentido individual quanto no coletivo. Trata-se de explorar e absorver outras raízes além das nossas próprias, além daquelas com as quais nascemos e que compõem nossa origem”.
CASES DE PRETÉRIO_PERFEITO
CELEBRAÇÃO DE RAÍZES E FIBRAS
O Dia Mundial do Algodão celebrado em Paris, em 2024, contou com uma coleção orquestrada pela Ethical Fashion, envolvendo 10 designers africanos. A proposta foi mostrar como o algodão, desde o cultivo até a criação de um produto exclusivo, pode incorporar diferentes abordagens tecnológicas, impactando positivamente a vida socioeconômica de pessoas ao redor do mundo. Foi apresentada a moda africana contemporânea, com foco na sustentabilidade e na responsabilidade. Rafael Lemos ressalta como “uma cultura em específico, um trabalho regional, tem uma premissa de se comunicar com outros lugares, com um apelo muito forte, e tentar trazer uma linguagem de moda, ainda que usando esses valores, uma linguagem de moda, atual, contemporânea e de fácil acesso até por diferentes faixas de idade”.
TECENDO A CULTURA FILIPINA NO MUNDO
E em se tratando de moda outro exemplo vem com a “Vogue Filipinas“, que celebrou, em Paris, seu segundo aniversário e apresentou criações de designers filipinos que reinterpretaram a herança e o artesanato do país, utilizando técnicas tradicionais assim como inovadoras para compor produtos. Trabalhando aspectos do território e como essa cultura se transforma para além das paisagens, da topografia, do clima, da vegetação, das técnicas, do místico, do sagrado. “Estamos falando de artesanias e técnicas ancestrais trabalhadas de maneira super preciosa. Pensamos em uma visão de ancestralidade também na forma criativa de abordar aquilo que conhecemos e vivenciamos no dia a dia”, comenta Angélica Coelho. Ela cita peças que “parecem palha, mas são, na verdade, fibras de algodão e poliéster reciclado trançadas com uma técnica ancestral. Outro exemplo é uma capa de chuva feita em vime, utilizando uma técnica de cestaria. E, por último, temos uma saia estruturada com latão derretido, moldada com técnicas de fundição e artesanias”.
EXPERIÊNCIAS MULTISSENSORIAIS
Rafael Lemos ressalta que a comunicação de uma marca pode (e deve) ser criativa. Ele menciona a campanha publicitária de uma empresa mundialmente conhecida que utilizou apenas outdoors perfumados espalhados por uma cidade europeia. “Essa campanha expressa a identidade olfativa da marca. Só de ver uma tela amarela ou vermelha no caminho, vocês já imaginariam do que estamos falando?”, questiona. “Um aroma nos envolve, sem possibilidade de fuga. A ideia é ativar os sentidos do consumidor de forma que ele não consiga escapar. Ele se conecta e sente desejo”, frisa.

Para revelar o mistério: trata-se de uma campanha do McDonald’s na Holanda, especificamente em Amsterdã. Os outdoors minimalistas, sem imagem ou texto, exalam o aroma característico das famosas batatas fritas da rede de fast food. Um compartimento no outdoor contém as batatas e, por meio de um sistema de aquecimento e ventilação, o aroma é disperso para atrair quem passa por perto, despertando a vontade de fazer um lanche. “Quem passava automaticamente dizia: ‘é o cheiro das batatas do McDonald’s’. Isso é um exemplo claro de presença de marca, posicionamento e reconhecimento de identidade junto ao público”, elogia Angelica Coelho.
No Verão, tudo estimula: sabores, aromas, toques. Nosso foco é alcançar consumidores que precisam expandir suas experiências com uma marca. A recomendação é ir além de um cenário e uma vitrine atraentes; é explorar outros sentidos para descobrir como a presença da marca pode se fortalecer em novas e inesperadas possibilidades – Angelica Coelho
Frisando mais uma vez, proporcionar experiências sensoriais únicas permite que a marca de moda se destaque dos concorrentes, reforçando sua identidade. Além disso, os sentidos possuem uma conexão direta com as emoções e, ao envolver o consumidor de maneira multissensorial, a marca consegue construir vínculos emocionais profundos.
Observamos ótimos exemplos de como o artesanato, o handmade, pode ser usado de forma nada convencional na moda, criando looks sofisticados e instigantes com técnicas ancestrais. Isso nos leva a uma questão: o artesanato está na moda? “É uma pergunta muito comum, especialmente para nós que conversamos com talentos do design têxtil. As pessoas perguntam isso de forma direta e frequente. A elevação desses conceitos na moda, incorporando o artesanato, está em crescimento, porque as pessoas buscam esse tipo de conexão. Não só pela manualidade desses produtos, mas pelo valor das memórias e do resgate cultural que eles representam. Há muitos significados atrelados a essa junção de moda e artesanato, especialmente ao explorar outras formas de vestir e combinações de cores, criando novas conexões”, analisa Rafael.
“A gente traz tramas com heranças culturais, manualidade e um olhar moderno em diferentes proporções. Tem o crochê, tramados de macramê, as rendas. Inclusive a gente traz um exemplo muito fresquinho com aplicação de renda filé sobre o vestido. “, destaca Angelica.

Falando sobre o conceito de Pretérito Perfeito, Angelica destaca como abordamos acima que remete a um momento de pausa, aconchego e energização, como uma viagem de férias. “As listras aparecem reinventadas com uma pitada de verão, em diferentes tamanhos e formatos, brincando com cores e transmitindo um toque muito mais tropical”, comenta.

“Há também aqueles vestidos com inspiração campestre e floral, mas reinterpretado no estilo de um novo romantismo: leve, esvoaçante, trazendo um toque de balonê. Ele brinca com a leveza em tons suaves, perfeito para um look fresco”. Rafael Lemos complementa: “Observando a modelagem, percebemos que não é tão complicada. Há estímulos de modernidade que parecem clássicos como, por exemplo, nas tramas. As peças incluem chemises com comprimentos mais longos e camisas oversises. Os vestidos leves também ganham mais tecido e amplitude, proporcionando um visual fluido e confortável”.

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