Durante lançamento da primeira coleção de sua marca, The Paradise, Thomaz Azulay declara “Quero que a moda seja menos entediante”


As peças da marca de Thomaz Azulay e Patrick Doering serão vendidas num e-commerce e contarão com estampas maximalistas e produção artesanal

Após quatro anos à frente da direção criativa de uma das mais conceituadas marcas de moda praia do Brasil – e do mundo, por que não? – Thomaz Azulay está pronto para alçar novos voos. Ao sair da Blue Man, o estilista tinha o sonho de abrir uma empresa pequena onde pudesse exercer um trabalho artesanal. Esse sonho se tornou realidade, se chama The Paradise e foi lançada com direito a trunk show de sua primeira coleção ontem, dia 13 de agosto, no Espaço Movimento Contemporâneo Brasileiro, no Horto, Rio de Janeiro.

Thomaz e o sócio, Patrick Doering, serão os responsáveis pelas estampas maximalistas que prometem ser o desejo dos fashionistas na próxima estação. E ele entende do assunto. Um típico Azulay, o estilista, que assumiu a direção criativa da Blue Man bem na temporada do estouro das estampas – em 2011, gosta de trabalhar com maximalismo e pegada tropical-kitsch. Seu pai, Simão Azulay, fez história com a Yes Brazil, marca que já trabalhava esse mesmo tipo de estampa pop nos anos 80 e foi referência de moda na época. “Minha formação é de ventre, mesmo. Com 18 anos eu entrei em uma faculdade de moda para organizar as ideias, mas não cheguei a me formar porque o trabalho falou mais alto. Passei pela Yes Brazil nos últimos anos e fui experimentando um pouco de tudo”, contou Thomaz, que nunca pensou em fazer carreira em beachwear até ser convidado, aos 24 anos, pela prima Sharon Azulay, dona da Blue Man.

Sobre os anos em que esteve à frente da direção criativa da marca, Thomaz só tem boas recordações. “Foram quatro anos muito felizes. Era incrível trabalhar com a Sharon, temos uma parceria que ninguém tem, uma simbiose. Ela teve confiança total em mim, eu consegui colocar meu DNA na Blue Man e levar a marca a lugares que não tinha ido antes. A Blue Man me deu poder, e eu dei liberdade a ela”, refletiu, garantindo que a decisão de partir para uma nova empreitada foi tomada com total apoio da prima, já que, segundo ele, era o caminho natural das coisas. “Eu nunca tive interesse profissional em moda praia, mas nos anos que estive na Blue Man eu pude ver que quem trabalha nesse segmento ama e é muito fiel a isso. Não existem muitos estilistas de moda praia, então, geralmente, quem se propõe a fazer é porque tem realmente paixão. Isso me encantou”. Além de encantado, Thomaz saiu com uma bagagem de aprendizado que considera essencial para a nova marca e o seu futuro. “É desafiador trabalhar num pedaço tão pequeno de tecido, a moda praia nos faz aprender muito sobre comportamento, porque a praia é um lugar muito comportamental. Você passa a entender melhor a cabeça das pessoas e a relação que elas têm com o corpo”, disse.

Apesar da liberdade que tinha no comando do estilo da Blue Man, as limitações inerentes ao trabalho em grandes empresas ainda o frustrava. Foi então que ele e seu novo sócio, Patrick, publicitário que passou por lojas como Mara Mac e Sara Jóias e que compartilhava dos mesmos desejos, decidiram criar a nova marca. Na The Paradise todas as peças são numeradas e o trabalho é artesanal: tudo que os dois procuravam. De acordo com Thomaz, definir o nome foi a parte mais difícil do projeto. “Queríamos um nome que sintetizasse algo bom e foi bem difícil, mas quando chegamos a Paradise, achamos que a palavra remete ao kitsch, aquela coisa de coqueiros, passarinhos voando…” Em relação ao símbolo, um unicórnio, Thomaz explica: “Surgiu da vontade de ter um ícone que representasse o universo mágico que a grife pretende transmitir”

A The Paradise não tem pretensão de ser uma gigante e todas as peças serão boladas a quatro mãos. A primeira coleção da marca conta com roupas femininas, masculinas, moda praia e acessórios em modelagens clássicas, que dão ainda mais destaque aos desenhos de paisagens tropicais e aos elementos kitsch. Os tecidos são leves, feitos com fibras naturais e todas as peças são edição limitada. A grife não tem um público-alvo definido, já que, durante sua passagem pela Blue Man, ao perceber que vestia diversos tipos de mulheres que se identificavam com o estilo e gostavam das estampas, Thomaz desmitificou a imagem de cliente dividido por classes, bairros ou cidades. “O que eu quero para a minha marca são pessoas de atitude e desejo de colorido. Estamos em um momento muito cinza na moda, não falo de cor, mas de expressão. Tudo está tão linear que o que eu quero é vender para pessoas que tenham desejos especiais”, explicou.

Perguntado como é trabalhar com moda no Brasil, Thomaz se declara um apaixonado. “Hoje eu até fiz um post nas minhas redes sociais. As pessoas falam que o mundo da moda é injusto e amargo, mas não vejo ninguém se empenhando para fazer algo diferente”, opinou. O garoto, de 28 anos e sonhos gigantes, garante que não vai se limitar. Inovação será sempre seu carro-chefe. “Eu quero sair da minha zona de conforto. Faço a minha parte para que a moda fique menos entediante a cada dia”, declarou. O site HT, que é fã desde sempre, vai seguir acompanhando de perto. Aqui embaixo tem as fotos de quem passou por lá para conferir o lançamento. Siga a seta!

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