“(…) Antiga Praia de Iracema, o mar / E os olhos grandes da menina / Lendo o meu mais novo poema (…).” O verso de “Longarinas”, do compositor cearense Ednardo, deu nome e atmosfera poética à coleção apresentada pela marca Patú no DFB Festival 2026 – a maior plataforma da moda autoral do Brasil -, traduzindo em moda autoral o universo de deslocamentos, lembranças e paisagens afetivas. A narrativa atravessa especialmente Fortaleza, cidade cantada por Ednardo, com referências à Praia de Iracema, à Ponte dos Ingleses, lugares que habitam memórias e paisagens afetivas do coletivo. Assim como Ednardo sempre fez a conexão entre tradição e contemporaneidade em linguagem própria, a Patú faz o mesmo na moda: uma coleção construída sobre travessias físicas, emocionais e identitárias.

Patú (Foto: Nicolas Gondim)
A estreia da Patú integrou uma parceria inédita do DFB Festival 2026 – maior plataforma da moda autoral do Brasil – com a Nordestesse – iniciativa criada por Daniela Falcão voltada ao fortalecimento da cena regional, a valorização dos saberes manuais brasileiros e curadoria de produtos e experiências que trazem a estética e alma nordestina em seu DNA.
Para falar sobre a história da Patú é preciso lançar luz sobre raízes, pertencimento e origens. Criada em 2021, a marca nasceu do encontro entre duas gerações, Diana Souza e sua filha, Marina Fontanari, e do sonho de traduzir em moda as histórias, memórias e singularidades que atravessam o universo cearense, valorizando o feito à mão, os saberes ancestrais, as artesanias e a potência criativa do Ceará.
Diana cresceu no município de Senador Pompeu, no Sertão Central do Ceará, onde parte de sua família permanece até hoje. Marina, nascida em Fortaleza, encontrou na história de seus antepassados conexão decisiva: o nome da marca devia ser Patú, porque fala ao coração das duas e traz referências importantíssimas para elas. A barragem do Patú, em Senador Pompeu, foi a realização de um sonho dos sertanejos – um dos marcos do projeto do governo de levar água ao sertão cearense, cujos primeiros estudos nasceram em 1910 e levou décadas para ser concretizado. Represa o rio Patú e o reservatório tem capacidade para armazenar 71 milhões de metros cúbicos de água. A segunda sinergia é que o rio Patú deu nome de uma das fazendas preferidas de Francisco de Oliveira, bisavô de Marina. A história da família está ligada também à produção do algodão. O cultivo do “ouro branco” foi o motor do desenvolvimento econômico e da urbanização do interior cearense, sendo Senador Pompeu um polo logístico e de beneficiamento fundamental dessa cadeia.
Devido à sua localização estratégica e infraestrutura ferroviária, a cidade recebia a produção de municípios vizinhos (como Mombaça). De lá, o algodão era despachado por trens até o Porto de Fortaleza para exportação. “Existem lugares que abrem a porta do nosso coração deixando transbordar de saudade”, diz Diana em uma de suas postagens nas redes sociais. É desse território afetivo que surgiram as principais inspirações para a identidade de uma marca, cujo DNA dialoga com a fauna e a flora do sertão Central do Ceará, as tradições sertanejas, as histórias familiares e os saberes artesanais.

Marina Fontanari e a mãe, Diana Souza, são as criadoras da Patú

Entre mãe e filha: Patú transforma memórias do Sertão Central cearense em moda autoral com afeto
Sempre sonhei em ter minha filha trabalhando com moda, que é como ganho a vida desde sempre. Na pandemia, ficamos muito próximas e, em meio às dúvidas sobre como seriam os negócios após aquele período, expus meu sonho de ter uma marca própria, e também meus temores, já que a moda exige experiência, mas também o vigor da juventude. Foi aí que recebi a maior prova de amor: Marina largou um mestrado em Direito no exterior para viver o meu sonho. Agora, nós duas compartilhamos o mesmo – Diana Souza

Patú (Foto: Nicolas Gondim)

Patú (Foto: Nicolas Gondim)

Patú (Foto: Nicolas Gondim)

Patú (Foto: Nicolas Gondim)

Patú (Foto: Nicolas Gondim)

Patú (Foto: Nicolas Gondim)
“Longarinas” e a estreia da Patú no DFB Festival
O próprio título da coleção sintetiza essa construção: longarinas são estruturas que sustentam, conectam e distribuem forças — metáfora para uma marca que fala de raízes, pertencimento, ancestralidade e dos processos contínuos de reconstrução que moldam quem somos. “Apresentar Longarinas no DFB Festival é celebrar o Ceará em sua essência. É unir a força da moda autoral cearense à obra de um dos maiores contadores de histórias do nosso estado. É fechar um ciclo e, ao mesmo tempo, abrir novos caminhos. Assim como a velha ponte, que resiste ao tempo carregando marcas, lembranças e significados, “Longarinas” fala sobre aquilo que nos sustenta. Sobre permanecer. Sobre voltar para casa”, definem as criadoras.
Toda a produção da marca é feita no Ceará, envolvendo profissionais locais, inclusive bordadeiras de Senador Pompeu, e fortalecendo uma cadeia produtiva conectada ao território. Atualmente, a Patú mantém lojas em Fortaleza e São Paulo, mas foi no DFB 2026 que realizou seu primeiro desfile de passarela, consolidando uma trajetória que vem crescendo de forma consistente desde sua criação.

Patú (Foto: Paula Matos)

Patú (Foto: Paula Matos)

Patú (Foto: Paula Matos)

Patú (Foto: Paula Matos)

Patú (Foto: Paula Matos)

Patú (Foto: Paula Matos)
Trabalhar com a minha mãe significa algo muito íntimo, um privilégio que nem eu mesma sabia da grandiosidade. Cresci acompanhando seu trabalho nos bastidores do mundo da moda. Minha mãe foi vendedora, trabalhou em marcas grandes, fez private label, sempre esteve ligada à moda, e eu por tabela. Crescer e poder compartilhar com a pessoa que mais admiro criações, ideias e conquistas é uma felicidade em dobro. Cada realização nossa eu sinto de forma potencializada – Marina Fontanari

Patú (Foto: Paula Matos)

Patú (Foto: Paula Matos)

Patú (Foto: Paula Matos)

Patú (Foto: Paula Matos)

Patú (Foto: Paula Matos)

Patú (Foto: Paula Matos)
O desfile também apresentou uma colaboração inédita com a marca cearense Tangerine, inspirada pela relação do Ceará com a luz — elemento que desenha sua paisagem e identidade.
“Terra da Luz, o Ceará nos ensinou a olhar para o sol não apenas como paisagem, mas como parte da nossa identidade. Foi dessa relação que surgiu a inspiração para nossos primeiros óculos. Para essa criação, nos unimos à Tangerine, marca cearense que compartilha do mesmo apreço pelos processos manuais e pelo fazer cuidadoso. Uma colaboração que traduz luz, tempo e origem – Campanha da Patu em parceria com a Tangerine”

Patú (Foto: Paula Matos)

Patú (Foto: Paula Matos)

Patú (Foto: Paula Matos)

Patú (Foto: Paula Matos)

Patú (Foto: Paula Matos)

Patú (Foto: Paula Matos)
O desfile também marcou o lançamento de uma colaboração especial com a marca cearense Tangerine. Inspiradas pela relação do Ceará com a luz e o sol, elementos que moldam a paisagem e a identidade local, as duas marcas desenvolveram uma linha de óculos que traduz a mesma valorização dos processos manuais e do fazer cuidadoso que orienta a criação da Patú.
“Terra da Luz, o Ceará nos ensinou a olhar para o sol não apenas como paisagem, mas como parte da nossa identidade. Foi dessa relação que surgiu a inspiração para nossos primeiros óculos. Para essa criação, nos unimos à Tangerine, marca cearense que compartilha do mesmo apreço pelos processos manuais e pelo fazer cuidadoso. Uma colaboração que traduz luz, tempo e origem”.

Patú (Foto: Nicolas Gondim)

Patú (Foto: Nicolas Gondim)

Patú (Foto: Nicolas Gondim)

Patú (Foto: Nicolas Gondim)
Em sua primeira passagem pelo DFB Festival, a Patú mostrou que Diana e Marina escolheram fazê-lo com delicadeza, memória e sofisticação, reafirmando que a moda também é um gesto de pertencimento — e que algumas coleções não apresentam apenas roupas: revelam geografias afetivas capazes de vestir um lugar inteiro.
Artigos relacionados
DFB Festival: 4TOWN celebra a potência das ruas como linguagem de moda, cultura urbana, pertencimento e resistência
DFB Festival: OcO Club faz do vento terral, símbolo histórico de Fortaleza, o ponto de partida de sua coleção autoral
Hela, marca de perfumaria, nasce em sinergia com o 'Projeto Sou Ela' de incentivo ao empreendedorismo feminino