DFB Festival: Com “Pedaços de Mim – Uma Cartografia Pessoal”, Jô de Paula tece memórias afetivas e saberes artesanais


Estreando oficialmente no DFB Festival 2026, em Fortaleza, com sua marca Jô de Paula, a designer celebra também os 30 anos de atuação na moda, percurso que começou no Rio de Janeiro, passou por grandes marcas nacionais e encontrou no Ceará sua principal fonte de inspiração e propósito: a união entre moda autoral e artesanato de luxo contemporâneo. “Esta coleção fala da minha trajetória, das minhas emoções e das pessoas que caminham comigo. Como um rio e seus afluentes, caminhos e direções. O artesanato é o fio condutor. Bordados à mão, renda filé, labirinto, técnicas que entrelaçam histórias. Unem a vida de quem cria, faz, vive e respira a beleza de ser mulher”

DFB Festival: Com “Pedaços de Mim - Uma Cartografia Pessoal”, Jô de Paula tece memórias afetivas e saberes artesanais

“Quem eu fui faz parte de quem eu sou. Este desfile é uma homenagem às mulheres da minha vida: minhas avós, mãe, tias, irmãs, primas, amigas, costureiras, artesãs, funcionárias, companheiras de trabalho, artistas. Esta coleção fala da minha trajetória, das minhas emoções e das pessoas que caminham comigo. Como um rio e seus afluentes, caminhos e direções (…). Assim, a estilista Jô de Paula abriu seu coração e nos fez um convite para uma imersão em “Pedaços de Mim – Uma Cartografia Pessoal“, coleção em sinergia com as memórias afetivas, os saberes artesanais e o handmade que construíram a sua chancela na moda autoral. A designer apresentou as criações no DFB Festival 2026 – maior semana de moda do Brasil e realizada em Fortaleza (CE) – em um cenário bucólico e representativo: os jardins floridos do Estoril, construção histórica datada de 1920 e marco arquitetônico, hoje sede da secretaria municipal de Turismo, na Praia de Iracema.

Jô de Paula (Foto: Nicolas Gondim)

Joana de Paula é formada em Design de Moda pelo SENAI CETIQT em 1996, no Rio de Janeiro. “Foi muito importante na minha formação, porque é um curso voltado para a indústria, no qual aprendíamos todos os processos, além do estilo, claro”. A extensão foi feita no Fashion Institute of Technology, em Nova York. São 30 anos de experiência e uma trajetória que inclui trabalhos em marcas importantes para a História da moda nacional, como Maria Bonita, Cantão, Mara Mac, Osklen, Animale e Água de Coco. Em Fortaleza (CE), foi sócia-fundadora da Catarina Mina e da label Todos os Poemas até criar a própria grife: Jô de Paula.

Jô de Paula (Foto: Nicolas Gondim)

Como Jô escreveu em um bonito post nas redes sociais celebrando os 300 anos de Fortaleza, “a capital do Ceará é mar, é céu azul, é o Mercado São Sebastião, é Sabiaguaba, é carnaval… Há 21 anos, eu chamo Fortaleza de lar. Foi aqui que minha família cresceu, que meu trabalho ganhou forma e que a vida floresceu na Terra de Iracema. Entre sons de Cidadão Instigado, sobres de pratinho e tantas outras maravilhas que só existem aqui. Hoje celebro você, minha cidade escolhida”.

Jô de Paula (Foto: Nicolas Gondim)

Jô de Paula (Foto: Nicolas Gondim)

Desde 2016, especializada em design de moda e produto com atuação em artesanato, Jô de Paula também é consultora de desenvolvimento de produto da CeArt, tornando-se, em 2023, a primeira designer contratada integralmente pelo departamento de Projeto, Pesquisa e Desenvolvimento. Foi ela quem cocriou também o impactante desfile 100% CeArt (Central de Artesanato do Ceará), que deu o start nessa edição do DFB Festival, maior plataforma da moda autoral brasileira, e que você, leitor (a), pode conferir no link abaixo.

Leia mais: DFB Festival: 100% CeArt traduz “Do Sagrado ao Encanto” em narrativa da moda autoral cearense

Ao estrear oficialmente no DFB26 com sua marca própria, a estilista transformou a passarela ao ar livre em uma espécie de linha do tempo, fazendo a conexão entre passado, presente e futuro e costurada em tecidos, bordados e lembranças. A participação teve sabor de celebração. Agora, em julho, Jô completa três décadas de atuação na moda, percurso que começou no Rio de Janeiro, passou por grandes marcas nacionais e encontrou no Ceará sua principal fonte de inspiração e propósito: a união entre moda autoral e artesanato de luxo contemporâneo. “Participar do DFB é muito importante porque é o maior evento que a gente tem no país de moda autoral. É uma grande honra”.

Jô de Paula (Foto: Nicolas Gondim)

Ela homenageou ainda a tia, Cheila de Paula, “estilista que me inspirou a escolher esse caminho. Com ela, aprendi a ouvir o tecido, que a modelagem é a base de tudo. E que o avesso é tão importante quanto o direito. Aprendi que a moda não é futilidade. É profundidade! Sua marca, Crazy Queen (rainha dos tules), tinha um olhar preciso para o ordinário e a maestria de transformá-lo em extraordinário. Criar é mergulhar em si. Fantasmas, sombra, luz”.

Durante nossa entrevista antes do desfile em Fortaleza, Jô fez questão de ressaltar que a criação da coleção para o DFB Festival nasceu justamente desse exercício de revisitar a própria trajetória. Quando eu integrei, em maio, uma exposição dedicada ao design feminino, batizada “Design por mulheres”, realizado no Museu da UFC – MAUC, inspirou e despertou um movimento de revisitar caminhos percorridos, escolhas criativas e pessoas fundamentais em sua formação. O resultado foi uma coleção construída como um mapa emocional, onde passado e presente se encontram para revelar as camadas que compõem sua identidade.

Jô de Paula (Foto: Nicolas Gondim)

Jô de Paula (Foto: Nicolas Gondim)

Foram as mulheres de sua vida que alimentaram o repertório afetivo, os gestos, as narrativas e as experiências compartilhadas que se convertem em matéria criativa para Jô de Paula, tornando-se parte indissociável da construção das peças e da elaboração do processo autoral entre o design de moda e as culturas do feito à mão. Nesse sentido, sua autoria não se define apenas pela assinatura estética, mas pela capacidade de integrar sistemas produtivos, narrativas locais e relações de colaboração que sustentam uma compreensão expandida da moda como campo cultural e não apenas como objeto de consumo.

Jô de Paula, coleção “Pedaços de Mim – Uma Cartografia Pessoal” (Foto: Paula Matos)

Jô de Paula, coleção “Pedaços de Mim – Uma Cartografia Pessoal” (Foto: Paula Matos)

Jô de Paula, coleção “Pedaços de Mim – Uma Cartografia Pessoal” (Foto: Paula Matos)

Jô de Paula, coleção “Pedaços de Mim – Uma Cartografia Pessoal” (Foto: Paula Matos)

Jô de Paula, coleção “Pedaços de Mim – Uma Cartografia Pessoal” (Foto: Paula Matos)

Jô de Paula, coleção “Pedaços de Mim – Uma Cartografia Pessoal” (Foto: Paula Matos)

Na passarela, eu vi uma estética sofisticada, na qual linho, algodão, organza, cambraia e tule dialogaram em modelagens de rigor técnico e refinamento construtivo. A coleção mostrou uma criadora profundamente comprometida com todos os processos que antecedem o produto final, compreendendo a criação como um campo fértil de criatividade e coletivamente na prática cotidiana no universo da moda.

Gosto dos processos da moda. Da modelagem, dos acabamentos, do tecido e do trabalho manual. Esse é o grande diferencial do que acredito como moda, como marca e como conceito de vida – Jô de Paula

Jô de Paula, coleção “Pedaços de Mim – Uma Cartografia Pessoal” (Foto: Paula Matos)

Jô de Paula, coleção “Pedaços de Mim – Uma Cartografia Pessoal” (Foto: Paula Matos)

Jô de Paula, coleção “Pedaços de Mim – Uma Cartografia Pessoal” (Foto: Paula Matos)

Jô de Paula, coleção “Pedaços de Mim – Uma Cartografia Pessoal” (Foto: Paula Matos)

Jô de Paula, coleção “Pedaços de Mim – Uma Cartografia Pessoal” (Foto: Paula Matos)

Jô de Paula, coleção “Pedaços de Mim – Uma Cartografia Pessoal” (Foto: Paula Matos)

A coleção “Pedaços de Mim– Uma Cartografia Pessoal” é pura sofisticação sem excessos. Praiana, cosmopolita, confortável, descomplicada. “O artesanato é o fio condutor. Bordados à mão, renda filé, labirinto, técnicas que entrelaçam histórias. Unem a vida de quem cria, faz, vive e respira a beleza de ser mulher. Uma dança circular de sabedoria, ancestralidade e tradição”, contou Jô de Paula.

São sistemas vivos de conhecimento, resultado de experiências coletivas sedimentadas ao longo do tempo. Cada bordado, trama, renda, tecelagem ou tingimento natural carrega uma inteligência construída na relação entre corpo, matéria e território, revelando que o fazer manual é também uma forma de produzir memória, identidade e pertencimento. Propiciam reflexões sobre ancestralidade, sustentabilidade, diversidade cultural e permanência dos saberes tradicionais. O encontro entre designers e comunidades artesãs produz um espaço de conexão entre tradição e inovação, no qual os códigos culturais são reinterpretados sem perder potência simbólica. O valor do artesanal, portanto, tem a capacidade de atualizar repertórios históricos diante das demandas do presente, demonstrando que tradição é sinônimo de continuidade criativa.

Jô de Paula, coleção “Pedaços de Mim – Uma Cartografia Pessoal” (Foto: Paula Matos)

Jô de Paula, coleção “Pedaços de Mim – Uma Cartografia Pessoal” (Foto: Paula Matos)

A singularidade das peças, as pequenas variações decorrentes da ação humana e a dedicação exigida por cada técnica passam a constituir atributos de excelência. A coleção conta com o trabalho de artesãos e grupos cearenses especializados em técnicas tradicionais, entre eles: Margarida Gonçalves, bordado à mão e ponto cruz (Fortaleza); D. Benedita Sales, bordado à mão e richelieu (Maranguape); Victor Alan, renda filé (Jaguaribe); D Inácio, bordado à mão (Paraipaba); Dalvanir Monteiro Marcelo, labirinto (Cumbe / Aracati); Aila Maria Fernandes, labirinto (Beberibe); Marinez, labirinto (Aracati); e Genivalda Brauna, crochê (Fortaleza).

Para o desenvolvimento e a apresentação da coleção, Jô de Paula tem como parceiros LMM Têxtil (tecidos), Caxo Cria (estamparia botânica), Elemento Fio (acessórios), Jomara Cid Chapelaria (head piece e cintos), Terra da Luz (calçados) e Cyber Etiquetas (composição).