Moda & Beleza

Colatina: a capital do pólo de confecções atrai compradores de todo o país ávidos por novidades semanais

Cidade do Espírito Santo é uma verdadeira incubadora de empresas com projeção nacional e ganha versão business em semana de moda

Publicado em 21/08/2014 | Por Heloisa Tolipan

A cidade de Colatina, no Espírito Santo, tem o título oficial de Capital do Pólo de Confecções do Estado do Espírito Santo e é uma dos maiores referências em atacado do país. A relevância é tão grande que os holofotes da semana de moda batizada Vitória Moda se voltaram para aquela cidade e uma edição business foi realizada no Shopping Moda Brasil, sob a coordenação do Sistema Findes, Câmara do Vestuário e SEBRAE-ES. O resultado? R$ 17 milhões em negócios no atacado e com direito a desfiles no shopping com a presença de atores, como Raphael Vianna e Lucas Malvacini, e até do ex-BBB André Martinelli, o que atrai uma enxurrada de público, é claro.

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Fomos conferir o que esta cidade está deixando como chancela no que diz respeito à moda. A pluralidade é fascinante e impressionante. Só para vocês terem uma ideia, o Shopping Moda Brasil, hoje distribuído em uma área de 14.200 metros quadrados, com 60 lojas de moda de atacado feminina, masculina, lingerie, fitness, moda praia, plus size e acessórios, está expandindo os seus territórios com a mega construção de um novo centro de comercialização, investimento no montante de R$ 50 milhões e batizado Cidade Sol.

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Em Colatina estão também grupos fortíssimos para a moda nacional, como PW-Brasil Export S/A, que detém as marcas Missbela e Vide Bula, sob a direção do empresário Paulo Roberto Vieira; e o Grupo GB de Costumização de Jeans, de Marco Britto, responsável pela costumização de milhões de jeans para as mais famosas grifes do país.

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Em Colatina, conversei com o diretor técnico do Sebrae-ES, Benildo Denadai. Segundo ele, “a indústria do vestuário e a sua forma de comercialização tem mudado radicalmente. Ao voltarmos os nossos olhos para Colatina como primeiro município a receber a iniciativa de uma semana de business paralela ao que foi apresentado nas passarelas da capital Vitória, estamos divulgando e apoiando uma interiorização de ações de moda. Abrindo um leque cada vez maior para mostrar ao país a economia criativa pulsante de um estado como o Espírito Santo”. Como nós mostramos aqui, no site HT, o tema desta edição do Vitória Moda foi “Cinco Sentidos – Razão e Emoção”. E, no Itamaraty Hall, na capital do Espírito Santo, além de 17 desfiles, foi dado ênfase a um Salão da Economia Criativa, com produtos de 20 micro e pequenas empresas ligadas à arte, cultura, moda, artesanato e audiovisual. A curadoria do espaço ficou a cargo da competente Jacqueline Chiabay, responsável pela mostra, onde os expositores exibiram produtos associados a negócios criativos.

José Carlos Bergamin, que está à frente da Câmara do Vestuário do ES e é coordenador do evento, é tácito ao afirmar: “Todas as oportunidades oferecidas pela Findes para disseminar os princípios e as próprias atividades da economia criativa têm sido aproveitadas pelo setor. Por isso, inserir no Vitória Moda exemplares de empresas com significante conteúdo criativo, que é o que estamos fazendo ao investir no Salão da Economia Criativa, faz todo sentido. Entre as vantagens da indústria criativa, eu poderia citar sua baixa poluição, o fato de ser uma atividade que não é pautada pelo gigantismo, a questão de demandar menos insumos naturais, representar atividades mais rentáveis e valorizar o ser humano, com práticas mais saudáveis, que garantem a longevidade das pessoas, em um ambiente social de menos conflito.”

Benildo Denadai lembra que das 17 grifes que desfilaram no Vitória Moda, 14 eram de micro e médio porte. E sinaliza que, a próxima edição do Vitória Moda pode ganhar uma extensão em Vila Velha, cidade que também está mostrando sua potência na comercialização de vestuário. “A nossa investida poderá ser um evento voltado para a pronta-entrega e realizado em Vila Velha”, confirma.

O presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo, Marcos Guerra, é diretor-presidente do Grupo Guermar, que detém as grifes Presidium, AZ Jeans, Jeans Genius e Donna Linda, e um defensor do apoio integral às micro e pequenas empresas e interiorização das ações do Sistema Findes para os 78 municípios do estado. Ele foi fundador e presidente por três mandatos do Sindicato da Indústria do Vestuário de Colatina e fala com expertise sobre o perfil do comprador da moda que atende a todas as classes sociais e é produzida no local. “Aqui, a questão é a compra semanal. As pessoas que vêm de todos os estados do país querem mercadoria nova a cada sete dias. Não podemos ficar pautados por estações e conceitos de semanas de moda. A questão é produzir e muito”. A procura pela roupa produzida em Colatina é tão grande, que, de acordo com Marcos Guerra, são cada vez mais necessários cursos profissionalizantes para costureiras, alfaiates, modelistas. “Queremos formar os profissionais em nosso próprio estado e mantê-los aqui. Este é um conceito moderno também de sustentabilidade aliada ao regional”, afirma.

Para o diretor administrativo do Shopping Moda Brasil, Júlio César Machado Bezerra, o sucesso do evento se concretizou em cima do pilar integração entre lojistas e representantes de marcas capixabas. “Vamos melhorar a cada edição e atrair empresários e consumidores para conhecerem as novidades e o crescimento do polo local”, promete.

Preciso ressaltar o trabalho de José Carlos Bergamin, da Câmara do Vestuário do Espírito Santo e diretor da grife Konyk, que apresentou um belo desfile no Vitória Moda. O desfile de moda masculina de maior destaque trouxe à passarela o ator Joaquim Lopes. Com a temática “Al mare”, a Konyk apresentou âncoras, nós de marinheiro e o movimento das marés, que vieram em estampas (algumas pintadas à mão), acessórios e acabamentos, tudo remetendo ao contexto náutico. As listras, que também são associadas às atividades marinhas, estiveram bem presentes na coleção. A cartela de cores ficou por conta de tons como o branco, o areia, o amarelo, o marinho e as variações de azul.

A Konyk conseguiu elaborou sua moda praia sem que isso ofuscasse toda a coleção. Para conseguir o feito, trabalhou – muito bem – a alfaiataria, colocando-a em um contexto moderno e adequado para o verão, seja na modelagem, seja nos tecidos. Aliás, a marca usou materiais já conhecidos, mas em releituras interessantes: o linho, que dominou a coleção, foi tinturado, e o jeans ganhou versões resinadas e sublimadas, de modo que as estampas no denim criaram um resultado incrível. As malhas também ganharam fibras de linho e de denim, valorizando as peças. Nas calças e nas bermudas, a modelagem reta foi a mais vista na passarela da marca, mas o comprimento da barra subiu poucos centímetros, ficando acima do tornozelo (quando nas calças) ou do joelho (nas bermudas). As sungas, por sua vez, ficaram mais largas, seguindo a modelagem boxer.

Bergamin é tácito ao comentar que o calendário nacional da moda ditado pelas semanas do eixo São Paulo-Rio não são parâmetros para esta engrenagem de produção de moda para um público ávido por novidades a cada semana. “Com a ascensão da classe C, com a velocidade da internet e do que as novelas ditam na TV, nós temos uma realidade muito diferente”, afirma. É gente… é a tal pluralidade na moda que tanto venho constatando por minhas andanças e batendo por aqui para vocês.

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