Moda & Beleza

Abertura do Rio Moda Rio tem homenagem a Company, Yes Brasil, George Henri e Maria Bonita com direito à Xuxa e Silvia Pfeifer na passarela

O curador Gringo Cardia foi quem idealizou o enorme desfile que lembrou as quatro grifes que marcaram a moda carioca. “Eu sou um tradutor. Ouço histórias e as faço virar elementos visuais. Isso é o que eu trago para o Rio Moda Rio”

Publicado em 15/06/2016 | Por Karina Kuperman

Mais de 50 modelos, quatro marcas e uma única performance. Assim foi a abertura da primeira edição do Rio Moda Rio, que, em sua estreia, prestou uma homenagem à Company, Yes, Brasil, George Henri e Maria Bonita, quatro marcas icônicas dos anos 80 do Rio. Na passarela, Xuxa e Silvia Pfeifer – eternas tops atraíram todos os holofotes a bordo de roupas que marcaram a história da moda carioca. O curador Gringo Cardia, responsável pela consultoria do evento, foi também quem teve a ideia de levar a rainha dos baixinhos novamente ao catwalk.

“A Yes, Brasil não podia deixar de ter a Xuxa. É muito legal, porque sempre causa uma sensação em qualquer pessoa. É uma noite de resgatar memórias e temos a memória de um Rio de Janeiro alegre. Acho ótimas essas homenagens”, disse. E não foi só na passarela que a apresentadora causou frisson. “Todas as modelos estão atrás dela querendo fotos. Essa criança eterna da Xuxa faz todo mundo ter a mesma energia”, declarou Gringo, emocionado por viver o início de uma nova plataforma fashion.

“Hoje é uma noite que resgata o Rio como uma cidade que propaga a moda. Esse evento traz isso de maneira desprensiosa, mostrando conceitos através de performances que vão além de passarela”, analisou. É aí, aliás, que entra seu trabalho: “Eu sou um tradutor. Ouço histórias e as faço virar elementos visuais. Isso é o que eu trago para o Rio Moda Rio”, contou.

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(Foto: Reprodução/Instagram)

Luiz Calainho, um dos idealizadores do evento, nos contou que o sentimento é “pura felicidade e alegria”. “Eu, que tenho investimentos em teatro, música e arte, sempre considerei a moda como um dos pilares da chamada economia criativa. É uma forma poderosa de criar. Desenhar um vestido, pensar uma estampa: isso é arte. Então sempre desejei investir no setor, mas de maneira que fizesse a diferença, que elevasse o assunto para além do ecossistema da moda”, explicou ele, nome à frente do ArtRio desde sua estreia. “É importante que entendam que a moda, sobretudo no Rio de Janeiro, é fundamental. Estamos nascendo agora e seremos uma plataforma que fará diferença no Brasil inteiro. O Rio Moda Rio vai além da própria semana, isso é o mais legal. Nós construímos uma filosofia”, afirmou, endossado por Gringo: “Resgatar a identidade carioca é maravilhoso em um momento de baixa autoestima brasileira”.

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Luiz Calainho era pura felicidade na estreia do Rio Moda RIo (Foto: AgNews)

O curador, aliás, explicou que os homenageados representam a moda do Rio. “Simão Azulay, Mauro Taubman, Maria Cândida Sarmento e George Henri são parte da história e reverberam o Rio para o Brasil”, elogiou.

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Gringo Cardia é o curador do evento (Foto: Reprodução)

Alexandre Aquino, sócio da Maria Bonita, definiu a coleção como “emblemática”. “Foi a última que a Maria Cândida desfilou no Fashion Rio, no MAM, em 2002, pouco antes de falecer. Apresentamos essas peças em junho e ela faleceu em dezembro do mesmo ano”, explicou ele, que ficou surpreso com o convite da homenagem. “Eu não esperava, porque tinha muita coisa acontecendo. Passamos um tempo fora das semanas de moda, pois a empresa diminuiu muito. Eram 48 lojas e hoje estamos com uma só, editando clássicos da Maria Bonita. É um pequeno recomeço, então a partir do momento que eu conseguir estabilizar o negócio quem sabe volte a desfilar no formato tradicional?”, levantou ele, que considera os anos 80 uma “loucura criativa”. “Eu, particularmente, vivi muito profissionalmente os anos 90. Os 80, em termos de moda foram o boom da criatividade. O mercado de consumo explodiu. Tiveram muitas coisas cafonas, over, mas era divertido”, opinou ele, que revelou: Cândida não gostava de homenagens. “Ela deve estar xingando de onde está (risos), mas é uma das figuras emblemáticas da moda carioca e merece muito”.

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Quem merece tanto quanto é George Henri. O “belga brasileiro” que foi ícone da moda nos anos 80 ganhou uma homenagem para lá de especial com direito à Silvia Pfeifer no casting. Maxime Perelmuter, filho do estilista, contou que viveu a época de perto. “Essa é um momento único em que a energia convergiu: ter essa retomada da moda carioca e a reunião das coisas do meu pai. Estou muito feliz. Tudo isso é familiar demais para mim, acompanhei, então está no inconsciente”, contou ele, que acredita que a moda está voltando “para onde saiu”. “O que foi mostrado na passarela eu vi nascer, o japonismo, que veio lapidar as formas amplas dos anos 80. Talvez, economicamente, a moda esteja voltando para os anos 90 e criativamente eu espero que vá para o início dos anos 80, em que tudo era feito de forma autêntica, com foco mais no trabalho do que no mercado”, disse.

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Maxime Perelmuter é filho de George Henri (Foto: Reprodução)

Logo após a performance, Thomaz Azulay, filho de Simão, nos contou que achou o desfile “um soco bom no estômago”. “Foi demasiadamente emocionante. Eu não tinha visto o filme que passaram. A família cedeu as roupas do acervo e o material de fotos, mas, de resto, foi tudo bem surpresa”, explicou ele, que chegou ao Pier Mauá carregando roupas para ninguém menos do que… Xuxa. “Quem fez o styling foi o Felipe Veloso e, de última hora, trouxe o look para a Xuxa. Era uma roupa que só consegui agora, com a bota dela. Na verdade a bota da Yes, Brasil que virou clássico da Xuxa, com o jeans rasgado, tinha tudo a ver. Ela ficou louca quando viu, muito emocionada”, contou. De fato, a rainha dos baixinhos, que participou de todos os desfiles da marca, declarou que sua história com a Yes é muito forte.

“O Simão Azulay fazia as peças pensando na minha pele, na cor dos meus olhos”, disse ela, em entrevista ao GNT, que confessou: não era presença garantida nas outras passarelas porque era considerada “cheinha”. “E também eu não era muito alta. Eu era modelo e não manequim. Tinha essa diferença. E eu não era bem tratada pelas outras manequins. Elas falavam ‘ih, chegou a modelinho’”, lembrou ela, que foi além: “Criticam muito os estilistas e o mundo da moda pela ditadura da magreza, mas nós somos os maiores críticos sobre nós mesmos. Quem nunca escolheu uma roupa porque ela ‘emagrece’? Quem nunca optou por preto porque ‘esconde as gordurinhas’?”, questionou Xuxa.

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Sua tradicional “dançadinha” na passarela foi ovacionada e Thomaz, que encerrará a semana de moda carioca com sua apresentação da The Paradise, sua nova marca, definiu o sentimento. “A sensação é de dever cumprido…”, brincou ele, que não adiantou nada sobre o seu desfile: “Só posso dizer que vai ser nessa sala (risos). Vamos ocupá-la de maneira linda. Não é um desfile clássico, mas uma experiência”. Mal podemos esperar.

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