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Sérgio Marone sobre ativismo em prol do meio ambiente: ‘O país está dividido, mas estamos falando de bem comum’

"Temos que mudar essa consciência de apenas falar em salvar o planeta. Ele vai continuar, com micróbios, bactérias... nós temos que nos salvar, lutar pela humanidade. Estamos comprometendo a vida na Terra", frisa

Publicado em 13/06/2019 | Por Heloisa Tolipan

*Por Karina Kuperman

Essa semana contamos aqui, no site HT, que Sérgio Marone, Mateus Solano, Thaila Ayala, Jacqueline Sato e um time de famosos estiveram com a Procuradora Geral da República, Raquel Dodge, para debater sobre medidas adotadas pelo atual governo para o meio ambiente e entregar uma carta, assinada por famosos como Glória Pires, Alinne Moraes, Taís Araújo e outros, que pede revisão de medidas que “colocam em risco nossa biodiversidade, cultura, a saúde e o bem-estar das pessoas. “Nós, como cidadãos e sociedade civil, precisamos nos unir para falar de meio ambiente, crise climática, situações que estão aí debaixo dos nossos olhos e que podem trazer consequências catastróficas”, explica Sérgio Marone, em entrevista exclusiva.

“Muita gente não acredita, porque infelizmente vivemos em um país governado por líderes que negam e denigrem a ciência. Só que 97% dos cientistas afirmam que o homem é responsável por tudo isso. Temos obrigação de lutar pelo meio ambiente. E quando falamos de meio ambiente não é ‘só’ natureza. É saúde, educação, alimentação, ar puro, água, tudo”, frisa.

Sérgio Marone e um libelo pelas questões ambientais (Foto: Stucky)

Essa não é a primeira vez que Sérgio se envolve com questões desse tipo. Em 2011, esteve à frente do Movimento Gota d’Água e, com outros famosos, como Juliana Paes e Maitê Proença, fez um vídeo contra a instalação da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, que destruiria o Parque Nacional do Xingu. “Não penso muito na política em si. A minha questão é socioambiental. Mas estamos em um momento de retrocesso absurdo. Precisamos nos organizar para frear esse desmonte de um sistema de proteção ambiental criado não ontem, mas há 30 anos. É democrático, feito por diversos governos. Cogitou-se acabar com o Ministério do Meio Ambiente, mas, da maneira que está, a serviço do agronegócio, é até inútil manter”, lamenta. “Entendo que estamos em um momento em que o país está dividido, mas estamos falando aqui de bem comum, da sobrevivência das próximas gerações e da biodiversidade do planeta. O futuro está em risco”, alerta.

O ator já encabeçou movimentos como Gota d’Água e #paredechupar (Foto: Stucky)

Além do ativismo em larga escala, Sérgio também adota essa postura nas pequenas atitudes do dia-a-dia. “Só uso bucha natural para lavar louça, que eu posso jogar em qualquer vaso de plantas aqui de casa. Aquelas amarelas são plástico puro. Além disso, faço desodorante e pasta de dentes em casa. Tenho uma composteira doméstica onde jogo meu lixo orgânico para as minhocas comerem e, claro, não uso plástico. Carrego o meu copinho do ‘Menos 1 lixo’ e talheres para onde for. Sacola de plástico nem pensar. Fico até constrangido de andar com uma”, revela. E, claro, usa sua influência para dar bons exemplos. “Tento plantar essa semente nas minhas redes sociais. Nós, enquanto pessoas conhecidas, que temos a possibilidade de chegar em tanta gente, temos obrigação de fazer essa conscientização do cidadão, do indivíduo. Mas a mudança só acontece se for em três pilares: individual, sociedade civil e mudanças corporativas, de grandes empresas, para que evitem embalagens. Um governo com leis, como o Canadá, por exemplo, vai banir todo plástico de uso único”, elogia.

Sérgio Marone aprendeu a fazer o próprio desodorante e suas pastas de dentes (Foto: Stucky)

A questão do plástico é, de certa forma, recente na vida de Sérgio. “Fui me atentar de um ano e meio pra cá”, assume ele, que, desde então, se comprometeu a lutar pela causa. Em junho do ano passado, reuniu um time de famosos para um vídeo do movimento #paredechupar, que colocou em foco a produção e consumo desenfreados de plásticos descartáveis no mundo, especialmente canudos. O objetivo? Sensibilizar e mobilizar a sociedade, empresas e governos e repensarem o consumo e caminhar para a substituição do material. “Usamos 15 minutos, e dura 500 anos. Não existe jogar fora. Jogamos aqui”, diz ele, que vai além: “Temos que mudar essa consciência de apenas falar em salvar o planeta. Ele vai continuar, com micróbios, bactérias… nós temos que nos salvar, lutar pela humanidade. Estamos comprometendo a vida na Terra”, conclui.

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