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Osmar Prado sobre o cenário político no Brasil: “Estamos vivendo tempos difíceis. Com golpes midiáticos e judiciários”

Osmar não tem muitas esperanças com o caminho que a sociedade brasileira está seguindo. Ele traçou um paralelo dos acontecimentos do ano de 1964 com os últimos tempos. “É parecido com o golpe inusitado, midiático, judiciário e congressual de 2016"

Publicado em 04/09/2018 | Por Ana Clara Xavier

Osmar Prado sempre foi autêntico e faz questão de dar seu ponto de vista sobre todos os temas desse país. O ator deixa claro aquilo o que pensa e, em momentos de eleição, é um dos mais ativos na militância petista. E diz que tem total liberdade na TV Globo quanto sua opção política. “Todos respeitam meu ponto de vista. Nunca escondi o que penso. Assim como eu aceito as condições que me oferecem”, garantiu em papo com o site HT. O ator possui contrato até 2022 e cultiva uma parceira de anos com a emissora. Para manter esta relação saudável, inclusive, Osmar tenta não desqualificar os oponentes políticos de seu partido. “O que posso dizer é que o melhor candidato para a construção da nossa sociedade ainda é o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Temos que cuidar do que falamos”, opinou.

Osmar Prado defende a sua posição política e a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado pela Lava Jato (Foto: Divulgação)

Osmar Prado defende a sua posição política e a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado pela Lava Jato (Foto: Divulgação)

Osmar esteve afastado das novelas em 2018, mas às voltas com duas séries. “Evidentemente deverei estar em alguma novela em 2019. Tenho a impressão que a TV Globo, respeitando o meu posicionamento, não me colocou no ar por saber que falo mesmo de oponentes políticos. Por isso, me deixou à vontade neste período para novo projeto no futuro próximo em novela”, comentou. Atualmente, o ator está gravando a segunda temporada de Ilha de Ferro, que deve ser lançada no ano que vem. Além disso, também está no elenco do seriado Os Experientes, que ainda não tem previsão de estreia.

No final de agosto, Osmar Prado levou para casa o Kikito de Melhor Ator do 46º Festival de Cinema de Gramado pelo trabalho no filme 10 Segundos Para Vencer, que conta a história do boxeador Éder Jofre. “O filme aborda um pouco as relações humanas e tem isso como pano de fundo para mostrar a trajetória desta carreira. Parece, na verdade, que o longa vai falar sobre o boxe, mas mostra estes sentimentos tocantes. Da busca de um pai por um campeão para poder se realizar como ex-boxeador”, explicou. No longa, ele interpreta o pai deste vencedor internacional. Durante a pesquisa para viver o personagem, ele comentou que precisou ir atrás das lembranças do seu passado e a relação com o pai. “Uma situação muito similar ocorreu comigo. O meu pai era um artista em potencial que não deu sequência e viu em mim a pessoa que continuou o que ele não teve coragem de viver. Nós tivemos muitos embates que eram decorrentes de muito amor e a grande preocupação dele de eu acabar morrendo de fome. É um grande paralelo”, lembrou.

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Além de trazer esta personalidade forte paterna, o ator levou para este personagem um grande espírito saudosista. De acordo com ele, os momentos de glória de Éder Jofre significam muito mais do que uma simples vitória no pugilismo. “O Éder tornou-se um herói brasileiro. Nós tínhamos a democracia, perspectiva… Até que, em 1964, veio o golpe militar que acabou com isto tudo”, lamentou. Nesta época, inclusive, Osmar Prado já havia iniciado sua carreira pelo mundo das artes. “Era um Brasil que estava dando certo antes do maior desastre”, garantiu.

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Osmar Prado afirma que estamos vivendo tempos difíceis (Foto: Divulgação)

Osmar não tem muitas esperanças com o caminho para qual a sociedade brasileira está seguindo. Ele traçou um paralelo dos acontecimentos do ano de 1964 com os últimos tempos. “É parecido com o golpe inusitado, midiático, judiciário e congressual de 2016. Tudo isto para destituir a presidente legitimadamente eleita. A partir disso, passou-se a condenar os indesejáveis do sistema mesmo sem provas como é o caso do presidente Lula e de outros tantos. As pessoas criam provas de delitos e trancafiam outras para conseguir delações. Isto está escancarado! Cadê a Justiça e o Superior Tribunal Eleitoral? Estamos vivendo tempos difíceis”, lamentou.

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