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Dr. Alessandro Martins responde: “Qual a relação entre prótese de mama e câncer de mama?”

Em sua coluna quinzenal no site HT, Dr. Alessandro Martins, que é especializado em reconstrução das mamas, segue tirando dúvidas sobre a cirurgia de prótese mamária. "O fato de você ter uma prótese não impede de você fazer diagnóstico do câncer", explica

Publicado em 13/11/2018 | Por Junior de Paula

*Por Dr. Alessandro Martins

A prótese de mama é hoje em dia um dos procedimentos mamários mais comuns dentre as cirurgias estéticas. É procurada tanto por pacientes jovens quanto mais velhas. Existe uma lenda de que o fato da paciente ter um implante mamário possa ser um fator que poderia confundir ou mesmo dificultar o diagnóstico precoce de um câncer de mama. Entretanto, essa afirmação não é verdadeira. O fato de você ter uma prótese não impede de você fazer diagnóstico do câncer, uma vez que hoje em dia a gente tem uma grande evolução das técnicas de imagem, entre elas, o desenvolvimento da ressonância nuclear magnética. A ressonância é o exame de escolha para fazer o acompanhamento das mamas em pacientes que foram submetidas a essa cirurgia, servindo tanto para avaliar complicações do implante, como para ver doenças benignas ou malignas na mama.

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Uma questão comum é se a paciente que coloca a prótese de mama poderia fazer mamografia digital. A mamografia também poderia ser feita, hoje em dia, em pacientes com prótese de mama e é um exame muito específico para pesquisa de doença maligna na mama. Então, por isso, que mesmo com a prótese, as pacientes podem fazer a mamografia sem risco de romper a prótese.

Outra dúvida é se as pacientes que colocariam prótese pela axila, poderiam ter dificuldade no diagnóstico ou na pesquisa de gânglios comprometidos por câncer quando uma paciente tivesse câncer de mama. Muitos trabalhos foram realizados mostrando o fato da prótese ser colocada pela axila. Isso não muda a drenagem da mama para os linfonodos axilares. Portanto, não prejudica a pesquisa do linfonodo sentinela, que é um exame extremamente importante para saber se o câncer de mama está somente na mama ou se ele se expandiu para a axila.

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Mais curiosidades a respeito da prótese: o plano de colocação dela poderia de alguma forma atrapalhar o diagnóstico do câncer? Isso é um outro fator não verdadeiro, tanto em próteses submusculares, como em próteses subglandulares. O implante não prejudica o diagnóstico. Até porque o exame de apalpação da mama não pega os casos precoces e sim os casos avançados, então não é o exame de preferência para se diagnosticar o câncer.

Por fim, existe uma doença chamada linfoma anaplásico de grandes células. É um linfoma que se origina das células de defesa do sangue. Recentemente tem sido documentado alguns casos desse tipo de linfoma na mama em pacientes que tem prótese. São casos muito raros e poucos no Brasil, mas hoje em dia não se sabe o comportamento da doença e qual a real relação entre a prótese de mama e o desenvolvimento desse linfoma nas mamas. O fato é que é uma doença que tem uma evolução clínica bastante favorável e o principal sintoma desse tipo de câncer seria o aumento das mamas numa fase tardia da cirurgia com a presença de líquido, que chamamos de seroma. Os seromas tardios seriam um alerta para se pesquisar a presença de um linfoma nessas pacientes.

O tratamento dessa doença seria, então, a retirada da prótese, juntamente com o tumor, mas ainda não está descrita qual a real importância e qual o real fator de risco entre próteses e esse tipo de câncer.

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