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Rock in Rio Day 7 – Paralamas em sinergia com vibe do show há 34 anos e o high tech do Muse

A última noite do RIR teve ainda Nickelback, com tamanha popularidade e números estratosféricos ostentados pelo grupo nas plataformas de streaming: 1,5 bilhão de views no YouTube e 1,4 bilhão de reproduções no Spotify. Imagine Dragons fez jus à fama: suas canções foram cantadas em coro pela imensa plateia. Logo no começo do show, o vocalista e líder Dan Reynolds conta que seu pai viveu no Rio de Janeiro por dois anos há cinco décadas e nunca havia voltado à cidade, mas que estava no backstage

Publicado em 07/10/2019 | Por Heloisa Tolipan

*Por Jeff Lessa

Paralamas do Sucesso abrem o Palco Mundo na última noite do Rock in Rio em sinergia com a primeira apresentação há 34 anos

Imagens de Martin Luther King, Marcelo Yuka, John Lennon e Chico Mendes, entre outros, foram exibidas no telão durante parte do show

Os Paralamas do Sucesso abriram o Palco Mundo na última noite do Rock in Rio 2019 com a mesma vibe com que se apresentaram há 34 anos, na primeiríssima edição do festival. A emoção, é claro, estava em alta. Mas o show foi muito além disso: tecnicamente perfeito, teve um setlist que agradou fãs de todas as fases do grupo. Logo após a abertura com “Sinais do Sim”, faixa-título do álbum de 2017, vieram “Meu Erro”, “Alagados”, “Lourinha Bombril” e a balada “Cuide Bem do Seu Amor”. A sequência bastou para cativar o público.

A apresentação, quarta da banda carioca no RiR (os integrantes haviam tocado em 1985, 2011 e 2015), foi farta em clássicos, o que fez a felicidade da plateia. Mas também foi pontuada por um tom político: enquanto cantavam “Calibre”, “Selvagem” e “Beco”, o telão exibia imagens de Martin Luther King, Cacique Raoni, Nelson Mandela, Marcelo Yuka, John Lennon e Chico Mendes. A foto de uma criança chorando acompanhada pela frase “- bala + amor” deixava o recado ainda mais claro.

O tom crítico pôde ser observado em frases disparadas por Herbert Vianna. Num determinado momento, o líder e vocalista disse que estava feliz por participar de um festival que mostra que o país se integra cada vez mais à linguagem do planeta. Em seguida, elogiou a equipe técnica por “montar um espetáculo desse tamanho num país tão quinto mundo quanto o Brasil”. Ops!

Uma boa surpresa foi a versão em ritmo de ska (mistura de rock e reggae) de “Você”, o clássico de Tim Maia. Não faltaram faixas obrigatórias como “A Novidade” (“Oh mundo tão desigual / De um lado esse carnaval / Do outro a fome total”), “Ska”, “Caleidoscópio” e “Uma Brasileira”. Ao entoar a “Melô do Marinheiro”, de 1986, Herbert brincou com o público, muito jovem: “Vocês provavelmente ainda nem eram nascidos quando lançamos esta música”. A julgar pelos rostos na plateia, tinha razão. “Lanterna dos Afogados” e “Aonde Quer Que Eu Vá” empolgaram. “Vital” e “Óculos”, sucessos imortalizados ainda nos anos 1980, encerraram a noite.

Os Paralamas surgiram no Rio em 1982. A banda foi formada por amigos que se conheceram em Brasília e veio na onda do punk e da new wave. A partir de 1986, com o lançamento do disco “Selvagem”, eles se firmaram como um trio mais influenciado por ritmos brasileiros, latinos e jamaicanos. Os Paralamas são uma das bandas mais longevas e de maior sucesso do rock nacional. Abriram caminho para grupos relevantes, como Legião Urbana, Kid Abelha e Plebe Rude, entre outros. Em janeiro de 2001, Herbert sofreu um grave acidente de ultraleve, em que sua mulher, Lucy, morreu. O músico conseguiu se recuperar, porém, e permanecer na estrada.

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Nickelback empolga o público do Palco Mundo com seus ‘hits’ radiofônicos na última noite do Rock in Rio 2019

Banda canadense participou de festa regada a Jack Daniel’s com integrantes do Imagine Dragons e do Muse na véspera das apresentações

Durante seu show no Palco Mundo neste domingo, o vocalista da banda canadense Nickelback, Chad Kroeger, contou que tinha feito uma farra no hotel com seus companheiros de banda e o povo do Muse e do Imagine Dragons, que também tocaram hoje: “Fizemos uma festinha ontem à noite. Rolou muita bebida. Eu bebi muito uísque”, disse, vestido com uma blusa dos Ramones. Ninguém recomendaria a um músico, especialmente se ele vai cantar, uma noite regada a Jack Daniel’s. Ainda mais se este músico está se recuperando de cistos na garganta. Mas, no final das contas, ele se saiu muito bem, salvo algumas falhas na voz que, de resto, não chegaram a incomodar.

Apesar de ter sido muito criticada ao longo de sua carreira, chegando a receber a alcunha de “A pior banda do mundo”, o Nickelback” agradou (e muito) o público da última noite do RiR. Os maiores hits do grupo já contam mais de duas décadas e são considerados clássicos por quem curtiu a cena musical na passagem dos anos 1990 para 2000.

Hits, aliás, que a plateia está cansada de ouvir no rádio como “Photograph”, “Far Away”, “Hero”, “Rockstar”, “Feed The Machine”, “Hero” e “How You Remind Me”. Todas disseram presente e fizeram a galera cantar junto. Tamanha popularidade não surpreende diante dos números estratosféricos ostentados pelo grupo nas plataformas de streaming: 1,5 bilhão de views no YouTube e 1,4 bilhão de reproduções no Spotify (sim, estamos falando de bi-lhões).

A simpatia da banda, diferente de seu evidente mau humor de tempos atrás, quando parecia estar sempre tentando se defender de bullying, também fez o público se derreter pelo quarteto. O cantor se dirigiu à plateia diversas vezes em português para agradecer os aplausos. “É bom voltar ao Rio, onde cantamos em 2013. Estamos muito felizes. Amigos, estamos de volta para casa”, disse Chad Kroeger.

Em um set mais “hard”, os canadenses tocaram “Sad But True”, da americana Metallica, e o sucesso próprio “Animals”, faixa de seu quinto álbum de estúdio, “All the Right Reasons”, lançado em 2005. “Burn It To The Ground” encerrou a apresentação, que também foi a última da turnê “Feed the Machine”: “Nós amamos vocês, Rio!”.  Os músicos agora estão de férias.

O Nickelback foi formado em 1995 na pequena cidade canadense de Hanna, na província de Alberta. Atualmente o grupo é composto por Chad Kroeger (voz e guitarra) e seu irmão, Mike Kroeger (baixo), Ryan Peake (guitarra, teclado e backing vocal) e Daniel Adair (bateria). A banda já vendeu mais de 50 milhões de discos no mundo todo e detém diversos prêmios. Uma curiosidade: o nome Nickelback vem da época em que Mike Kroeger trabalhava numa cafeteria e, ao devolver o troco para os fregueses, frequentemente precisava dizer “Here’s your nickel back” (“Aqui está o seu níquel de volta”), sendo que “nickel” é a moeda de cinco centavos no Canadá e nos EUA. Bonitinho, não?

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Imagine Dragons levanta o público com mensagem de amor pelo Brasil e sucessos como ‘Whatever It Takes’ e ‘Dragons’

‘O destino me preparou para estar aqui’, disse o carismático vocalista Dan Reynolds, que comentou abertamente seus problemas de ansiedade e depressão e defendeu a causa LGBTQ com direito a bandeira do arco-íris e mensagem de apoio

Conhecida por ser a banda pop mais acessada no Spotify, com mais de 38 milhões de ouvintes mensais, o Imagine Dragons fez jus à fama: suas canções foram cantadas em coro pela imensa plateia. Logo no começo do show, o vocalista e líder Dan Reynolds conta que seu pai viveu no Rio de Janeiro por dois anos há cinco décadas e nunca havia voltado à cidade, mas que estava no backstage: “Ele me mostrou a paixão pelo Brasil. Sempre que tinha futebol, a gente torcia pelo Brasil. A gente sempre tinha guaraná na geladeira. Éramos uma típica família branca americana que fingia ser brasileira”, disse. “No colégio, quando tinha que escolher um país, eu sempre escolhia o Brasil. O destino me preparou para estar aqui”.

Cheio de mensagens edificantes que parecem ter saído de um manual de autoajuda, o simpático vocalista manda ver nas frases que levantam a plateia: “Eu poderia morrer hoje e estaria feliz” e “Eu amo vocês” são só dois exemplos.

Antes de cantar “Birds”, faixa do disco mais recente da banda, Reynolds homenageia pessoas queridas que partiram: “Muita gente aqui perdeu pessoas amadas, então essa canção é para vocês e para elas. Vamos lembrá-los para sempre”. Ele comentou duas perdas pessoais: “Perdi meu melhor amigo, que se matou. Perdi meu cunhado, que teve câncer. Essa música é para eles”. A homenagem pode ter sido feita de improviso, uma vez que a canção não estava no setlist anunciado previamente.

Num tom confessional, Reynolds falou de seu problema de depressão e ansiedade: “Isso não me faz fraco. Não me faz estar quebrado”. Em seguida, ergueu uma placa onde se lia a mensagem “Sua vida vale a pena”. O tom confessional prosseguiu na canção “Bad Liar”, que trata de um período especialmente turbulento do casamento de Reynolds com a cantora Aja Volkman, com quem tem quatro filhos.

Grande apoiador da causa LGBT e da diversidade, Reynolds levantou uma bandeira do arco-íris e disse que estava ali para mostrar que o mundo, mais do que nunca, precisa se unir, sem preconceitos de raça nem distinção de gênero: “Vocês são livres para serem vocês”. Foi ovacionado. Mas se engana que foi para o público G que ele tirou a camisa, exibindo a invejável forma física: o cantor é conhecido por se “descamisar” em todos os seus shows, não importando muito a temperatura local. Sorry.

Outro momento em que a banda esquentou a plateia foi o do cover – que, diferentemente de praticamente todas as atrações do Palco Mundo, não homenageou o Queen: Dan Reynolds mandou uma linda versão de “Every Breath You Take, do igualmente britânico The Police. E foi como se tivesse cantado “Love of My Life”: a multidão acompanhou lindamente.

Como acompanhou os grandes hits do Imagine Dragons, como “Believer”, “It’s Time”, “Whatever It Takes”, “Gold”, “On Top Of The World” e “Demons”, entre outros.

Formado na cidade de Las Vegas em 2009 por Dan Reynolds, Wayne Sermon, Ben McKee e Daniel Platzman, o Imagine Dragons já acumula um Grammy, nove prêmios da Billboard, três American Music Awards e um World Music Awards. É a banda de maior sucesso nesses tempos de streaming.

Aos 32 anos, o carismático vocalista Dan Reynolds é o único integrante original da banda. Criado como mórmon, nunca conseguiu se encaixar nos preceitos da religião. O cantor anunciou que sua quarta filha nasceu na terça-feira (1º), dia em que o massacre que deixou 60 mortos em Las Vegas completou dois anos, e foi batizada de Valentine em homenagem à data. No Twitter, explicou: “O nome Valentine significa força. Como hoje é o aniversário de dois anos do dia mais trágico de Vegas, isso também representa o dia em que celebramos o nascimento de uma nova vida”.

Após surpreender no Lollapalooza 2014 e encher o Anhembi com 20 mil fãs no ano seguinte em turnê solo, o grupo mostrou por que foi promovido a uma das atrações principais do Lolla do ano passado. Agora, chega como headliner do Rock in Rio, evento em que fez sua primeira apresentação.

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MUSE

Muse apresenta show grandioso para fechar o RIR 2019

Banda britânica fez uma apresentação acima da média em que misturou hits como ‘Uprising’ e canções do novo disco

Foto: Vinicius Pereira

O Muse fez um tremendo show para encerrar o Rock in Rio. Simplesmente uma apresentação digna de ser chamada de espetáculo, com tudo que a palavra significa. Teve um palco que mais parecia ficção científica, fumaça cenográfica em profusão, efeitos luminosos de primeiríssima qualidade e Matthew Bellamy com óculos de LED. Estranhos, mas interessantes e capazes de virar objeto de desejo de fashionistas.

Apesar de a plateia já estar um tanto esvaziada em função do horário (o show começou à meia-noite e 40), a banda britânica mostrou entusiasmo e garra para fazer um showzaço. A abertura com “Algorithm” já impressionou com os músicos usando roupas de LED, muitos sintetizadores e uma pegada mais eletrônica. O coro, os robôs gigantes e o alien imenso, que ocupava quase o palco inteiro também vão ficar na memória de quem viu o show. Não há maneira de esquecer.

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A banda faz o que se chama rock de arena, ou seja, música para lotar estádios e espaços gigantescos como o do RiR. E é isso que eles vêm fazendo em seus 25 anos de existência. Apesar do espaço esvaziado, a banda tem cartas na manga: seus hits sensacionais, que levaram o público a cantar com garra canções como “Uprising”, “Plug in Baby”, Starlight”, “Supermassive Black Hole”, “Time is Running Out” e “Hysteria”.

O show faz parte da turnê do álbum “Simulation Theory”, iniciada no ano passado. No disco, eles falam sobre temas como realidade virtual e algoritmos. O tom das canções é épico, o que deixou a apresentação com ares de ópera. O som mistura o rock “progressivo de arena” com eletrônica, synthpop e rap. Eles também tocaram músicas no novo disco, como “Propaganda”, “The Dark Side” e “Thought Contagion”.

O trio já havia se apresentado no Brasil, no Rock in Rio de 2013 e no Lollapalooza de 2014. Além disso, os músicos abriram a turnê do U2 no país, em 2011, e tocaram solo em 2008 e 2015. O cuidado com o visual talvez tenha sido a maior surpresa. A apresentação começou com um bando de trombonistas vestindo roupas de LED que piscavam (!). Matt Bellamy usou uma fantasia de andróide e foi variando seus modelitos ao longo da apresentação.

No final, a impressão que ficou foi de um trabalho mais que bem-feito. Trata-se de um monumento.

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