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Rock in Rio Day 4 – Discurso pacifista de Dinho, do Capital Inicial, à homenagem de Red Hot Chili Peppers a Ric Ocasek

O RHCP fechou a noite com um show cheio de surpresas. Uma delas foi a bonita lembrança a Ric Ocasek, líder do Cars, morto no mês passado, com a canção “Just What I Need It”. No Palco Mundo, ainda se apresentaram Panic! At the Disco e Nile Rodgers & Chic, entusiasmando o público do RiR 2019 com hits dançantes do calibre de ‘Le Freak’ e ‘Good Times’

Publicado em 04/10/2019 | Por Heloisa Tolipan

*Por Jeff Lessa

Capital Inicial abre a quarta noite do Rock in Rio 2019 com show que empolga o público e mistura antigos sucessos e novas canções

Dinho Ouro Preto afirma que o Brasil é um ‘país de moderados’ e leva a plateia ao delírio ao cantar ‘Que País é Esse’, clássico imortalizado por Renato Russo

Primeira banda a subir ao palco nesse quarto dia de festival, o Capital Inicial levou ao palco do RiR 2019 sucessos inesquecíveis de seus 37 anos de estrada, como “Natasha”, “Depois da Meia Noite” e “Quatro Vezes Você”, sem se esquecer de canções do Aborto Elétrico, banda que precedeu o Capital, como “Fátima” e “Veraneio Vascaína”, e covers da Legião Urbana, como a belíssima “Tempo Perdido”. Engana-se, porém, quem acredita que o tom da apresentação foi saudosista ou melancólico. Em plena forma, os integrantes da banda mostraram que estão na pista para encarar mais 40 anos de rock’n’roll.

Antes, a banda já havia empolgado os fãs durante a passagem de som, quando o simpático vocalista Dinho Ouro Preto não apenas acenou para pessoal que está trabalhando no evento como desceu do palco para falar pessoalmente com cada um.

O setlist foi escolhido de maneira a empolgar (e muito) o público. A banda escolheu hits de todas as suas fases, entremeando oldies com canções mais recentes. Dos anos 1980, quando começou, vieram “Música Urbana”, Fátima”, “Veraneio Vascaína” e “Independência”. “Natasha”, “Tudo que Vai” e “Primeiros Erros”, do começo dos anos 2000, também estavam na lista – e agradaram. Essa foi a fase em que a banda encarou um momento de retomada da visibilidade, voltando a fazer sucesso comercial e se firmando, de novo, no cenário pop brasileiro.

A canção escolhida para abrir a noite foi “Tudo Vai Mudar”, sucesso recente que, nem por isso, passou despercebido pelo público. Dinho Ouro Preto chegou a encarar momentos de fraqueza na voz, só para recuperar a força na segunda parte da apresentação. O carisma e o entusiasmo, porém, ele nunca perdeu.

Durante o show, Dinho fez questão de deixar bem clara a sua posição política ao dizer, num discurso, que o Brasil é um “país de moderados”. O público gostou e protestou. Foi a oportunidade perfeita para encaixar o clássico “Que País É Esse?”, imortalizado por Renato Russo e a Legião Urbana. Pacifista, Dinho pediu o fim do discurso de “faca nos dentes e sangue nos olhos” que vem empolgando o Brasil. Foi festejadíssimo pela multidão.

O Capital Inicial está na estrada há 37 anos. Surgido em 1982, depois do fim do lendário e seminal Aborto Elétrico, teve seu primeiro disco lançado em 1986 pela Polygram, com ótimas críticas da imprensa. O álbum, um clássico que levava o nome da banda, trazia canções como “Música Urbana”, “Psicopata”, “Fátima”, “Veraneio Vascaína” (censurada pela Polícia Federal) e “Leve Desespero”, entre outras. Foi responsável pelo primeiro Disco de Ouro para os então jovens músicos.

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Nile Rodgers & Chic entusiasma o público do RiR 2019 com hits dançantes do calibre de ‘Le Freak’ e ‘Good Times’

Na estrada desde os anos 1970, a banda apresentou sucessos próprios e releituras de músicas de artistas produzidos pelo guitarrista e produtor musical, como Diana Ross, David Bowie, Madonna e Duran Duran, entre outros

Há dois anos, quando se apresentou pela primeira vez no Rock in Rio, no Palco Sunset, Nile Rodgers e a banda Chic levantaram o público com sua música altamente dançante e alegre. Na época, muita gente comparou a apresentação a um grande baile de formatura – e aí não ia nenhuma crítica destrutiva, pelo contrário. Aos 66 anos, o músico repetiu o sucesso nesta quinta-feira (3/9), dessa vez no Palco Mundo, com um show muito parecido com o qual se consagrou na cidade em 2017. As versões de hits como “We Are Family”, do Sister Sledge; e “Get Lucky”, do Daft Punk eram facilmente reconhecíveis: os arranjos são fidelíssimos aos originais. A plateia vibrou com R&B, disco e soul em músicas autorais e releituras de sucessos de artistas que foram produzidos por Rodgers. Entre outras, o roteiro incluiu canções de responsa como “I’m Coming Out” e “Upside Down”, de Diana Ross; “Lost in Music”, de Sister Sledge; e “Notorious”, do Duran Duran.

Em um momento emocionante, Rodgers pediu que o público ligasse o flash dos celulares antes de tocar “Get Lucky” e contou que havia recebido o diagnóstico de um câncer extremamente agressivo em 2013: “Quero que todos vocês acendam os celulares para mim. Façam parecer como as estrelas no céu. Uau, vamos, todo mundo. Enquanto eu contemplava o que faria pelo resto da minha vida, do nada, recebi um telefonema de dois caras chamados Daft Punk e de um outro senhor chamado Pharrell Williams, e eles me pediram para nos encontrarmos e escrever algumas canções. E uma dessas canções se chamou ‘Get Lucky’”.

Uma versão alentada de “Let´s Dance”, de David Bowie, também empolgou a galera, num show que pode ser considerado corretíssimo, com uma fórmula destinada, infalivelmente, ao sucesso. Os clássicos mega dançantes “Le Freak” e “Good Times” encerraram a apresentação.

O Chic surgiu em 1977, formado por músicos negros competentíssimos, com profundo conhecimento de rythm & blues e rock, e vocalistas femininas. Em 1978, no auge da era disco, a banda já havia se firmado como grande fenômeno, com hits mundiais como “Le Freak”, “Everybody Dance”, “Dance, Dance, Dance” e “I Want Your Love”. “Good Times”, um de seus maiores sucessos, tornou-se mais que um hit: virou um fenômeno cultural, pois sua base musical foi usada em “Rapper’s Delight”, da Sugarhill Gang, um dos primeiros raps de sucesso, sempre citado por Rodgers em seus shows. Também serviu para o baixista John Deacon compor o maior sucesso do Queen, “Another One Bites The Dust”.

Em 2017, a banda se apresentou no Palco Sunset do Rock in Rio. O upgrade para o Palco Mundo é mais que merecido, não apenas pela trajetória do grupo, mas pelo imenso encantamento que causou há dois anos no festival.

Para se ter uma noção da importância do grupo na história da cultura pop, basta dizer que Nile Rodgers já escreveu e produziu para Diana Ross, Madonna, Sister Sledge, David Bowie, Daft Punk, Cindy Lauper, Duran, Duran, Lady Gaga e muito, muito mais nomes de peso. Além disso, ele é membro do Songwritwers Hall of Fame e do Rock and Roll Hall of Fame, com centenas de prêmios importantes. Curado de dois cânceres, livre das drogas, o músico diz que o estilo musical de sua banda vem da alma: “Vocês entendem, no Brasil, que a música que tocamos, mesmo quando é alegre, é música que vem da nossa alma?”, foi uma das perguntas que fez ao público durante sua apresentação no RiR deste ano.

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Panic! At the Disco consegue a façanha de empolgar o público antes do Red Hot Chilli Peppers, grande atração da quarta noite do RiR

 

Brendon Urie, único representante da formação original da banda formada em Las Vegas em 2004, faz ‘cover’ de ‘Bohemian Rhapsody’, do Queen, lembrando o sucesso dos ingleses na primeira edição do festival, em 1985

Penúltima banda a se apresentar na quinta-feira (3), a quarta noite do Rock in Rio 2019, a banda americana Panic! At the Disco conseguiu um feito e tanto: levantou o público antes do esperadíssimo Red Hot Chili Peppers, com quem tem quase nada em comum. Com 15 anos de estrada, a banda liderada pelo vocalista Brendon Urie, de 32 anos, fez um show em que misturou canções de sua primeira fase, quando fez sucesso na onda do emocore da primeira década do milênio, com a produção atual, mais para o pop rock.

A apresentação começou com canções compostas nos últimos três anos: “Victorious”, “Silver Lining” e “Don’t Threaten me with a Good Time”. O vocalista apostou nos agudos, o que o fez cansar a voz – nada que um tempinho de relaxamento discreto não resolvesse. No palco, a escolha do repertório privilegiou a produção mais recente. Da fase emo, Urie cantou “Nine in the Afternoon” e “I Write Sins, Not Tragedies”, típicos exemplares do mood deprê da época.

Um dos pontos altos do show (talvez O ponto alto), foi o belo cover de “Bohemian Rhapsody”, que Brendon Urie cantou ao piano. O grupo britânico, por sinal, foi a maior atração da primeira edição do festival, em 1985. Urie fez bonito e o público cantou junto, lembrando, guardadas as devidas proporções, a galera que acompanhou Freddie Mercury em “Love of My Life” na versão histórica de 34 anos atrás.

O grupo se despediu com “High hopes”, lançada em 2018, que chegou ao quarto lugar das paradas americanas.

A banda indie americana surgiu em 2004 em Las Vegas, formada pelo vocalista Brendon Urie, o baixista Jon Walker, o guitarrista Ryan Ross e o baterista Spencer Smith. A fama veio em 2006, quando os rapazes ganharam o prêmio de Vídeo do Ano do MTV Video Awards (a canção era “I Write Sins Not Tragedies”). De lá para cá, os integrantes foram sendo substituídos por diferenças artísticas. Atualmente, do time original resta apenas Brendon Urie, que também toca guitarra, piano, violoncelo e violino.

Urie já contou que teve experiências sexuais com outros homens. Em 2014, ele comprou uma briga feia com um grupo de religiosos por conta da música “Girls/Girls/Boys”, que trata de bissexualidade. O grupo homofóbico decidiu armar um protesto contra a canção, mas o músico foi mais rápido, prometendo doar 20 dólares a cada manifestante LGBTQ que aparecesse no evento. Resultado: o ato fracassou de forma retumbante.

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Red Hot Chili Peppers fecham a quarta noite do Rock in Rio com clássicos e canções pouco conhecidas do público

Show, que faz parte da turnê do álbum ‘The Getaway’, de 2016, teve homenagem a Ric Ocasek, morto no mês passado, além de ‘cover’ do Ramones

O Red Hot Chili Peppers fechou a noite de quinta-feira com um show cheio de surpresas. Uma delas foi a bonita homenagem a Ric Ocasek, líder do Cars morto no mês passado, com a canção “Just What I Need It”. Nunca tocada ao vivo antes, até “Sikamikanico” entrou no setlist. As canções relativamente desconhecidas levaram uma parte do público a debandar. Uma pena, pois a banda interpretou sucessos como “Under the Bridge” e “Scar Tissue”, entre outras canções. Bons exemplos foram “Californication” e “Aeroplane”, ambas recebidas com entusiasmo.

O começo e o fim do show foram marcantes, mas o meio deixou um pouco a desejar graças às músicas menos conhecidas, o que sempre desanima a galera que, no final das contas, está ali para cantar junto e ouvir suas faixas preferidas. Bem diferente do que o grupo fez na última edição do Lollapalooza, no ano passado, quando brindou o público com sucessos.

Não faltaram os “Obrigados” e as declarações de amor aos brasileiros. Flea chegou a declarar, logo após a primeira canção, que ama o ar (!) brasileiro, considerado por ele “o melhor do mundo” (!!!). Tá certo.

No encerramento da apresentação, o público pediu bis gritando “Eu não vou embora”. À 1h51, com o palco ainda totalmente no escuro, ouviram-se os primeiros acordes de guitarra de “I Don’t Wanna Grow Up”, dos Ramones, interpretada por Josh Klinghoffer: a banda havia voltado. Logo em seguida, tocaram “Goodbye Angels”, do disco “The Getaway”, de 2016, seguida por “Give It Away”, faixa de “Blood Sugar Sexy Magik”, lançado em 1991.

O Red Hot Chili Peppers nasceu em 1983, em Los Angeles. A banda californiana, que se apresenta pela nona vez no Brasil (é a quarta vez no RiR), esteve no país pela primeira vez em 1993, quando se apresentou na Praça da Apoteose durante o Hollywood Rock. O show incluiu até uma participação da Mocidade Independente de Padre Miguel. Naquele ano, o festival reuniu atrações importantes como Nirvana e Alice in Chains.

O RHCP passou por várias formações em sua história de 36 anos de sucessos, drogas e renascimento. Indicada a 16 Grammys, a banda recebeu o prêmio seis vezes. Um de seus maiores hits é “Californication”, do álbum homônimo lançado em 1999 e premiado com os MTV Video Music Awards de melhor direção, direção de arte e vídeo internacional do ano. Dois de seus álbuns estão no ranking dos 500 maiores de todos os tempos da revista “Rolling Stone”. O show deles no Palco Mundo faz parte da turnê de “The Getway”.

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