Viagem & Gastronomia

Taittinger quer que consumidores brasileiros possam se beneficiar de taxas de importação menores

Herdeiro da famosa produtora de champanhe conversa com o Site HT e fala sobre produzir vinho na Inglaterra

Publicado em 04/06/2019 | Por Heloisa Tolipan

*Por Jeff Lessa

A história dos champanhes Taittinger remonta ao século XIII, quando monges beneditinos começaram a produzir vinho nos arredores da cidade de Reims, no Leste da França. No século XVIII, o rico mercador de tecidos Jacques Fourneaux aprendeu com os religiosos a produzir espumante, comprou a propriedade e passou a ter sua própria maison, a Forest-Fourneaux, prestigiada pela qualidade de seus produtos. Em 1932, porém, com os negócios em decadência, só restou passar a casa adiante. O pacote incluía as vinhas e o opulento Château de la Marquetterie. O novo proprietário? Um vendedor de vinho chamado Pierre Taittinger. (Não só vendedor de vinho: o camarada era herói de guerra também. Mas essa é outra história.)

O champanhe Taittinger (Foto de Renato Wrobel)

De lá para cá, a marca Taittinger tornou-se sinônimo de requinte e qualidade em todo o mundo. Na propriedade de 288 hectares produz alguns dos melhores champanhes da França. Tanto que é considerada uma das cinco Grandes Marques (as outras são Bollinger, Laurent Perrier, Moët & Chandon e Louis Roederer). Presente em mais de 140 países, ainda mantém uma administração familiar: basta dar uma olhada no organograma da empresa e procurar o sobrenome célebre nos cargos-chave.

O diretor de exportação da marca, Clovis Taittinger, visitou o Rio e foi festejado com uma sunset party no restaurante Xian Lounge, na cobertura do Bossa Nova Mall. O Site Heloisa Tolipan aproveitou a presença do herdeiro para conversar sobre mercado, exportações e, pasme, produção de espumantes na Inglaterra.

Clovis Taittinger na ‘sunset party’ que comemorou sua presença no Rio (Foto de Renato Wrobel)

Os champanhes Taittinger são importados e distribuídos no Brasil pela Interfood Importação, empresa com sede em São Paulo fundada em 1985.

Site Heloisa Tolipan: A Taittinger está presente em mais de 140 países atualmente. Quais são os mercados mais importantes para a marca?

CT: Além da França, Reino Unido, Estados Unidos, Alemanha, Japão, Espanha e Austrália são os principais países para nós. Na verdade, porém, todos os países são importantes e recebem nossa atenção. Vivemos hoje em um mundo pequeno e precisamos acompanhar os clientes em todos os lugares. Um entusiasta brasileiro deve poder apreciar seu vinho favorito em Budapeste ou Tbilisi da mesma forma que em Londres ou Nova York.

Bernardo Lopes e Clovis Taittinger (Foto de Renato Wrobel)

HT: Que percentagem o Brasil representa no faturamento da marca?

CT: O Brasil representa pouco mais de 1% do total de nossas vendas – e somos a segunda marca em seu país! Nós, é claro, queremos construir uma relação de mais lealdade e amizade com os brasileiros, tanto consumidores como clientes. Queremos fazer a admiração pela Taittinger crescer no Brasil. Existe uma longa tradição entre a Taittinger e o Brasil. Nossa marca está presente no país há mais de 40 anos e fomos parceiros na Copa do Mundo, há cinco anos. Não só a Taittinger, como outros produtores de champanhe e vinho querem que os consumidores brasileiros possam se beneficiar de taxas de importação menores para os nossos produtos.

Giovani Paschoal, Rafael Martins, Clovis Taittinger, Ellen Tavora e Luiza Tardin (Foto de Renato Wrobel)

HT: De onde vêm as maiores receitas da empresa? Qual é o faturamento anual da Taittinger?

CT: Hoje nós exportamos 75% da nossa produção e faturamos em torno de 150 milhões de euros por ano.

Thais Muller no Xian Lounge durante a festa para Clovis Taittinger (Foto de Renato Wrobel)

HT: O que levou a Taittinger a acentuar a busca pelo crescimento baseado nas exportações?

Clovis Taittinger: Muitos fatores podem explicar nosso desenvolvimento nos últimos dez anos. Não tenho uma varinha de condão, mas diria que os “ingredientes” principais são a paixão e a determinação das equipes, vinhos de primeira classe consistentes e muitas atividades para promover a marca.

HT: Em 2015, a Taittinger adquiriu terras no sudeste da Inglaterra. A intenção é produzir champanhe no país? De quanto foi o investimento no empreendimento?

CT: A ideia não é produzir champanhe, mas espumante. Champanhe só pode ser produzido na região de Champagne, pois é uma Denominação de Origem Controlada (D.O.C.). É um projeto de tamanho médio e os investimentos são o suficiente para implantar os vinhedos e criar uma vinícola completa com todos os equipamentos.

João Cury e Clovis Taittinger (Foto de Renato Wrobel)

HT: Por que produzir uma bebida de clima mediterrâneo em um país mais frio? Existe uma estratégia comercial?

CT: Não há uma estratégia comercial. Apenas o desejo de criar um projeto, uma aventura na qual acreditamos há muito tempo, a vontade de produzir ótimos vinhos. Em primeiro lugar e acima de tudo, somos produtores, criadores de vinho. Nossa paixão também pode ser expressa em outros países.

HT: O espumante produzido na Inglaterra terá a mesma qualidade do que vem da França ou da Califórnia, por exemplo?

CT: O espumante que produziremos na Inglaterra terá qualidade, sim, mas com as características do ambiente em que será produzido. Não dá para comparar. Nosso desejo não é fazer nada parecido com um champanhe ou um espumante californiano, pois é impossível. Queremos produzir um vinho que corresponda às especificidades do ambiente.

HT: Há planos para a popularização dos produtos Taittinger? Por exemplo, a criação de linhas mais acessíveis ao público?

CT: O champanhe já vem se beneficiando de uma boa imagem em todo o Globo, uma imagem muito positivamente popular. Torná-lo mais acessível? Acho que ele já é acessível. É o que chamamos de um “luxo acessível”. Atualmente, devido a muitos fatores, a produção de vinho em todo o mundo está ficando muito cara. O champanhe não vai ficar mais barato, mas também não vai atingir preços loucos. Acredito que devido à complexidade da produção de vinhos… Champanhe não custa caro. Não temos planos para popularizar o champanhe ou coisa parecida. Os produtores só querem fazer vinhos cada vez melhores, se aproximar dos clientes e levar adiante uma tradição cultural que data de muitos séculos.

 

HT: Como fazer tanto sucesso mantendo, basicamente, as características de uma empresa familiar?

CT: Jamais comprometa a qualidade, seja apaixonado pelo que faz e sorria para o mundo e seus desafios.

 HT: Por favor, fale sobre os planos para o futuro da marca Taittinger.

CT: Continuar a produzir excelente champanhe e “ser Champagne”: promover a joie de vivre e essa grande herança cultural pelo mundo.

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