Eles fizeram a horta do programa e da casa da Bela Gil, do bombado boteco Belmonte, dos restaurantes Quintal Zen e Fazenda Culinária, localizado no Museu do Amanhã, e até do Colégio Maple Bear. Ficou curioso? Estamos falando do Paisagismo Comestível, empreitada dos irmãos Samantha Caldato e Conrado Squadrito. Os dois planejam, constroem, plantam e mantêm hortinhas orgânicas em qualquer espaço que for, entre janelas, vasos e módulos verticais, sempre atentos às necessidades do ambiente e dos clientes. A história do projeto começou na infância de Samantha e Conrado, que cresceram em uma fazenda, onde aprenderam a colher legumes, verduras e frutas. Quando voltaram ao Brasil após anos morando fora, se apaixonaram pelo Sítio Correto, comprado 30 anos antes pela mãe deles, mas ainda intocado. A jardineira, que já tinha adquirido experiência em jardins comestíveis em Los Angeles, uniu-se ao irmão que estava cultivando shiitake, e hoje, além de montar as hortas privadas, os dois cuidam da estufa de mudas no sítio, e vendem seus produtos e tecnologias em um espaço chamado Feira na antiga fábrica da Behring, no centro do Rio.

Os dois irmãos começaram a ter consciência ecológica quando a mãe os levou para morar no meio do mato. “Ela sempre foi muito ligada em alimentação e como era aeromoça nos proporcionou uma ponte com idéias e culturas diferentes” (Foto: Divulgação)
Em bate-papo com HT, Samantha contou que sua intenção com o Paisagismo Comestível é retomar a ideia de que comida é um ato de afeto, que deve ser participativo. “Você precisa comer todos os dias. E se você é o que você come, nada melhor do que estabelecer uma conexão diária e simples com algo que é tão vital”, defende. Ela também fala que investir em alimentação é gastar com saúde, já que a comida é como um combustível para o corpo.”A população ficou muito dependente das grandes indústrias do setor alimentício, que visando o lucro, acabam se distanciando dos fundamentos da nutrição”, explicou.
A jardineira exaltou a questão da importância dos pequenos produtores para a sociedade para conseguir democratizar o consumo de orgânicos. “Quando não valorizamos o produtor local, ficamos dependentes da grande indústria e seus efeitos, ou seja, de um produto cheio de agrotóxicos,que gasta muita água e produz muito lixo. Pobre de nutrientes e nada sustentável”, analisou e acrescentou: “Por outro lado, apostando no pequeno produtor estimulamos a economia local, o saber e a cultura, criando assim uma comunidade onde todos se beneficiam”.
Os jardins comestíveis já são comuns em países na Europa e nos Estados Unidos há algum tempo, mas para Samantha, ainda têm dimensões muito pequenas no Brasil. “Falar sobre qualquer perspectiva de mudança é falar de uma mudança de paradigma. Esse despertar da população brasileira é importante, pois essa mudança deve vir do povo, horizontalmente. Precisamos da comunidade, do conhecimento da terra, das histórias e do saber dos nossos locais”, disse.
A primeira cliente do Paisagismo Comestível foi Bela Gil. Em uma ponte feita por Bebel Gilberto, que na época produzia um disco com o produtor Mario Caldato, marido da jardineira. Quando a cantora ouviu sobre a ideia do projeto, lembrou na hora no programa que a filha de Gilberto Gil estava para lançar e de cara, Samantha e Bela se deram bem. “Falamos a mesma linguagem. Ela sabe muito e trabalha com uma equipe maravilhosa”, lembrou. E da horta montada especialmente para as gravações, saíram temperos, couve, alface, beterraba, espinafre e muitos outros legumes utilizados nas receitas.
Entre os planos para o futuro dos dois jardineiros, a ideia mais concreta é a de montar uma cesta com mix de produtos não perecíveis, produzidos por eles mesmos e pequenos produtores parceiros. Na cesta, mel, arroz, milho de pipoca, café, cachaça… “Já tem muita gente entregando orgânicos em casa, queremos fazer algo diferente”, adiantou Samantha.
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