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Day 2 em Salvador: da tapioca inesquecível do Golden Tulip, passando pelo melhor restaurante da cidade, Pelourinho, Bonfim e o Festival Oferendas

Teve ainda Caetano Veloso no meio do povo, show inesquecível de Márcia Castro, Iemanjá gigante cruzando o asfalto e muito, muito mais

Publicado em 08/02/2017 | Por Junior de Paula

Como a gente contou, o Site HT acabou de voltar de um giro por Salvador para conferir mais uma festa de Iemanjá, que rola todo dia 2 de fevereiro, no entorno da Casa da Rainha do Mar, no bairro do Rio Vermelho. Por lá, ficamos hospedados no Golden Tulip Salvador, um dos mais famosos hoteis da cidade e dono da vista mais linda que você pode ter da Baía de Todos os Santos. Pois bem, depois de uma ótima noite de sono pós ensaio do Olodum, era hora de atacar as delícias do café da manhã do hotel. A tapioca é imperdível, assim como a mesa de sucos que mistura frutas da região, como siriguela e umbu, e as mais tradicionais, como goiaba e laranja. A mesa de bolos – com direito a cuscuz de coco – e a grande variedade de pães também merecem destaque. Alimentados, era hora de ganhar as ruas de Salvador, na véspera da grande festa de Iemanjá. Leia Mais: Day 1 em Salvador às vésperas do Dia de Iemanjá: a vista deslumbrante do Golden Tulip e a emocionante participação de Saulo no ensaio do Olodum

Day 2 em Salvador: da tapioca inesquecível do Golden Tulip, passando pelo melhor restaurante da cidade, Pelourinho, Bonfim e o Festival Oferendas

A vista do Golden Tulip Salvador

Tomamos o rumo da Igreja do Nosso Senhor do Bonfim para orar e fazer nossos tradicionais pedidos amarrando as fitinhas nos portões repletos de cores no entorno da igreja mais famosa de Salvador. De lá, seguimos para o Pelourinho, para aquele tradicional rolé no bairro mais icônico da capital baiana e, quando a fome apertou, desembarcamos de volta no Rio Vermelho para um almoço dos sonhos na Casa de Tereza.

O restaurante comandado pela chef estrela da Bahia, Tereza Paim, merece um capítulo à parte. A começar pela decoração da casa, com tijolos aparentes, constrastando com um grande lustre de cristal, mesas com madeira de demolição pintadas e uma galeria de arte com obras de artistas locais expostas – e à venda – na parede.

Casa de Tereza

Começamos os trabalhos com o couvert que mistura beijus, pães e biscoitos de polvilho – tudo quentinho e feito na hora – servidos com manteigas aromatizadas. Em seguida, pedimos a moqueca mista – de camarão e peixe – que chega fumegante à sua mesa acompanhada de macaxeira, pirão e arroz branco. E aqui não uso de hipérbole ou figura de linguagem. É a melhor moqueca que você respeita no planeta inteirinho. A vontade que dá é de comer ajoelhado, rezando e agradecendo ao senhor do Bonfim. Ah, e para arrematar uma cocada de forno servida com melaço de cana. Uma verdadeira orgia – e com preços bem razoáveis.

Dali voltamos ao Golden Tulip direto para a piscina no terraço do hotel de oito andares, para um drink e admirar o pôr-do-sol. Daquelas coisas imperdíveis e inesquecíveis de se fazer em Salvador. A brisa, a caipirinha, e as conversas por ali seguiam tão agradáveis que a lua já ia alta no céu quando lembramos que a noite ainda ia ser longa. A rua nos chamava, afinal Iemanjá estava pronta para o seu dia.

Como contamos, as ruas do bairro boêmio do Rio Vermelho começam a se encher ainda na noite do dia 1, com os devotos vestidos de branco e azul preparando seus balaios com oferendas que serão ofertados a partir do primeiro minuto do dia 2. Mais recentemente, há cerca de cinco anos, desde a inauguração de um epicentro artístico no bairro, o Lalá Multisespaço, na Rua da Paciência, a festa de Iemanjá ganhou ainda mais cor, diversidade e música. Trata-se do Festival Oferendas, presente artístico dedicado à Rainha do Mar, promovido pelo Lálá Multiespaço com a contribuição de cerca de 120 artistas, que rola entre os dias 1º e 2 de fevereiro, com apresentações gratuitas, voltadas para a rua, idealizada por Luiz Ricardo Dantas, agitador cultural e empresário baiano, o nome por trás do espaço. “O que o Oferendas proporciona de mais legal são os encontros, e eles são sempre maravilhosamente imprevisíveis”, disse Luiz. Leia Mais: Constelação de nomes da novíssima geração da MPB se reúne para saudar Iemanjá no Festival Oferendas, em Salvador, no Lalá Multiespaço

Do alto do Lalá

O fervo começava cedo, às 19h, com o set do DJ Mozaum, seguido pela apresentação do Odoyá Experience, projeto de música experimental comandado por EdBrass Brasil, que teve Rebeca Matta como convidada, além dos shows de Kiko Dinucci – trazendo as participações do baterista Thomas Harres e das cantoras Juçara Marçal, Ava Rocha, Iara Renó e Alessandra Leão. Foi exatamente nessa hora que conseguimos chegar na frente do Lalá para começar a acompanhar o resto do festival, que ainda teria Cibelle, Márcia Castro, Lucas Santtana e a paraense Luê. Lá do alto do terceiro andar do Lalá – que cobrava cerca R$30 pelo ingresso – via-se a rua da Paciência, logo ali na frente, tomada por gente de toda cor e raças de toda fé. Os carros tinham dificuldade de passar criando um pequeno engarrafamento. Não era incomum ver um motorista de ônibus dançando em seu banco, enquanto esperava, pacientemente, sua hora de atravessar o mar de gente. Coisas da Bahia.

Enquanto Cibelle cantava e tocava seu som experimental, um cortejo atravessou a frente do Lalá cheio de rostos conhecidos. À frente, Regina Casé e Estevão Ciavatta, seguidos por Caetano Veloso e Paula Lavigne, Felipe Veloso carregando na cabeça o grande balaio de oferendas e mais uma turma – que incluía Antonio Frajado, Pedro Tourinho e mais – seguiam cantando e dançando em direção ao mar, onde embarcariam em um barquinho de pescador em direção ao alto mar, onde seriam despejadas as oferendas.

@marciacastroart arrastando a multidão no Festival Oferendas no maravilhoso @lalamultiespaco em Salvador, celebrando Iemanjá

Um vídeo publicado por Heloisa Tolipan (@heloisatolipan) em

Quando Márcia Castro tomou sua posição no palco do Festival a rua ficou pequena para tanta gente e tanta energia. Misturando clássicos do Carnaval baiano como “Selva Branca”, com outros sons históricos, como “Dois de Fevereiro”, de Dorival Caymmi, “Lenda das Sereias”, de Marisa Monte, e “Frevo Mulher”, de Zé Ramalho, ela comandou a massa, de uma prévia do que vai aprontar no circuito do Carnaval baiano, quando estreia como líder do Bloco dos Mascarados, um ícone da folia soteropolitana. Das coisas mais lindas que a gente vai ver nessa vida. E acha que acabou? Nada disso, por volta de 4 da manhã, a rua ia enchendo cada vez mais, e começava o Cortejo das Oferendas, que seguiu do Lálá até a colônia de pescadores sob o comando do grupo De Hoje a Oito, acompanhado por uma sereia do grupo Lugar de Gigantes e objetos criados pelos artistas do Coletivo Visio e outros colaboradores.

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