Cinema & TV

“Torcemos para que um dia o Brasil seja um país que respeite as diferenças”, revela Bruno Bevan

Fazendo a sua estreia na televisão como o Zé Hélio em “A Dona do Pedaço”, o ator contou ao HT como é interpretar o irmão de uma transexual e os desafios iniciais da profissão

Publicado em 06/06/2019 | Por Heloisa Tolipan

*Por Iron Ferreira

Tudo começou com uma pequena participação na novela “O Outro Lado do Paraíso”, da Rede Globo, ainda em 2017, quando interpretava um entregador de pizza. Dois anos depois, Bruno Bevan faz sua estreia na televisão como o Zé Hélio, em “A Dona do Pedaço”, seu primeiro personagem fixo. Na trama, o personagem é irmão de Britney, uma transexual. Sobre a descriminação sofrida por essa população, ele comentou: “O preconceito existe. Eu não tenho como afirmar que ele diminuiu em termos estatísticos, mas iremos sempre lutar para que ele não exista. Somos todos iguais e não devemos julgar os outros por raça, cor, religião ou identidade de gênero. Torcemos para que um dia o Brasil seja um país que respeite as diferenças”.

O ator falou sobre os desafios da sua estreia em rede nacional (Foto: Frederico Figueiredo)

Quando perguntado de que forma essa abordagem, promovida por uma emissora de alcance internacional, pode ajudar a conscientizar as pessoas sobre o respeito, ele respondeu: “O meu personagem ajuda a abordar a questão da identidade de gênero com naturalidade. Essas pessoas devem ser aceitas pela forma com que elas se apresentam para a sociedade, e é muito importante que as famílias as apoiem. O Zé Hélio irá ajudar a Britney nos seus desafios diários, tanto em casa quanto no trabalho. Os dois são muito próximos, e isso pode ajudar na conscientização”.

O ator ainda falou sobre a função instrutiva que a televisão possui na sociedade e como isso pode ajudar a transformá-la: “A novela irá exercer um papel educativo muito importante na nossa sociedade. Dessa forma, será possível combater o preconceito e a ignorância. A arte faz com que as pessoas reflitam. Através da dramaturgia, muitas pessoas podem mudar sua opinião e seus pontos de vista em relação a certos temas”.

Para o ator, todas as cores, sexos  e religiões merecem respeito (Foto: Raziel Mendonça)

Sobre o início de sua carreira e o début em uma obra que já apresenta bons índices de IBOPE, ele revelou: “É o meu primeiro personagem definitivo em uma trama. Está sendo um desafio muito bom, muito gostoso. É uma oportunidade muito grande poder estrear no horário nobre. O texto do Walcyr Carrasco e a direção da Amora Mautner deixa tudo mais fácil. O público está recebendo bem o Zé Hélio. Estou realmente muito feliz e realizado”.

Amparado por um elenco de peso, Bruno faz parte do núcleo cômico do folhetim, composto por Marco Nanini, Beth Faria, Rosi Campos, Tonico Pereira, Ary Fontoura e Suely Franco. “A cooperação está sendo maravilhosa. Não poderia estar cercado de pessoas melhores. São generosos e me ajudam muito na composição do meu trabalho”, declarou.

Antes de pensar em entrar para o mundo artístico, Bevan foi modelo internacional. Ele contou que essa experiência foi fundamental para a sua formação como ator e no seu desenvolvimento pessoal: “A minha carreira de modelo foi essencial para que eu pudesse entender que o que eu queria mesmo era fazer teatro. Acredito muito no ator como antropólogo, na nossa capacidade de observação e pesquisa. Viver em continentes diferentes faz com que a gente analise as pessoas e a maneira como elas se comportam. Cada ser humano tem a sua particularidade. É fundamental que a gente perceba essas características para que futuramente isso nos ajude a compor os personagens”.

Bruno comentou ainda sobre a influência de sua carreira como modelo em sua vida atual (Foto: Frederico Figueiredo)

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