*Por Brunna Condini
(Colaborou Lucas Souza)
Entre o sertanejo dos bastidores, o cinema de prestígio internacional e a teledramaturgia brasileira, Thomás Aquino começou 2026 em uma rara sobreposição de mundos. Ao mesmo tempo em que integra o elenco de ‘O Agente Secreto’, longa brasileiro vencedor do Globo de Ouro 2026 de Melhor Filme Internacional e que rendeu a Wagner Moura o prêmio de Melhor Ator em Drama; Aquino volta ao horário das sete da Globo como o empresário musical Ronei, vilão de ‘Coração Acelerado’. O ator fez uma imersão no universo sertanejo para interpretar um personagem que opera onde poder, dinheiro, vaidade e sonhos se encontram. No mergulho para a ficção, ele se impressionou não apenas com o dinheiro que circula nos bastidores deste mundo, mas com o nível de entrega exigido dos artistas. “Tem muito dinheiro neste mundo, né? Mas me surpreendeu a dedicação dessas cantoras e cantores de estarem aptos a trabalhar. Só vemos prontinho ali, bonito, mas não sabemos dos bastidores, do quanto essas pessoas abrem mão de certas coisas para estar ali, se apresentando para o público”, diz o ator, que se reconhece nesse esforço: “Também abro mão de muitas coisas para fazer melhor o meu trabalho”.
Feliz com as conquistas da carreira que já contabiliza 20 anos, Aquino tem tido cada vez mais notoriedade nacional por conta do seus trabalhos, mas também avalia o lado B da fama, dizendo como lida com algumas críticas e comentários nas redes sociais:
O que me deixa muito triste é que às vezes as pessoas se sentem na liberdade de falar qualquer coisa e não pensam no que o outro pode sentir. A sociedade talvez esteja perdendo um pouco do limite ético em relação ao próximo – Thomás Aquino

Entre os bastidores do sertanejo e o cinema premiado, Thomás Aquino vive Ronei em ‘Coração Acelerado’ e atravessa uma das fases mais potentes de sua carreira (Foto: Divulgação/Globo)
E acrescenta: “Confesso que já li algumas coisas. Hoje não leio mais, porque vejo que muitas são frases amarguradas. Apenas para destruir ou tentar derrubar. São coisas supérfluas que prefiro não gastar energia vendo. Sem inteligência, digamos assim”. E faz uma ressalva, no caso de identificar críticas mais profundas: “Recebo quando há construção, quando é realmente fundamentada, com uma significância… como já recebi no passado, e através delas fui tentando me ajustar. Pra mim isso é uma construção social, entendeu? Agora, quando vejo que são apenas comentários por comentários, não gasto energia”.

Em ‘Coração Acelerado’: Thomás Aquino em cena com o ator mirim Rafael Rara, que fez João Raul na infância (Foto: Divulgação/Globo)
O ator pernambucano também vem se destacando em produções do streaming como ‘Guerreiros do Sol’ e ‘Os Outros‘ (Globoplay), e ‘DNA do Crime’ (Netflix), e reflete ainda, sobre o aumento da visibilidade, que atravessa diretamente a forma como ele se relaciona com o público. “Quanto mais trabalhos e personagens fazemos, mostramos ao público, mais as pessoas tendem a se identificar”. Segundo Aquino, nenhum outro meio quanto a TV aberta alcança tamanha exposição para o artista:
A TV populariza mais que os streamings e os filmes nacionais. Quanto mais faço novelas ou coisas que aparecem na televisão, mais me aproximo do público de uma certa maneira. Isso deixa feliz, né? Porque há um outro reconhecimento em outro lugar – Thomás Aquino

Isadora Cruz e Thomás Aquino em ‘Guerreiros do Sol’ (Foto: Divulgação/Globo)
Ele também celebra o reencontro com Isadora Cruz em ‘Coração Acelerado’, com quem fez par romântico em ‘Guerreiros do Sol’. “Ela é maravilhosa. Uma mulher muito jovem, com muito talento. Está fazendo um papel incrível como Agrado. Contracenamos pouco na novela até agora, mas acredito que a nossa história ainda vai correr muito. Dessa vez não vamos fazer par, mas somos parceria”, diz. “Esse encontro é maravilhoso porque é uma amizade, é uma pessoa que conheço, podemos desabafar a qualquer momento, conversar, o que está dando errado, o que está dando certo. Estar com a Isadora novamente é um grande presente”.
Coração Acelerado
Na nova novela das sete, seu personagem é o tipo de figura que raramente aparece sob os refletores, mas que decide destinos. Empresário influente no circuito sertanejo de Goiás, ele gerencia a carreira de João Raul (Filipe Bragança) e se move com naturalidade entre camarins, contratos e bastidores, onde fama e fragilidade convivem lado a lado. Para dar densidade a esse vilão de sorriso fácil e intenções nem sempre claras, Thomás escolheu um método quase documental: viver o mundo que iria retratar. Antes mesmo das gravações, o ator mergulhou no circuito real da música sertaneja. Foi a shows, acompanhou a rotina de artistas, frequentou bastidores e conversou longamente com empresários do meio. “Gosto mais da vivência de estar presente do que só ler ou ver um vídeo, por exemplo. Ficar ali, atrás do palco, observando quem puxa quem, quem manda, quem espera, muda tudo”, conta.

Antônio Calloni, Rafael Rara e Thomás Aquino em ‘Coração Acelerado’ (Foto: Divulgação/Globo)
“Entrei um pouquinho mais nesse universo do sertanejo. Escutei muito os originais, Chitãozinho & Xororó, Zé Camargo & Luciano. E aí o Luciano, que é um grande noveleiro, me chamou para ir a um show. Fui, aí tinha o Leonardo, o Daniel. Fiz uma espécie de pesquisa de campo”. A experiência, segundo ele, trouxe não apenas repertório para o personagem, mas também uma nova percepção sobre o funcionamento dessa engrenagem que movimenta sonhos, egos e milhões: “Acabei conhecendo um dos empresários, que me levou para atrás do palco e vi como funcionava todo o andamento. Pesquisei ao vivo”.
Mesmo inserido no universo sertanejo de Goiás, Aquino decidiu que não abriria mão de sua origem e manterá seu sotaque pernambucano na pele do personagem, e levou essa escolha diretamente às autoras Izabel de Oliveira e Maria Helena Nascimento. Para ele, a decisão carrega um peso que vai além da dramaturgia. “Foi uma questão de levantar essa bandeira até que se possa equalizar. O pessoal do Norte e Nordeste ainda sofre muito com a xenofobia”.
Artigos relacionados
Cristiana Oliveira retorna a novela inédita da Globo após 14 anos, fala sobre maturidade e diz: "Não vivo de passado"
Post de um ex-BBB sobre beleza de Rivellino faz Daniel Blanco, que interpreta o craque em "Brasil 70", explodir nas redes
Do perigo das linhas 0900 nos anos 1990 às bets na CazéTV: velhas fórmulas de lucro voltam a expor público a prejuízos