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Tête-à-tête com HT! Miá Mello fala sobre a arte de fazer graça em tempos de conservadorismo: “Os Trapalhões seriam presos com aquele humor”

Durante a São Paulo Fashion Week, a humorista não descartou um "Meu passado me condena 3" nos cinemas e adiantou que a peça, baseada na mesma história, chegará ao Rio de Janeiro no começo de 2016

Publicado em 23/10/2015 | Por Lucas Rezende

Miá Mello é uma expert em fazer rir. Não à toa tem cinco filmes, duas peças de teatro e incontáveis programas como “Acredita na peruca”, “Meu passo me condena” e “Legendários” em seu currículo. O dom, no entanto, não é o bastante para conseguir entregar um humor que sobreviva ao conservadorismo e a patrulha que pairam sobre uma sociedade cada vez mais careta. “É difícil. Acho que cada vez mais você tem que tomar cuidado, pensar antes de falar. E isso vai tirando a espontaneidade, que é o mais importante na hora de fazer humor. O engraçado é falamos: ‘Uau, estamos no século XXI, somos modernos’. Nada disso! A gente está cada vez mais antiquado, mais careta. Parece que estamos voltando no tempo”, analisou ela, dando um belo de um exemplo: “Hoje em dia, ‘Os Trapalhões’ seriam presos com aquele humor”.

(Foto: Paduardo / ​​​Phábrica de Imagens​​​​​)

(Foto: Paduardo / ​​​Phábrica de Imagens​​​​​)

Palavras de quem, no pior dos cenários, tem o hábito de conversar com público da TV paga, que, historicamente, aceita um conteúdo mais livre de privações do que o da TV aberta. “Cada lugar que você vai trabalhar tem um tom. Na TV aberta, por exemplo, você tem que saber com quem está falando antes de qualquer coisa. Mas sabe o que eu acho? Que o humor, acima de tudo, tem que ser democrático. Isso é o que importa”, falou, aos risos. Na fila A do desfile da Ratier, em plena São Paulo Fashion Week, Miá estava de olho no relógio. O motivo? Tinha de correr para o Teatro do Shopping Frei Caneca para apresentar, ao lado do amigo Fábio Porchat, o espetáculo “Meu passado me condena”. Se o filme de mesmo nome terá uma nova continuação? “Ainda é cedo para falar. Tem coisa aí”, deixou no ar, enigmática.

MiáMello 2

Uma novidade, no entanto, ela soltou para HT: em janeiro, a peça voltará a ser encenada na Cidade Maravilhosa. “Meu passado me condena 2”, que fez a maior bilheteria de um filme brasileiro lançado durante as férias de julho, para Miá, não se enquadra nas chamadas comédias caça-níqueis, com roteiros rasos com intuito de arrecadas grandes quantias. “Não é assim. Você vê, por exemplo, muitos filmes nacionais, de comédia, e que não vão bem de billheteria. As pessoas vão assistir ao que é bom, legal. Se o filme é ruim, ninguém vai”, amenizou com sua simpatia de sempre.

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