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A Teia: uma estreia eletrizante com Paulo Vilhena no melhor personagem de sua carreira

A trilha sonora é de primeira e mistura Rolling Stones e Nirvana injetando ainda mais testosterona em uma série feita para corações valentes

Publicado em 29/01/2014 | Por Heloisa Tolipan

* Por Junior de Paula

A Teia, seriado que estreou nessa terça-feira na TV Globo, vai agradar em cheio aos amantes das histórias eletrizantes de bandidos, mocinho, policiais, tiros, perseguição e muita, mas muita adrenalina.

Com roteiro assinado por Braulio Mantovani (leia-se Cidade de Deus e Tropa de Elite) e Carolina Kotscho (Dois Filhos de Francisco e Paraísos Artificiais), a Globo investe, assim, em um padrão cinematográfico para contar histórias.

E aqui não estamos falando de efeitos especiais, câmeras de última geração ou qualidade técnica. O ponto em questão é a construção dos personagens, da narrativa e da dramaturgia, numa tentativa de distanciar as séries das telenovelas, num enriquecedor cross over com o cinema.

O primeiro capítulo serviu para apresentar – e bem – os dois protagonistas da trama: Baroni, o bandido que coloca nas mãos de  Paulo Vilhena o melhor personagem de sua carreira, e o policial Macedo, vivido pelo sempre fenomenal João Miguel. Paulinho, para desgosto dos inimigos, segura bem a onda e se aproveita da ótima parceira de cena, Andrea Horta, que vive sua namorada, e cresce nos momentos em que precisa ser grande. 

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Paulinho Vilhena no papel de bandido em A Teia (foto: Divulgação/TV Globo)

Destaque também, neste primeiro capítulo, para Miele, vivendo um senador envolvido em mil e um trambiques, e a aparição mais que especial de Michel Melamed e Fernando Alves Pinto, dois dos mais consistentes artistas do teatro brasileiro, dando as caras com elegância na TV.

Mérito, claro, de Rogério Gomes, o diretor da série, que se cercou de nomes mais que competentes e conseguiu imprimir um ritmo de tirar o fôlego ao capítulo sem nunca perder a força. O único senão é a histeria da câmera na mão usada em excesso durante quase todas as tomadas, que, na tentativa de aproximar o espectador, acaba afastando pelo incômodo que ela causa. Outro ponto que precisa ser levado em questão é o áudio da série, que, assim como em Amores Roubados, dificultava a compreensão das falas em alguns momentos. 

Ainda na lista imensa de positivos, a trilha sonora é de primeira e mistura Rolling Stones e Nirvana injetando ainda mais testosterona em uma série feita para corações valentes. Boa estreia! Aguardemos os próximos capítulos!

* Junior de Paula é jornalista, trabalhou com alguns dos maiores nomes do jornalismo de moda e cultura do Brasil, como Joyce Pascowitch e Erika Palomino, e foi editor da coluna de Heloisa Tolipan, no Jornal do Brasil. Apaixonado por viagens, é dono do site Viajante Aleatório, e, mais recentemente, vem se dedicando à dramaturgia teatral e à literatura.

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