*Por Brunna Condini
Sergio Guizé vai voltar a viver Candinho na novela ‘Êta Mundo Melhor!‘, que estreia no dia 30 deste mês. Nove anos depois do seu primeiro encontro com o personagem em ‘Êta Mundo Bom!’, o ator fala com entusiasmo do novo desafio. “Me sinto mais feliz, mais preparado para viver esse personagem. Estou aproveitando cada momento. Já é o quinto trabalho que faço do Walcyr Carrasco. E nesta novela, a Amora (Mautner, diretora) e o Mauro Wilson (autor que assumiu a trama), pegaram o que deu certo nesta história há anos atrás, com a linguagem do meu querido Jorginho (Jorge Fernando, que dirigiu ‘Êta Mundo Bom!’) e estão jogando seu ‘molho’ para continuarmos com a ‘vela acesa’. Tem sido muito bom”. Guizé se emociona e embarga a voz ao lembrar de Jorge Fernando, que faleceu em 27 de outubro de 2019, aos 64 anos, enquanto trabalhava na novela ‘Verão 90′ exibida no horário das 19h da Globo: “Ele foi um grande cara, para a novela, para a equipe e para mim, como ator e como pessoa”.
Sobre as inspirações para o personagem que mora no coração do público brasileiro, o ator divide: “Por ter pesquisado bastante a obra do Mazzaropi (1912-1981) e do Charles Chaplin (1889-1967) quando fiz ‘Êta Mundo Bom!’ há quase 10 anos, o Candinho está muito vivo em mim. E tive uma pessoa que me auxiliou muito na criação, mesmo in memorian, que foi a minha avó por parte de mãe, Maria Correa. Ela falava exatamente como o Candinho, era uma mulher analfabeta, criada na roça, no Paraná, que foi meio fugida para Santo André, no interior de São Paulo, onde nasci. Minha avó teve muitos filhos, era uma mulher muito boa, engraçada, falava as coisas com o coração. Então, quando sinto que vou perder o foco, lembro dessa verdade, alegria”.
Procuro fazer o Candinho com todo o coração. Acordo, medito, às vezes acendo uma vela, brinco com os meus cachorros e vou para o ‘jogo’. Quando saio de casa, o Candinho já está comigo. Preciso manter sempre a energia lá em cima por ele – Sergio Guizé

Sergio Guizé volta a viver Candinho, fala de inspiração em avó e da saudade do diretor Jorge Fernando (Divulgação/Globo)
Ele também recordou o trabalho em ‘Saramandaia‘ (2013), sua primeira novela na emissora, ao elucidar o que é primordial no seu processo de composição de Candinho. “Ia fazer o remake de ‘Saramandaia‘ e fiquei no mesmo hotel que o Juca de Oliveira, que havia feito em 1976 o mesmo personagem que eu faria, o João Gibão. Admirava e queria muito falar com o Juca, mas sentia vergonha. Até que um dia, ele veio até mim e disse: “Você está querendo falar comigo, né, rapaz?”. Confirmei, disse que faria o mesmo papel e queria alguma dica de como fazê-lo hoje, já que era um realismo fantástico…o Juca me interrompeu e disse: “Olha, meu filho, não importa se é realismo fantástico, drama, comédia, faça de verdade, do fundo do seu coração, que você não vai se perder no meio das técnicas e nem no meio dos gêneros”. Nunca mais esqueci e tento fazer assim até hoje”.

“Procuro fazer o Candinho com todo o coração. Acordo, medito, às vezes acendo uma vela, brinco com os meus cachorros e vou para o ‘jogo'” (Divulgação/Globo)
Guizé fala também do reencontro com o burro Policarpo, seu fiel companheiro na trama. “Vou falar porque trabalhamos com a verdade (risos). O Policarpo hoje é uma jumenta, a Juliana. Na primeira versão era um burro mais velho, que eu também amava muito, era uma relação muito especial, que funcionou bastante, por conta do carisma que ele imprimiu. E eram muitos dublês de burros, inclusive eu (risos), que não sabia lidar muito com eles. Mas no amor, tudo foi funcionando. No último dia de gravação, na igrejinha, abraçava esse burro e chorava, porque sabia que não ia mais encontra-lo. Agora estou completamente apaixonado pela Juliana, a uso para falar muitas coisas para outros personagens…ela é uma jumentinha doce, reconhece minha voz. Se ela encanta e emociona, o set, os bastidores, aquele monte de gente cascuda de novela, imagina com o grande público?”.

O ator quando viveu Candinho em 2016: “Quando saio de casa, o Candinho já está comigo. Preciso manter sempre a energia lá em cima por ele” (Divulgação/Globo)
O ator comenta ainda, sobre a bondade e o otimismo do personagem.
Ele tem a missão de trazer essa frase que cabe muito bem no Brasil e no mundo: “Tudo o que acontece de ruim na vida é para melhorar” (a ideia central é antiga e pode ser encontrada em diferentes contextos filosóficos e culturais, como na filosofia de Voltaire, que escreveu sobre o assunto no conto ‘Cândido, ou O Otimismo‘). Quando esse personagem foi criado há 300 anos, o mundo também enfrentava guerras, mazelas, então essa história vem sempre como um respiro, uma leveza. Além disso, é uma novela que alcança todas as idades – Sergio Guizé
O coração de Candinho na nova trama será arrebatado por Dita, vivida por Jeniffer Nascimento. O romance entre eles será um dos principais núcleos da novela, com Dita se tornando uma cantora de sucesso ao longo da história. “A Jeniffer é um grande talento, então tudo fica mais fácil. É dona de uma voz poderosa e a troca com ela é maravilhosa, porque está sempre em cima, estuda, e sua personagem é muito carismática, então vou construindo essa nova fase do Candinho muito de acordo com o que a Dita vai dando. Ela é corajosa, afiada e vai ser a nossa grande dama do rádio. Lembro que a primeira cena que vi do Candinho com a Dita fiquei encantado, com lágrimas nos olhos, porque tem um poder os dois juntos”, diz.

Sergio Guizé e Jeniffer Nascimento farão par romântico na nova novela das seis (Divulgação/Globo)
E finaliza, declarando sobre a parceira na ficção:
A Jeniffer é uma atriz de mão cheia, com bagagem. Acredito no jogo, na verdade, no olho no olho, e isso temos desde Êta Mundo Bom!’. Torço muito por ela. Aliás, desde que fizemos ‘Popstar‘ juntos (eles participaram da segunda temporada do reality musical, exibida pela Globo em 2018, da qual a atriz saiu a grande campeã). E mesmo sendo um dos competidores, eu queria que ela ganhasse. Fico aliviado quando sei que a Jeniffer vai estar comigo em cena – Sergio Guizé
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