SBT News não parece SBT: canal estreia tardiamente no all news e aposta em jornalismo maduro, elegante e competitivo


O SBT News estreou como o primeiro canal all news do grupo, chegando tardiamente ao segmento, mas com proposta sólida e organizada. A estreia mostrou sensibilidade ao ritmo da notícia e acionou plantão logo na primeira hora, com Celso Freitas e Marina Demori no comando. Houve falhas técnicas pontuais, comuns a uma estreia, sem comprometer a credibilidade ou a fluidez do jornal. O canal surpreende e aposta em um telejornal maduro, elegante e alinhado ao padrão dos concorrentes
Com audiência inicial competitiva, o SBT News nasce com espaço real para crescer no mercado de notícias 24 horas

* por Rodrigo Otávio

Estreou na última segunda-feira o SBT News, primeiro canal all news do grupo fundado por Silvio Santos — e, se o relógio da história servir de parâmetro, trata-se de uma chegada tardia. O SBT ingressa nesse segmento em 2025, quase três décadas depois da GloboNews (1996), mais de 20 anos após a BandNews (2001) e 18 anos depois da Record News (2007). Ainda assim, o atraso cronológico não se traduziu em improviso editorial. Ao contrário: o canal nasce sólido, organizado e com potencial evidente de consolidação.

A apresentação inicial foi direta, quase econômica, mas eficaz. O SBT News se explicou rapidamente ao espectador e, mais importante, demonstrou sensibilidade ao “tempo da notícia”. Já na primeira hora, acionou a vinheta de plantão para tratar do problema envolvendo o Banco Master — um gesto simbólico de que o canal pretende operar segundo a liturgia clássica do jornalismo ao vivo. No comando do estúdio, Celso Freitas, experiente e em plena maturidade profissional, forma uma dupla correta e funcional com a jovem Marina Demori. Houve deslizes pontuais, como a sobreposição de falas em determinado momento, mas nada que extrapole o esperado de uma estreia ao vivo. Ambos são veteranos, seguros e sabem recuperar o controle da cena.

Luara Castilho é uma das apresentadoras do SBT News (Foto: Divulgação)

Os problemas mais evidentes foram de ordem técnica. O operador de vídeo errou alguns cortes de câmera; o telão travou, obrigando a apresentadora a segurar a entrada de uma arte; o microfone de Celso Freitas apresentou uma discreta variação de altura; a trilha de fundo (também chamada de BG), em certos momentos, soou acima do ideal; e houve um descompasso de iluminação na tela dividida entre São Paulo e Brasília, com visível diferença de temperatura e acabamento. São falhas reais, mas pequenas — e, sobretudo, corrigíveis.

Nenhuma delas comprometeu a fluidez ou a credibilidade da transmissão, que se manteve firme ao longo das primeiras horas. Outra falha foi a falta de uma pauta quente ou exclusiva, ou uma grande entrevista, ou ainda uma grande reportagem especial para inaugurar o novo canal. Outra falha foi a falta de um giro para reportagens regionais – mesmo que fossem algumas lapadas, ou seja, uma sequência de breves notícias gravados. As duas primeiras horas privilegiaram a crise da energia em São Paulo e o noticiário político de Brasília.

Diferença nas imagens. A do centro está mais lavada que a da direita e da esquerda (Foto: Arquivo Pessoal)

Talvez o dado mais curioso da estreia seja este: o SBT News não “parece” SBT. A constatação não carrega juízo negativo; ao contrário, revela uma mudança estratégica. As duas primeiras horas exibiram um telejornal maduro, estruturado, visualmente elegante e sustentado por comentaristas experientes. Entre eles, destaca-se Sérgio Utsch, referência consolidada no jornalismo internacional.

Lúcio Sturm, ex-Globo e ex-Record, é um dos apresentadores do SBT News (Foto: Divulgação)

Essa elegância editorial merece ser sublinhada porque o jornalismo nunca foi, historicamente, o eixo central do SBT. Quando ocupou esse espaço, a emissora frequentemente flertou com formatos populares ou declaradamente popularescos. Um canal all news com essa mesma linguagem teria sido um experimento ousado — e até interessante. Não foi essa, porém, a escolha. O SBT opta por um modelo semelhante ao dos concorrentes. Não inova radicalmente, mas também não erra. Em televisão, às vezes, acertar o básico já é uma virtude.

A emissora passa, assim, a operar dentro de um novo contexto e de um conceito que, ao que tudo indica, dialoga melhor com seu público atual. No momento da redação desta resenha, o SBT News no Youtube reunia cerca de 6 mil espectadores ao vivo, contra aproximadamente 10 mil da CNN Brasil e 8 mil da Record News. Números modestos, mas reveladores: o canal nasce competitivo, com margem para crescer e espaço real no mercado. Para quem chegou por último, começar assim não é pouco.