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Abracadabra! Nova série sobre bruxas diabólicas hipnotiza plateia americana com recorde de audiência!

Com cenas de sexo picantes, rituais diabólicos e um amor proibido, "Salem" promete juntar na mesma poção pitadas de "American Horror Story", "True Blood" e "Game Of Thrones"

Publicado em 23/04/2014 | Por Alexandre Schnabl

*Por João Ker

Neste último domingo (20/04), o canal WGN America, baseado em Chicago, estreou a sua primeira série original, “Salem”. Com uma audiência total de mais de 2 milhões de telespectadores – um número que a emissora não alcançava há mais de sete anos -, já se pode esperar que a série seja estendida por algumas temporadas, apesar de só o piloto ter sido exibido por enquanto. Como o nome sugere, o programa gira em torno do julgamento das bruxas de Salém, o famoso episódio ocorrido no final do século XVII em Massachusetts, Nova Inglaterra, que gerou histeria e ficou para a história. Esse momento xiíta do fundamentalismo cristão evidencia, por si só, o frenesi psicológico da Igreja Protestante quando o assunto é reprimir os freaks e a aproxima do radicalismo de outras religiões, revelando que excessos sempre são nocivos, independente do credo.

Mas, como o seriado lida com fantasia sobrenatural, o foco principal do roteiro são as bruxas, suas feitiçarias, seus pactos diabólicos e o romance do casal principal John Alden (vivido por Shane West, o pitéu de Nikita”, “A Liga Extraordinária” e “E.R.”) e Mary Sibley (Janet Montgomery). John abandona Mary por causa da guerra e, quando volta sete anos depois, descobre que a mulher se casou com o cara mais rico da cidade. Ele não sabe, mas ela agora é a bruxa mais poderosa da região e ao longo da série, provavelmente eles irão lutar para decidir quem manda no pedaço. Enquanto isso, a cidade toda vive um estado de pânico latente graças aos ataques das feiticeiras, que pretendem expurgar os puritanos do mundo, mandando a rapaziada depressinha para o nirvana. Logo no piloto, já se estabelecem os dramas paralelos e personagens secundários prometem ter um desenvolvimento próprio e sua identidade levada a fundo.

Ritual profano de Salem

Não é rave, nem Village People: a bicharada faz a festa na fogueira, em ritualzinho profano de “Salem” (Foto: Divulgação)

Mas, afinal, uma pergunta surge no ar: para quê mais uma série paranormal? Existe algo de novo sobre bruxas que ainda não tenha sido mostrado? Bem, quando foi anunciada a terceira temporada de “American Horror Story: Coven” e o público descobriu que o tema seriam bruxas, a preocupação foi a mesma. Felizmente, o produtor Ryan Murphy conseguiu fugir do lugar comum e, através de atuações brilhantes, da presença ímpar de Jessica Lange e Kathy Bates e dos diálogos inteligentes, fez talvez a melhor temporada de AHS até agora. Mas, ao contrário de seu concorrente mais famoso, “Salem” ainda tem uma longa caminhada pela frente, se pretende evitar clichês e mostrar algo que ainda seja inédito na TV. E, claro, o pano de fundo histórico de um evento que de fato aconteceu – a inquisição na Nova Inglaterra – é um atrativo a mais, sobretudo se considerarmos que séries baseadas em acontecimentos passados (como “Roma”, “Os Tudors”, “Os Bórgias” e a ficção que retrata os pormenores da Inglaterra pós-vitoriana, “Downton Abbey”, são (ou foram) sucessos retumbantes de audiência e de crítica. Portanto, uma atração que une panorama de época com sobrenatural pode ser mesmo uma poção mágica perfeita para hipnotizar os fãs.

Pelo piloto, o show parece uma mistura de várias coisas que já estão no ar cativando plateias: cenas de violência explícita lembram a crueza de The Walking Dead”, com uma sociedade inteira sem valores morais beirando o caos; personagens de dignidade duvidosa ou interesses obscuros parecem uma mistura de Game Of Thrones’ com “Downtown Abbey”; as cenas de sexo combinadas com as referências à sexualidade aflorada das bruxas fornicadoras – algo abominador e digno de fogueira para a carolíssima sociedade da época – trazem à memória uma versão mais light de “True Blood”; e o caso de amor entre duas pessoas “destinadas a se enfrentar” soa parecido com qualquer clichê adolescente que o The CW tenha a oferecer, tipo The Vampire Diaries.

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O casal principal da série (Foto: Divulgação)

Por enquanto, “Salem” vai precisar mostrar a que veio para se consolidar com pièce de résistence no sofisticado cardápio da atual televisão americana. O seriado ainda tem estrada a percorrer para ver se vinga, apesar de ter oferecido um bom piloto ao público, tanto no enredo quanto à desmistificação da tola ideia de que bruxas usam figurinos de Halloween, cavucam abóboras e amam chapéu pontudo – tipo a Bruxa Má do Oeste, de “O Mágico de Oz”, já as personagens estão mais para “A Bruxa de Blair” do que para as fofinhas  Sandra Bullock e Nicole Kidman em “Da Magia À Sedução. Entretanto, mais do que um amálgama de componentes de outras séries de sucesso, o programa necessita de algo inteiramente inovador, que prenda a atenção do público quando as cenas de exorcismo ou magia negra não estiverem em curso. Bem verdade que os espectadores mais jovens são fascinados por temáticas sobrenaturais e isso já é um ponto a favor – principalmente depois de febres descerebradas como Crepúsculo”. Mas investir nessa fórmula é garantia de ibope? Em uma safra onde a produção televisiva pode se dar ao luxo de oferecer acepipes do mais alto gabarito, como “House of Cards” e “Breaking Bad”, não é tarefa fácil emplacar novidade boa na área. Mas, se a aspiração artística estiver pau a pau com os interesses comerciais, é bom que “Salem” arrisque um pouco mais. Ou, então, a WGN America pode se preparar para voltar ao seu público morno dentro de poucos meses. Confira o trailer (Divulgação).

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