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Rosanne Mulholland volta à Globo com personagem polêmica e defende a causa da adoção

Lara, personagem da atriz em ‘Malhação’, é advogada bem-sucedida que luta pela guarda da filha adotiva da irmã contra a mãe biológica

Publicado em 06/05/2019 | Por Heloisa Tolipan

*Por Jeff Lessa

Rosanne Mulholland conquistou um público bem eclético por sua atuação como a doce professora Helena, protagonista de “Carrossel”, no SBT. E, agora, ela está no ar em “Malhação”, na Globo, no papel de Lara, uma advogada bem-sucedida que luta pela guarda da filha adotiva de sua irmã (Paloma Duarte) contra a mãe biológica (Alanis Guillen). Dez entre dez opiniões sobre a personagem a rotulam de “a vilã da novela”. Mas Rosanne prefere ser mais sutil. Bem mais.

– Ela tem aspectos bons e ruins, como todo mundo. Ao mesmo tempo que sente muito amor pela família é extremamente ambiciosa. É aquele tipo de pessoa que faz o que for necessário para atingir seus objetivos e não mede esforços para ter o que quer. Eu diria que se trata de uma pessoa controversa, não exatamente de uma vilã – diz Rosanne, que acredita que a situação pode gerar debates importantes sobre o tema da adoção na vida real.

Rosanne afirma que sua personagem em ‘Malhação’ não é exatamente vilã: ‘Ela é controversa’ (Foto: Vinícius Mochizuki)

Por falar em vida real, o que não falta na trajetória da atriz é trabalho. Ela conta que começou a fazer teatro aos 12 anos em Brasília, sua cidade natal. E que passou a adolescência inteira investindo em cursos para se aprofundar na profissão.

– Fiz meu primeiro curta-metragem ainda em Brasília, quando tinha 20 anos – conta Rosanne, hoje com 38. – Chama-se “Dez Dias Felizes” e conta a vida de um casal muito jovem que passa pela experiência de um aborto. A direção é do José Eduardo Belmonte, que hoje dirige a série “Carcereiros” na Globo.

O primeiro longa veio em 2005, também com direção de Belmonte: “A Concepção”, em que interpretava a maluquete Liz, uma garota que se droga e faz sexo alucinadamente. E foi a partir daí que começaram a pintar os convites:

– Fui chamada para eventos, para outros trabalhos. Passei a ser contratada. Foi a partir desse filme que eu comecei a viver do meu trabalho.

Rosanne Mulholland está de volta à Globo (Foto: Vinícius Mochizuki)

Um filme para o qual a atriz foi convidada a estrelar exatamente por conta de sua bela atuação em “A Concepção” foi “Falsa Loura” (2007), de Carlos Reichenbach. Além render a consagração no Festival de Brasília, onde o filme ganhou o Troféu Candango, ela também foi homenageada na Mostra de Tiradentes como símbolo da renovação do cinema brasileiro. E ganhou o status de musa.

A interpretação de Rosanne em “Falsa Loura” foi tão marcante que o diretor chegou a mudar o final do filme para se adequar à personagem criada, literalmente, por ela. Na época, Reichenbach afirmou nunca ter conhecido uma atriz que se entregasse tanto a uma personagem. O filme conta a história de uma operária muito bonita que trabalha duro para sustentar a família, mas acaba caindo na depravação ao se envolver com dois ídolos da música, interpretados por Cauã Reymond e Maurício Mattar.

Em parte, Rosanne credita sua entrega às personagens ao fato de ser formada em psicologia.

– Eu sempre me interessei pelo ponto de vista do outro. Tenho muita vontade de perguntar como o outro sente, como pensa. A psicologia aumenta o mundo, estimula a curiosidade. É como se a vida fosse pouco. Nunca exerci a profissão, mas cheguei a atender na clínica da faculdade. Você aprende a não julgar. Se recebe um paciente e julga, já está atrapalhando o processo. Ninguém sai da faculdade de psicologia da maneira que entrou – opina.

E como exatamente o estudo afetou a atriz?

– Fiquei bem mais aberta para enxergar as personagens – explica Rosanne, que se formou em 2004 pelo Centro Universitário de Brasília (Uniceub).

A formação em psicologia ajuda Rosanne a compreender melhor suas personagens (Foto: Vinícius Mochizuki)

O ano da formatura foi, também, o ano em que a atriz se mudou para o Rio de Janeiro, onde teve aulas com Daniel Herz, na Casa de Cultura Laura Alvim. Os longas se sucederam (“Nome Próprio”, “Meu Mundo em Perigo”, “Falsa Loura”, “Homem Livre, “O Candidato Honesto 2”, entre outros). Os trabalhos em TV também apareceram, como a série da Globo “JK” (2006) e a novela da Band “Água na Boca” (2008), inspirada em “Romeu e Julieta”, de Shakespeare. Em São Paulo, ela trabalhou como repórter no programa de TV “A Liga”, exibido pela Band entre 2010 e 2016. Mas Rosanne ficou por uma temporada apenas:

– Como repórter, gostei de passar por algumas aventuras. Fui com a Brigada de Incêndio apagar o fogo que consumia um matagal próximo à reserva indígena em Roraima. Dormi na reserva, foi muito interessante. Mas eu não gostava de seguir a agenda dos outros, não tem como conciliar com a carreira de atriz.

 

 

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