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Renata Gaspar, protagonista de “Pais de Primeira”, admite: “Não tenho filhos e nem pretendo ter!”

Muito conhecida por seus trabalhos humorísticos, a atriz revela que já se incomodou por ser chamada de comediante: "Eu achava que era algo menor e ficava irritada quando me rotulavam assim. Até que percebi que tudo bem me chamarem dessa forma, não é menos, é tão difícil quanto. Sou muito profissional e coloco no mesmo lugar”

Publicado em 21/12/2018 | Por Leticia Sabbatini

Já parou para pensar como seria de um mês para o outro ter um filho para cuidar? Foi o que aconteceu com a atriz Renata Gaspar, que acabou de estrear como a protagonista de “Pais de Primeira” e precisou assumir toda a realidade materna, sem ter nenhuma proximidade com esse universo até então. Ela, que marcou o seu nome durante 5 anos consecutivos em “Tá no Ar”, se prepara também para o lançamento de uma peça ao lado de grandes profissionais, como Debora Bloch e Guilherme Weber. Entre uma gravação e outra, Renata contou ao site HT, em um papo cheio de humor, sobre a sua trajetória, experiências e o futuro profissional.

Ao lado do ator George Sauma, Renata dá vida à Thais, mãe de primeira viagem (Foto: Reprodução)

Iniciando a conversa sem papas na língua, a atriz admitiu que, desde criança, leva jeito para a atuação. Sempre fazendo algum personagem ou imitação para a família, que ainda não possuía o hábito de frequentar o teatro, Renata foi incentivada a entrar em cursos do gênero ainda bem pequena. Em 2003, quando finalizou o curso profissionalizante e também o ensino médio, pensou que esse seria o momento de estudar para conseguir passar no vestibular para artes cênicas. “No meio do caminho, eu desisti e fui me dedicar a interpretação para cinema. Um pouco antes disso, eu já estava apresentando peças profissionais e, por isso, precisei ser emancipada. Acabei não fazendo faculdade de nada, fui só fazendo cursos e trabalhando. Uma coisa foi levando à outra, as pessoas me viam em um trabalho e me chamavam para outros. Sempre confiei muito no fluxo das coisas, eu fui atendendo a pedidos, sabe? Se me chamavam é porque me queriam naqueles lugares”, contou.

Apesar de começar no teatro, foi através do humor que ela entrou para a TV, com a série “Descolados”, grande sucesso da MTV. Também por meio da comédia, Renata pôde se desafiar como nunca tinha feito antes em “Saturday Night Live”, em 2012, na Rede TV. “Acabei indo parar na comédia mesmo, fiz esquetes, imitações e várias outras coisas que eu nem sabia que conseguia fazer. Foi muito experimental, eu pude me conhecer e as pessoas também passaram a me notar”, explicou ela, que depois desse projeto ganhou repercussão na TV aberta, até ser convidada para outros projetos. “O Marcius Melhem me viu em uma publicidade e o Marcelo Adnet me viu no Saturday Night Live.  Os dois me convidaram para o Tá No Ar e lá se vão 5 anos. Hoje, formamos uma família incrível, com os mesmos atores, a mesma equipe. Somos um grupo de muito carinho e isso é raro. É quase como se fossemos uma trupe de teatro. Olhamos um para o outro, brincamos um com o outro, é leve e divertido. Eu admiro todos ali”, admitiu. Em gravação com a sexta e última temporada do programa, ela admitiu que a rotina fará falta, mas afirmou que lida muito bem com despedidas: “Tem muitas vezes que choramos no set. Não é tristeza, é mais saudade mesmo. Eu sou a pessoa que diz ‘tudo bem se acabar’. Acho que nós temos que nos renovar, nos desafiar, fazer outros projetos. O nosso programa não caiu, está tudo bem se ele acabar agora, deu tudo certo. Sou a favor disso em todos os projetos”.

Com essa mesma leveza, a atriz começou a nos contar sobre a sua experiência como mãe de primeira viagem em seu novo trabalho. Em “Pais de Primeira”, Renata interpreta Tais, uma mulher moderna, que se vê às voltas com a primeira gravidez. Ela diz que a série foi uma experiência importante primeiramente pela vivência de “ser mãe”, algo bem distante de sua realidade pessoal. “É bem louco, porque não estou próxima desse universo. Eu não tenho filhos e nem pretendo ter, então foi um desafio bem grande. Gravamos em cinco semanas, foi um intensivo dessa vida de mãe. Eu fiquei meio louca, peguei um pouco a sensação de estar grávida e ter um filho. Foi engraçado, porque acabamos e eu fui para São Paulo fazer um outro trabalho e fiquei com uma sensação estranha, me perguntando ‘Que? Cadê meu filho? Não tenho mais?”, admitiu, em tom de brincadeira. Protagonizando a série ao lado do ator George Sauma, ela não escondeu o carinho enorme pelo parceiro: “Fui a primeira a ser convidada, então eu li o texto com vários atores, mas quando chegou o Sauma, eu pensei ‘é isso!’. Foi muito gostoso e ele é incrível”.

Aos 32 anos, Renata diz sem papas na língua que não deseja ter filhos (Foto: Divulgação)

Além dessa vivência materna, Renata explicou que fazer algo para além do humor foi essencial para a construção de sua carreira como atriz. “Faço muito drama no teatro, mas na TV essa foi a primeira oportunidade de mostrar esse meu lado e achei muito bom porque sou atriz, não sou só comediante. Faço a cena de comédia, assim como eu faria se fosse um drama, com a mesma entrega e sinceridade”, explicou. Apesar da facilidade para a comédia, a atriz assumiu que no início não gostava quando a rotulavam pelos seus trabalhos humorísticos: “Trabalhei isso na minha mente. Eu tinha um preconceito em ser chamada de comediante ou humorista. Eu achava que era algo menor e ficava irritada quando me rotulavam assim. Até que percebi que tudo bem me chamarem dessa forma, não é menos, é tão difícil quanto. Sou muito profissional e coloco no mesmo lugar”. Em tom de sinceridade, ela continuou, revelando algumas experiências pessoais: “É uma separação engraçada que as pessoas fazem. Quando vem falar de Tá no ar, pedem para eu fazer piada, quando é para falar de algo mais dramático, perguntam da minha carreira. Eu fico passeando por esses dois lugares”.

Com a pausa na TV, a atriz revelou a felicidade em poder voltar para os palcos. Segundo ela, nada se compara a atuar no ao vivo, trocando sensações com o público: “No teatro, explorando o meu corpo como território, eu fico muito em casa. Eu sinto um prazer surreal de estar inteira ali ao vivo naquele lugar. Às vezes eu estou gravando e em cartaz, mas eu não sinto cansaço, pelo contrário, eu me sinto mais viva”. Em 2019, Renata estreará em “Antes que a definitiva noite se espalhe em Latino América”, que trata sobre o momento político do Brasil e países vizinhos através de textos de autores latino-americanos e nacionais. Ao lado de Debora Bloch, Guilherme Weber e Jefferson Schereider, ela contou um pouco mais sobre o projeto: “A peça fala de toda a Latino América e do mundo, consequentemente, através do olhar do ator. Como os artistas ficam no meio dessa história toda”.

Passeando por trabalhos humorísticos e dramáticos, Renata não se importa mais com os rótulos Foto: Divulgação)

Muito ciente do seu papel como atriz e mulher, Renata falou também da atual sociedade e o contexto no qual estamos inseridos com esperança. “Estamos abrindo caminhos e ainda bem, as coisas já estão mudando. Se ainda temos desigualdades, está errado e vamos precisar alinhar isso. Hoje, acho que está bem melhor, mas ainda falta. Estamos dando mais a cara a tapa, não estamos mais fazendo concessões, estamos nos colocando e isso vai reverberar”, finalizou.

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