Rainer Cadete estreia em “Quem Ama Cuida” e é vítima da perseguição de Tatá Werneck na trama


O ator será um dermatologista e sócio de uma clínica de estética ‘especialista em bumbum de pêssego’ na novela “Quem Ama Cuida”, de Walcyr Carrasco e Cláudia Souto, interpretando o médico César, em sua oitava parceria com o autor. Na trama, o personagem será alvo da obsessão de Brigitte, vivida por Tatá Werneck, cuja atuação é elogiada pelo ator pela versatilidade entre drama e humor. Rainer também celebra a trajetória artística do filho, Pietro Cadete, com quem divide projetos como o livro “Olhares que filtram”, sobre a experiência de uma família interracial no Brasil. O ator destaca a importância do diálogo, da arte e do engajamento social na formação do jovem. Com 23 anos dedicados ao teatro, ele reafirma sua ligação com os palcos e sua defesa das políticas públicas que transformaram sua vida.

Rainer Cadete estreia em "Quem Ama Cuida" e é vítima da perseguição de Tatá Werneck

*por Lucas Souza

Do tablado ao folhetim, Rainer Cadete está em constante movimento. O ator, que concilia televisão, cinema, música e teatro, agora está na novela das 21h, “Quem Ama Cuida”, de Walcyr Carrasco e Cláudia Souto, mais uma trama que se soma à longeva parceria dele com o autor e com a diretora artística da novela, Amora Mautner. “É minha oitava parceria com o Walcyr e a quinta com a Amora. Já comecei a gravar minhas primeiras cenas e estou muito ansioso para dividi-las com vocês”, conta. “(A novela) é um melodrama clássico, então eu estou muito feliz de fazer parte e de interpretar o Dr. César, o ‘especialista em bumbum de pêssego'”, diverte-se. César entra na trama na segunda fase da novela, prevista para começar com o fim da Copa do Mundo.

Na história, César é casado com Bia (Maria Ribeiro), mas se tornará vítima das perseguições de Brigitte, stalker interpretada por Tatá Werneck. Esta é a segunda parceria de Rainer e Tatá na teledramaturgia. Em 2023, os dois contracenaram em “Terra e Paixão”, também assinada por Walcyr, como o casal Luigi e Anely. O ator garante, no entanto, que agora a proposta é bem diferente. “São personagens e universos bem distintos”, enfatiza.

O núcleo de Brigitte, inclusive, tem gerado bastante burburinho nas redes sociais. A personagem, filha mais velha da grande vilã da história, Pilar (Isabel Teixeira), age de maneira obsessiva com os homens com quem se envolve, podendo ir até às últimas consequências. Além disso, sofre rejeição da mãe, que demonstra predileção pelos outros filhos, Ingrid (Agatha Moreira) e Rafael (João Vitor Silva). É, portanto, mais dramática que outros tipos interpretados por Tatá nas novelas, como, por exemplo, a tão lembrada Valdirene de “Amor à Vida”. “A Tatá é uma grande atriz, uma das maiores com quem eu já trabalhei, e também é uma das maiores humoristas do país. Sua personagem carrega várias tintas, então tem drama e tem humor. Tatá é muito estudiosa e dedicada, e consegue servir todas essas tintas que o papel pede”, pontua.

Rainer como Dr. César, 'o especialista em bumbum de pêssego' (Foto: Divulgação)

Rainer como Dr. César, ‘o especialista em bumbum de pêssego’ (Foto: Divulgação)

Rainer também fala sobre como é ver o amadurecimento do filho, que está seguindo seus passos profissionais. Pietro Cadete, 19 anos, estreou em maio o solo “Minha última refeição”, com direção de Tatiana Henrique. Para Rainer, o nascer desse amor do filho pelo teatro foi orgânico, por ser um universo familiar para ele desde a infância. “Quando o Pietro nasceu eu já fazia teatro, então ele cresceu nos camarins. Já aconteceu de ele ver os espetáculos que eu fiz várias vezes, e eu notei uma sensibilidade artística muito interessante nele”, relembra.

O ator  também observou o talento do filho para a escrita, o que os levou a publicarem juntos o livro “Olhares que filtram”, que aborda a vivência de ambos como uma família interracial. “Eu sou um homem branco e meu filho é negro, então existe toda uma complexidade em uma família como essa em um país como o Brasil, com um racismo estrutural tão enraizado. Então, eu precisei me despertar muito para ser pai dele”, disse, complementando que não somente se vê como uma influência positiva para o filho, como também é influenciado positivamente por ele. “O nosso livro é adotado em escolas e a gente vive indo dar palestras juntos, e é um momento super legal de conversas e de trocas. E a gente não pretende parar por aí, queremos escrever outros livros, filmes, estar em cena (juntos) no teatro, existe essa vontade e esse desejo”

Entre arte, paternidade e questões sociais, Rainer entende que o segredo para ter uma relação tão aberta com Pietro está no diálogo, sobretudo neste contexto em que o Brasil e o mundo atravessam uma onda de retrocessos. “Eu e meu filho conversamos sobre todos os assuntos, escuto a opinião dele, pontuo a minha e também busco diferentes pontos de vista. A gente está em um momento em que o diálogo está difícil de ser feito, e é o que mais nos enriquece. Eu sempre fui em prol do diálogo e do acolhimento, e eu passo isso para o meu filho.” O ator pontua também, com otimismo, que há uma nova geração a postos para combater injustiças.

Eu vejo que o Pietro tem vontade e sangue nos olhos de fazer justiça, de consertar certos erros que a sociedade tem, e com muita força pra isso. Ele não fica só no plano das ideias, se mobiliza e me mobiliza também. Por influência dele, que é jovem, acredito que existe por aí uma juventude pronta pra quebrar com esse conservadorismo, e a arte é uma ótima ferramenta pra isso – Rainer Cadete 

Rainer e Pietro Cadete escreveram juntos ‘Olhares que Filtram’ (Foto: Sérgio Santoian)

Teatro com propósito

Em meio à rotina agitada de gravações da novela, Rainer conseguiu uma brecha para comparecer ao Teatro TotalEnergies, no Rio de Janeiro, e fazer parte do projeto “Leitura Solidária”, junto de Deborah Secco, Paula Burlamaqui, Pathy Dejesus, Marcella Fogaça, Felipe Roque e Bruno Kott. A iniciativa, idealizada por Christiane Fogaça, promoveu uma leitura dramática beneficente do texto “Todo Clichê do Amor“, de Rafael Primot, com toda a renda sendo destinada ao Retiro dos Artistas. “Estou muito feliz de contribuir por uma causa tão nobre com a minha arte junto de um elenco incrível”, celebra.

O ator tem uma relação longeva com o teatro, iniciada ainda na adolescência. De seus 38 anos de idade, 23 são dedicados aos palcos. “Eu venho da periferia de Brasília e, aos 15 anos, eu fiz um curso de artes cênicas continuado, então eu sou fruto de políticas públicas. Nesse curso eu vivenciava todo o fazer teatral, como escrever, dirigir, interpretar e produzir”, relembra, afirmando que, até hoje, não se vê longe dos palcos. “[O teatro] mudou minha vida completamente. Foi o que me deu uma perspectiva de carreira e de futuro, é o que me permite ter essa vida que eu tenho hoje, que me faz ir dormir cansado por coisas que eu amo fazer.”