Protagonista de ‘Renascer’, Humberto Carrão está em série de Betinho e critica ausência de debate sobre HIV e hemofilia


O ator estará em “Renascer”, nova novela das 21h que substituirá “Terra e Paixão” e destaca que este é um dos papéis mais especiais de sua carreira. Aliás, importante ressaltar que este é o seu primeiro protagonista no horário – ainda que seja só na primeira fase. Outro trabalho do ator que merece atenção é “Betinho – No Fio da Navalha”, série do Globoplay que revisita a biografa do sociólogo Herbert de Souza (1935-1997), mentor da Ação da Cidadania e ativista da segurança alimentar. Hemofílico e soropositivo, Betinho e seus irmãos faleceram numa época em que a medicação e as políticas tanto para o HIV como para a hemofilia eram frágeis. Para Humberto Carrão, campanhas de conscientização sobre o HIV e hemofilia “não são debatidas com eficácia no país até hoje. As coisas aqui são cíclicas e, às vezes, os debates perdem a força porque outras coisas acontecem e os focos vão mudando, mas a gente não pode perder atenção para nenhuma dessas causas”

Humberto Carrão está em série de Betinho e critica ausência de debate sobre HIV e hemofilia

*por Vítor Antunes

Desde “Amor de Mãe” afastado das novelas lineares, Humberto Carrão voltará à telinha na primeira fase de “Renascer”, nova novela das 21h, que irá substituir “Terra e Paixão”, que termina esta semana. Anteriormente a esta trama o ator pôde ser visto em “Todas as Flores” – sucesso no streaming e na exibição especial nas noites da Globo. Em gravação desde outubro do ano passado, sobre a nova novela, Humberto se diz emocionado com a possibilidade de protagonizar, ainda que na primeira fase, a novela de Benedito Ruy Barbosa. Depois, seu personagem será vivido por Marcos Palmeira. “Estou me preparando para a novela desde agosto e quase acabando as gravações. Está sendo o máximo e eu estou encantado. É um dos personagens mais bonitos que eu já fiz, o José Inocêncio é escrito de uma forma rara”, elogia.

No elenco de Renascer, Humberto Carrão elogia a singularidade da trama. Em “Betinho”, fala de HIV e hemofilia

Além da novela, Carrão pode ser visto na série “Betinho – No Fio da Navalha“, na qual vive o cartunista Henfil (1944-1988), irmão do protagonista, o sociólogo Herbert de Souza (1935-1997), o Betinho, responsável não apenas pela implantação como pelo estabelecimento da campanha do “Natal Sem Fome” pela Ação da Cidadania, ONG fundada por ele. Segundo Carrão “essa série tem mil razões de existir e possibilidades de transformação no mundo. Era isso que o Betinho pensava. Eu acho sim que pode ser motivo de conscientização em mil espaços diferentes. Esta é uma série com pessoas que tinham um olhar atento para realidade, que sofriam com ela, mas que não ficavam reféns de uma primeira sensação. É uma série que convida à ação, assim como a vida dessas pessoas. Com muitas razões e importâncias de ser”.

Tanto Henfil, como Chico Mário (1948-1988), como Betinho (1935-1997) eram soropositivos e hemofílicos. Todos passaram a conviver com o HIV por conta de transfusões de sangue, algo que era necessário para eles na época. Naquele momento o sangue não era devidamente testado, nem havia medicação precisa para ambas as condições. A hemofilia representa uma condição genética e hereditária que impacta o processo de coagulação sanguínea. Sua incidência é de uma pessoa a cada 10 mil pessoas. Em tempos passados, a ausência de tratamento apropriado poderia resultar na morte ou no desenvolvimento de sérias complicações para aqueles afetados pela hemofilia. No Brasil, a disponibilidade de medicamentos para tratamento preventivo foi estabelecida há uma década.

Humberto Carrão em “Betinho”. Ele viveu o cartunista Henfil, irmão do protagonista. Todos os três eram soropositivos e hemofílicos (Foto: Divulgação/Globo)

Para Humberto Carrão, campanhas de conscientização sobre o HIV e hemofilia “não são debatidas com eficácia. O HIV só cresce no Brasil. As coisas aqui são cíclicas e, às vezes, os debates perdem a força porque outras coisas acontecem e os focos vão mudando, mas a gente não pode perder atenção para nenhuma dessas causas”. Outra questão que parece não centralizar mais o debate é o combate à fome. “Figuras como o Betinho conseguiam, com a sua habilidade política, com a sua lucidez, sagacidade e compreensão liderar campanhas que eram belíssimas, trazer mais gente e engajar mais outras. Claro que acho que elas são poderosas e necessárias hoje em dia”. Tanto que, ressalta o ator, a Ação da Cidadania existe até hoje. Os programas de combate à fome, porém, estão mais dispersos, contemporaneamente.