Post de ex-BBB sobre beleza de Rivellino faz Daniel Blanco, que interpreta o craque em “Brasil 70”, explodir nas redes


Quando o ex-BBB João Pedrosa postou no X (ex-Twitter): “Gente, tô vendo ‘Brasil 70’, na Netflix. O Roberto Rivellino era gostoso assim?”, o post viralizou. Na verdade, quem interpreta Rivellino é o ator Daniel Blanco, que voltou aos holofotes com o sucesso de “Brasil 70: A Saga do Tri”, da Netflix, onde interpreta o jogador, papel que impulsionou sua popularidade nas redes sociais. Daniel relembra o encontro com o ex-jogador, fala da intensa preparação para viver um personagem real e revela que quase seguiu carreira no futebol, chegando a passar pelo CT do Flamengo. Herdeiro de uma tradicional família de artistas, ele reflete sobre o papel da arte na construção da identidade do país e destaca a influência do avô, o compositor Billy Blanco. Daniel também critica a perda da criatividade no futebol contemporâneo e lamenta a infância cada vez mais mediada por telas. Para o segundo semestre, ele estreia seu primeiro trabalho de suspense, “As Sete Marias”, no Disney+, e prepara o lançamento do álbum de estreia da banda Muladhara.

*por Vítor Antunes

Um cara bonito, inteligente e de uma família onde praticamente todos são famosos desde os anos 50. Daniel Blanco teria todos os motivos do mundo para não ser low profile. No entanto, é um cara elegantíssimo, que fala baixo, de forma precisa e carinhosa. Recentemente, ainda que já esteja no ar há muitos anos, parece ter sido (re)descoberto pelas redes em razão da série “Brasil 70: A Saga do Tri”, na qual interpreta o jogador Rivellino, especialmente quando o ex-BBB João Pedrosa postou no X (ex-Twitter): “Gente, tô vendo ‘Brasil 70’ na Netflix. O Roberto Rivellino era gostoso assim?”. Desde então, especialmente no X, as fotos tanto de Riva quanto de Dani circulam incessantemente naquela rede, e o post do ex-BBB já bateu cerca de 2 milhões de alcance. Os “Rivellinos” se conheceram no ano passado.

Dani relembra: “Conhecer ele foi maravilhoso. O Riva foi super receptivo e carinhoso comigo e minha namorada. Contei tudo sobre a série pra ele e ele me contou um monte de história da sua carreira e da Copa de 70. Deve ser uma experiência interessantíssima comparar um encontro com as memórias da Copa de 70, depois de 60 anos, com um encontro com alguém que tá no calor do momento, vivendo a experiência mais intensa da sua vida profissional”.

Mesmo tendo estudado muito pra viver um jogador na Copa, nenhum de nós vai saber como é essa sensação. A intensidade deve ser única – Daniel Blanco

Rivellino foi um dos destaques da Copa de 70 (Foto: Reprodução/Netflix)

Daniel Blanco, em sua caractereização ficou muito semelhante ao jogador (Foto: Reprodução/Netflix)

Por acaso, Daniel jogou, na série, na posição em que sonhava jogar, caso houvesse se dedicado ao futebol. “Eu sonhava em jogar de meia-esquerda na seleção brasileira e acabei interpretando um dos maiores meias-esquerda de todos os tempos, jogando uma Copa do Mundo e ganhando! Foi uma bela resposta do universo aos meus sonhos compartilhados da infância e da atualidade”. Ao construir Rivellino, o ator retomou a mentalidade de atleta que o norteou durante a vida. “A mentalidade do atleta eu já tinha na bagagem, o que eu não tinha era a pressão de jogar uma Copa do Mundo representando um país que já tinha muita pressão de ganhar. Essa mentalidade foi desafiadora de trazer pra tela. A parte do corpo e movimento do Rivellino foi um estudo muito divertido. Eu quis fazer tudo igual, desde o jeito de andar, ao jeito de chutar a bola e as comemorações de gols. Foi a primeira vez que fiz um personagem que existe na vida real e amei a experiência”.

Em uma época de estatísticas, VAR e redes sociais, a criatividade parece ter perdido espaço, segundo Dani. “Há uma dificuldade hoje em se focar no jogo. Perder menos tempo lendo críticas e clickbaits e passar mais tempo aperfeiçoando os dribles, os chutes e o condicionamento físico. Outra coisa importantíssima que ele poderia ensinar pra geração de hoje é jogar se divertindo. Saborear cada movimento e cada jogada”.

Futebol é acima de tudo uma um jogo e uma arte – Daniel Blanco

Daniel, inicialmente, pensou em ser profissional dos esportes (Foto: Leo Rosário)

Daniel, contudo, quase foi jogador de futebol profissional. “Até meus 14 anos eu só pensava em ser jogador de futebol e recusei muitos convites de testes pra atuar. Eu pensava: ‘Pra quê estão me chamando? Eu não sou ator. Sou jogador e é isso que quero continuar fazendo.’ Não tinha negociação, eu só queria jogar. Com 14 anos fiz uma experiência no CT do Flamengo por 3 meses no time infantil e não deu certo. Fiquei triste, mas também percebi que eu não queria jogar em outro time que não fosse o Flamengo, então optei por me arriscar no mundo da atuação pra ver se eu gostava. Me apaixonei muito rápido e nunca mais parei”.

(EN)CANTO LIVRE

Membro da família Blanco, que é praticamente uma dinastia de artistas composta pelo músico e ator Billy Blanco Junior, além de cantor e músico, Daniel é irmão dos artistas Lua, Ana Terra e Pedro Sol. O avô de Daniel é o ícone da bossa nova Billy Blanco (1924–2011), que ajudou a narrar um Brasil por meio da música — uma delas, “Canto Livre“, aqui cantada por Lenny Andrade (1943-2023). O ator fala sobre como tenta narrar o país através dos personagens que escolhe: “Acredito que assim como meu avô, nosso trabalho era narrar as emoções humanas. Acredito que a arte faz um micro com o mundo interno das pessoas e reflete num macro do país em que essas pessoas vivem. Tudo começa a partir das emoções humanas e refletem na cultura do país. Nunca tive pressão da família pra trabalhar com alguma arte. Muito pelo contrário, meus pais sempre me apoiaram em tudo que eu queria fazer. Eu gostava de atuar nas peças da escola, eu já cantava e tocava instrumentos, mas não via nada daquilo como possibilidade profissional pro futuro”.

Daniel Blanco é de uma família de artistas (Foto: Léo Rosário)

Numa época de crianças reféns de telas, o ator fala sobre como foi ter sido criado livre, na rua e nos campinhos de futebol. “Me entristece ver parquinhos vazios, lojas de brinquedos fechando, crianças só se acalmando e focando se tiverem de frente pra uma tela… isso tudo faz parte da mudança drástica dos tempos dos últimos 20 anos. É triste, claro, mas é inevitável numa grande escala. Tudo sempre muda, a sociedade se molda e transmuta, pro bem ou pro mal. A forma como fui criado — com natureza, futebol na rua, subindo em árvores e brincando de criar personagens com os meus irmãos — não era revolucionário, era só um reflexo dos tempos. Hoje os costumes são outros. Cresci recebendo muito amor e apoio da família, isso sim é revolucionário”.

Para o segundo semestre, Daniel poderá ser visto em “As Sete Marias”, no Disney+, seu primeiro trabalho de suspense. E também vai lançar o primeiro disco completo da sua banda Muladhara.

Daniel Blanco pretende lançar o álbum de sua banco neste segundo semestre (Foto: Léo Rosário)

Como um drible que atravessa gerações sem perder a elegância, Daniel Blanco segue construindo a própria trajetória entre os sonhos da infância, a arte herdada de uma família que ajudou a contar a história cultural do país e a sensibilidade de quem observa o mundo com atenção. Entre o futebol que quase virou profissão, os personagens que dão voz às emoções humanas e os novos desafios que o aguardam nas telas e na música, o ator parece confirmar que alguns caminhos não são escolhidos apenas pelo destino, mas também pela delicadeza com que se vive cada etapa deles. E, assim como o Rivellino que interpretou, Daniel avança combinando talento, criatividade e liberdade — atributos cada vez mais raros em tempos acelerados, mas capazes de deixar marcas duradouras dentro e fora de campo.